10 animais com carreiras militares incríveis

Por , em 10.03.2013

A vida militar, com seu ênfase em comportamento disciplinado e uniforme, é um lugar difícil para quem quer se destacar, mas há quem o consiga – e nem sempre são pessoas. Em alguns casos, animais fazem carreira nas forças armadas, ganhando até mesmo homenagens e medalhas. Conheça alguns destes animais inacreditáveis e suas fichas militares:

10. O elefante Lin Wang

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Lin Wang foi um veterano da Segunda Guerra Mundial, tendo lutado tanto do lado japonês quanto do lado chinês na Segunda Guerra Sino-Japonesa (uma guerra entre China e Japão). E era um elefante.

O mais esquisito é que o nome original de Lin Wang era Ah Mei, “O Lindo”. Sua tarefa era puxar canhões para o exército japonês no meio das selvas de Burma, até que sua unidade foi derrotada pelas tropas chinesas, em 1943. Ele continuou então sua carreira militar sob o comando dos chineses, até o fim da guerra. Por fim, ele foi relocado para Taiwan, onde serviu para remover obstáculos em uma base militar.

Lin Wang também conseguiu o que poucos veteranos de guerra conseguiram: um final feliz. O exército chinês liberou-o em 1952, e ele encontrou um novo lar em um zoológico taiwanês. Lá, ele recebeu seu novo nome mais masculino (Lin Wang significa “Rei da Floresta”), e encontrou uma senhora elefante que se tornou sua companheira para o resto da vida.

Lin Wang se tornou o animal mais famoso em toda Taiwan, bem como o elefante de sua espécie que viveu mais tempo em cativeiro, falecendo em 2003 com 86 anos. O país fez luto com um funeral tradicional, como se ele fosse humano, acendendo incenso e queimando “dinheiro” em sua honra.

9. O porco Rei Netuno

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“Roadside attractions” ou “atrações de beira de estrada” são museus e exposições peculiares espalhados por toda a rede de estradas americanas. Entre estes estranhos locais está a pedra memorial do Rei Netuno, o único membro “real” da Marinha americana.

O trabalho original de Rei Netuno era uma janta com assado para levantar fundos, sendo ele o assado. Felizmente, Netuno era um porco particularmente simpático, então um recrutador local decidiu tentar outra abordagem. Em vez da janta, Netuno se tornou o show. Ele foi apresentado ao público, que podia comprar partes dele (como cerdas e guinchos) que eram leiloados por bônus de guerra.

Em pouco tempo, o porco se tornou um sucesso, e passou a ser bastante solicitado. Seus shows se tornaram cada vez mais elaborados, com o animal usando brincos de prata e uma coroa dourada mais de acordo com seu nome real. Como era um porco da raça Hereford, suas cores naturais eram vermelho e branco. A figura era completada com um cobertor azul da Marinha (azul, vermelho e branco, as cores da bandeira americana).

Por incrível que pareça, o porco levantou US$ 19 milhões (cerca de R$ 40 mi) em bônus de guerra, a maior parte deles usados para a construção do navio USS Illinois. O porco foi saudado como herói e recebeu permissão para se aposentar em uma fazenda em vez de ser enviado para o açougue. Quando morreu, recebeu um funeral com todas as honras militares.

8. O cão “apenas um incômodo”

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Antigamente, quando os navios levavam gado vivo para servir de alimento às tropas, era comum haverem cães à bordo, tanto para manter os animais sob controle, quanto para salvar quem caísse na água, bem como para elevar o moral da tripulação.

Esses cães não eram considerados membros da tripulação, exceto por Nuisance (“Incômodo”), um enorme Dinamarquês Sul Africano, que ganhou seu nome quando filhote ao sacudir sua cauda ferida com tanto entusiasmo que todo mundo ficou coberto de respingos de sangue. Nuisance era um cão enorme, com mais de 2 metros quando de pé. A maior parte do seu tempo na Cidade do Cabo era gasta com marinheiros, seguindo-os e pegando carona em trem com eles. Como era um cão e não tinha como pagar a passagem, a companhia férrea ameaçou sacrificá-lo. Quando o comando naval soube do perigo que corria seu cão, tiveram uma ideia.

Como viagens de trem eram gratuitas para membros da Marinha Real, Nuisance foi alistado em 25 de agosto de 1939, com o nome de Just Nuisance (“Apenas Incômodo”), tornando-se assim o primeiro e único membro canino da Marinha Real. Apesar de nunca ter realmente viajado no mar, seu serviço naval foi feliz e realizador. Ele foi um membro querido e respeitado da força, tomando parte de várias funções cerimoniais, guardando marinheiros que estavam fora da praia e até mesmo recebendo uma promoção. Mesmo depois de morto, sua estátua guarda seu porto natal até hoje.

7. O cavalo Sefton

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Se Sefton fosse um ser humano, estaria caindo de cara no chão o tempo todo devido ao peso das suas diversas medalhas. Sua carreira militar estendeu-se por 17 anos (uma carreira impressionante, se a gente lembrar que um cavalo vive entre 25 e 30 anos), na qual ganhou troféus em salto e corridas ponto-a-ponto. Foi o primeiro Cavalo Britânico do ano, e tem uma ala no Royal Veterinary College com seu nome.

Esta última honra tem algo a ver com uma bomba que ele recebeu na face, e o fato de ter sobrevivido a ela. Quando a caminho do Palácio Buckingham, a formação de Sefton foi atingida por uma bomba de pregos (uma bomba feita com pregos, navalhas e outros objetos cortantes para causar o maior dano possível). Vários cavalos e cavaleiros foram mortos na hora. Comparados com Sefton, poderia-se dizer que eles não levaram a pior: Sefton recebeu 34 feridas, cada uma delas com boas chances de matá-lo.

Incrivelmente, Sefton sobreviveu. Mesmo uma jugular cortada não foi suficiente para liquidá-lo. Ele passou por uma cirurgia incrivelmente difícil, e retornou ao serviço. Todo dia, costumava passar pelo mesmo ponto em que sua vida quase terminou, talvez relinchando um desafio à morte, sempre que o ultrapassava.

6. O bode William Windsor

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Apesar do nome, William “Billy” Windsor não tem parentesco com a realeza britânica. O que provavelmente é uma boa coisa, já que ele é um bode. Mas Billy era, de fato, amigo da Rainha – ela gostou tanto dele que lhe deu uma tarefa.

Conforme a recomendação da Rainha e a tradição histórica, Billy Windsor tornou-se membro do batalhão de infantaria “Royal Welsh” (“Galês Real”) do Exército Britânico. Ele foi um membro ranqueado e assalariado da unidade, com o número 25232301 e o posto de cabo lanceiro. Ele também tinha a tarefa de liderar os desfiles da unidade. Como privilégio, ele recebia rações diárias de Guinness (“para manter o nível do ferro”) e dois cigarros por dia (acreditava-se que comer cigarros era bom para os bodes).

Billy reformou-se com todas as honras depois de oito anos de serviço, com uma ficha que seria impecável, não fosse uma mancha: ele foi temporariamente rebaixado a fuzileiro devido a desordens, já que tentou cabecear um tocador de tambor em pleno desfile de aniversário da Rainha.

5. O gato Simon

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Simon era um gato vagabundo encontrado em um porto de Hong Kong em 1949 que foi adotado pela tripulação da corveta britânica HMS Amethyst. O animal rapidamente conquistou toda a tripulação, mesmo quando deixava um rato morto de “presente” para algum marinheiro.

Mas o HMS Amethyst acabou sendo envolvido na guerra civil chinesa, recebendo danos pesados das armas comunistas, e terminando preso no rio Yangtze por três meses. Simon foi bastante ferido e parecia que não iria sobreviver. Ao mesmo tempo, o navio foi infestado pro ratos que estavam liquidando com o estoque de alimentos. Preso entre ratos e comunistas, o HMS Amethyst corria perigo mortal.

Foi quando Simon fez seu retorno. Depois de sobreviver miraculosamente aos ferimentos, ele entrou em ação. Combateu os ratos incansavelmente, semana após semana. Sua sobrevivência miraculosa melhorou a moral da tripulação, ajudando-os a escapar três meses mais tarde.

Quando chegaram em casa, Simon se tornou uma celebridade instantânea, recebendo a PDSA Dickin Medal (condecoração equivalente à Cruz da Vitória) e sendo promovido a “Able Seacat” (algo como “hábil gato do mar”). Infelizmente, com sua tripulação à salvo, Simon não precisava mais lutar. Ele morreu em quarentena devido a um vírus que contraiu a partir de seus ferimentos.

4. O cão Sinbad

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Sinbad era para ser o presente de um marinheiro à sua namorada, mas, em vez disso, acabou se tornando marinheiro no USCGS George W. Campbell.

Ele rapidamente se adaptou ao ambiente naval, e começou a beber café (e whiskey e cerveja com a tripulação – eram outros tempos). Ele tinha sua própria estação de trabalho no barco.

Sinbad era um membro oficialmente alistado da tripulação, com uma impressão da sua pata nos papéis de alistamento. Também tinha sua Cruz Vermelha e ID de serviço, beliche e registro. Como tinha um fraco pelo whiskey, tinha um tendência a ser rebaixado e disciplinado de vez em quando. Mas sempre conseguia retornar ao posto anterior, e acabou ficando com o de Chief Dog, equivalente ao posto de Chief Petty Officer (algo como “suboficial”). Ele era um oficial não comissionado.

Sua tendência a visitar bares do porto acabou atraindo a atenção da mídia e ele logo se tornou figura pública. O fato de ser um vira-latas simpático logo fez dele uma celebridade nacional, aparecendo em fotos promocionais e histórias de jornais. Por fim, ele acabou abusando de sua posição, causando todo tipo de tumulto e até incidentes diplomáticos.

Mas Simon também viu ação durante a guerra, especialmente contra submarinos. Considerado um membro valioso da tripulação, recebeu um total de seis medalhas, e a sua mera presença era considerada fundamental para tornar o George W. Campbell inafundável.

Finalmente, Sinbad ficou velho e se aposentou honrosamente para uma vida tranquila de bar em bar. Até hoje, o George W. Campbell tem uma estátua de Sinbad no refeitório – só por garantia.

3. O pinguim Nils Olav

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Se você visitar o Zoológico de Edimburgo na Escócia, prepare-se para saudar o tanque dos pinguins imperador, o segundo maior tipo de pinguins, bem como um de seus habitantes que foi promovido a cavaleiro pelo Rei da Noruega.

A Guarda Real participava regularmente do Edinburgh Military Tattoo, um festival de bandas militares. Em uma viagem, um dos tenentes ficou fascinado pelos pinguins do zoológico, e por alguma razão a unidade decidiu adotar um deles: Nils Olav.

A cada viagem a Edimburgo, a banda saudava sua ave colega de arma. Mais: toda vez que viam Nils Olav, ele era promovido. Até mesmo o rei entrou na história, até eles perceberem que o pinguim tinha, tecnicamente, ultrapassado todo mundo em termos de posto militar.

Nils Olav chegou ao impressionante posto de Coronel Chefe Sir Nils Olav na Guarda Real da Noruega, tendo sido sagrado cavaleiro pelo próprio Rei da Noruega, que afirmou que o pinguim estava “em todas as formas qualificado para receber a honra e a dignidade da nobreza”. Apesar disso, ele é referido apenas como mascote no país, talvez por que ninguém sabe como obedecer ao comando de “Waark!”.

2. O pastor alemão Nemo A534

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Nemo A534 foi um pastor alemão com uma carreira heroica. Cães sentinela, como Nemo, eram muito valiosos na Guerra do Vietnã: eles podiam perceber a aproximação do inimigo bem antes que seus companheiros soldados. Também eram úteis em um eventual ataque, já que um cão motivado podia cortar fileiras de guerrilheiros que um humano não notaria antes que fosse tarde demais.

Em 4 de dezembro de 1966, Nemo A534 se tornou o rei dos cães-sentinela. Em patrulha, ele e seu adestrador perceberam um grupo de vietcongues que pareciam estar se preparando para um ataque surpresa. O combate que se seguiu causou duas mortes entre os inimigos, mas deixou seu adestrador severamente ferido e imobilizado. Nemo também foi ferido – perdeu um olho e recebeu um tiro no focinho.

Com a floresta estava infestada de inimigos, Nemo colocou-se sobre o corpo do adestrador, castigando severamente quem ousasse se aproximar. Levou um tempo até o reforço chegar, mas até lá ninguém teve chance de colocar suas mãos no soldado. Quando as tropas de Nemo chegaram, ele estava tão ligado no “modo de combate” que teve que ser sedado pelo veterinário da companhia.

Nemo se tornou um herói instantâneo e recebeu um canil permanente de aposentadoria, uma versão canina de um barco e uma pequena ilha no Pacífico. Mas o Chuck Norris canino continuou trabalhando com recrutamento, talvez olhando para as pessoas com seu olho bom até que elas se alistassem de vergonha.

1. O urso Wojtek

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Em 1943, uma Companhia de Suprimentos de Artilharia encontrou um filhote de urso durante combates no Oriente Médio. Sem coragem para deixar o urso morrer no meio dos campos iranianos, eles o adotaram e o chamaram de Wojtek. O urso gostava da companhia dos soldados e era até mesmo capaz de bater continência.

Quando a companhia foi enviada para dar apoio aos britânicos na campanha da Itália, bichos de estimação não eram permitidos nos navios de transporte. Os soldados poloneses deram um jeito, alistando Wojtek como soldado. Durante o resto da guerra, o Soldado Wojtek viajou com a companhia. Ele dormia em uma cama de campanha especial, ou nas tendas com os outros soldados. Como a função da unidade era levar munição para a artilharia, Wojtek também podia dar sua contribuição no combate. Durante a Batalha de Monte Cassino, ele carregou munição com seus amigos e não deixou cair nenhuma caixa.

Wojtek, o Urso Soldado sobreviveu à guerra e foi doado ao Zoológico de Edimburgo, que parece ser o lar de animais militares de todas as pátrias. Seu legado sobrevive no emblema oficial da 22ª Companhia Polonesa de Transporte: um urso carregando uma granada de artilharia. [Listverse]

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3 comentários

  • Alex Xtorrentz:

    Ao meu ver, o uso de animais em guerras acabam servindo também como forma de incentivar os soldados e como forma incentivar civis, pois a medida de incorporar um um animal de estimação à guerra cria propositalmente uma lógica com intuito de influenciar a população: “pois se até um animal de estimação participa da guerra, sendo inclusive condecorado, porque um civil não o faria?

  • Kherryna:

    Matéria fascinante!! Impressiona a fidelidade do cão Nemo A534. Foram pessoas que passaram por momentos difíceis durante a guerra, mas a presença dos animais com certeza amenizou e muito a situação de todos eles.

  • Paulo Trin Junior:

    Matérias interessantes. Só lamento o alcoolismo de Sinbad.

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