10 duplas de animais que possuem estranhos acordos de cooperação

Por , em 25.02.2015

Normalmente, pensamos nas interações entre duas espécies animais como antagônicas: predadores caçam presas, seres humanos domesticam outros animais, grupos competem por território etc.

Mas, se você se lembra bem das aulas de biologia da escola, sabe que não é sempre assim. Existem interações mutuamente benéficas também. Algumas dessas colaborações são, inclusive, incríveis e inesperadas. Veja:

10. Corvos guiam lobos até presas

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No passado, os lobos cinzentos foram considerados perigosos demais e quase foram aniquilados na América do Norte nos anos 1970. Populações desses animais têm se recuperado desde então. A sua reintrodução ao Yellowstone National Park teve um efeito benéfico e estabilizador sobre o ecossistema local, especialmente no que diz respeito a carniceiros nos meses de inverno.

Mesmo sem lobos, muitos herbívoros ainda morrem de fome até o final do inverno. Enquanto isso fornece um banquete inicial para carniceiros, grande parte dessa carne vai para o lixo. Com os lobos de volta, a morte de herbívoros é mais espaçada, embora continue a fornecer refeições prontas para carniceiros, uma vez que, ao contrário de outros animais como ursos, lobos tendem a afastar-se de sua caça depois de terem comido o que desejam.

Corvos aprenderam a maximizar esse comportamento do lobo. Durante o inverno, as aves chamam a atenção dos lobos para presas, orientando-os para a sua próxima refeição. Claro, isso os coloca em uma posição privilegiada para se banquetear com as sobras depois. Talvez como resultado, os lobos se tornaram surpreendentemente tolerantes com corvos que se alimentam perto deles.

9. Besouro carniceiro e seus ácaros subordinados

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Necrophila americana, um besouro carniceiro americano, segue um estilo de vida que gira em torno de animais mortos. O cheiro de um animal recém-falecido se decompondo atrai esses besouros, às vezes carregando nas costas vários ácaros.

Os besouros colocam seus ovos na carne podre, que servirá de alimento para suas larvas. Eles não são a única espécie a usar a carcaça dessa maneira, então, inevitavelmente, essas larvas enfrentarão concorrência. Os adultos comem as larvas que não são as deles, mas, dada a abundância de espécies competitivas, não podem destruir todos os rivais de sua progênie.

Aqui entram os passageiros dos besouros. Na chegada a um cadáver fresco, os ácaros desembarcam primeiro, comendo quaisquer larvas ou ovos que não venham dos besouros carniceiros e reduzindo bastante a competição. Os besouros, então, levam os ácaros junto para a próximo corpo que encontram.

É possível também que os ácaros comam bactérias dos próprios besouros (ajudando-os a se livrarem delas), como “agradecimento” pela carona.

8. Daniel Greene e sua serpente médica

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Você já deve ter ouvido falar de cães que podem detectar ataques epiléticos de seus proprietários e adverti-los de acordo, mas é certamente novidade uma cobra que faz a mesma coisa.

Daniel Greene, de Washington (EUA), emprega Bedrock, uma jiboia de 1,5 metros, como animal de serviço. Greene, que sofre de convulsões, muitas vezes carrega Bedrock em torno de seu pescoço.

Quando uma convulsão se aproxima, Bedrock se endurece e aperta seu pescoço ligeiramente. Assim, a serpente lhe avisa para desestressar, tomar remédio ou fazer o que for necessário para evitar ou suportar o ataque da forma mais segura possível.
Enquanto o animal é muito bom para Daniel, carregá-lo consigo o tempo todo causa distúrbios. Alguns gerentes de lojas já o impediram de permanecer no estabelecimento. Sendo um animal de serviço, Bedrock é legalmente permitida a acompanhar Greene em público pela lei americana, mas o homem ainda é convidado a se retirar de muitos lugares. Ele diz que não se importa se o pedido for feito educadamente, mas se ofende quando tentam afirmar que Bedrock não é um verdadeiro animal de serviço.

7. O time de caça texugo e coiote

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Texugos e coiotes compartilham uma predileção comum quando se trata de presas: roedores. No entanto, os caçam de maneiras muito diferentes. Esquilos e cães da pradaria não têm chance de correr mais que um coiote, mas sempre podem escapar para suas tocas. Um texugo, por outro lado, pode cavar o chão e rasgar um roedor em sua toca, desde que ele não fuja por outra saída.

Uma equipe texugo-coiote certamente poderia piorar as probabilidades para a sua presa comum se trabalhasse junta. E faz exatamente isso. Os nativos americanos têm falado destas colaborações por anos e, mais recentemente, cientistas a documentaram. Quando texugos e coiotes trabalham juntos para capturar presas, complementam seus respectivos pontos fortes. O texugo escava a presa para fora do chão, e o coiote a persegue, capturando-a.

6. Sapos protegem ovos de aranhas em troca de abrigo

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A formidável tarântula colombiana Xenesthis immanis poderia facilmente comer um animal tão pequeno como o sapo Chiasmocleis ventrimaculata, mas isso não acontece. Esses animais foram observados partilhando tocas criadas pela aranha. Muitas vezes, os sapos têm que passar por cima ou por baixo da tarântula a fim de entrar ou sair da toca, e mesmo assim não são atacados.

Isso porque as duas espécies compartilham um acordo mutuamente benéfico. Muitos outros predadores que poderiam jantar o sapo não ousariam entrar na toca de uma grande aranha para fazê-lo. Os anfíbios também podem deleitar-se de pequenos invertebrados atraídos pelos restos das presas da aranha. E como os sapos pagam esse aluguel? Se alimentando das formigas que de outra forma poderiam comer os ovos da tarântula.

5. Cabozes atuam como cães-guia de camarões-pistola

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O camarão-pistola é conhecido por sua capacidade de agitar suas garras tão rapidamente que cria um jato de alta pressão de água, capaz de afastar peixes predadores ou chocar presas. Mesmo tendo uma arma tão boa, é um grande oceano lá fora onde um predador faminto pode aparecer a qualquer momento, e esse camarão não tem uma visão particularmente boa. É aqui que entram algumas espécies de caboz. Os cabozes, com a sua significativamente melhor visão, agem como os olhos do camarão-pistola. Muito parecido com um ser humano liderado por um cão-guia, a cauda dos cabozes permanecem em constante contato com as antenas do camarão conforme os dois passeiam pelo oceano. Se um predador é visto, a cauda do caboz sinaliza o camarão para recuar. Para os peixes, também é bom estarem protegidos pelo seu amigo mais poderoso. Camarões-pistola em tais relações não saem sem seus assistentes cabozes.

4. Corvos atuam como espiões para humanos

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Uma vez que humanos aprenderam a condicionar animais a ter certos comportamentos, coisas como o I. Q. Zoo surgiram, um parque temático que conta com animais treinados para realizar atividades humanoides, como galinhas jogando beisebol, porcos tocando piano e guaxinins jogando basquete. Esse local também foi um campo de testes financiado pelo governo americano para descobrir aplicações do treinamento de animais, como espionagem.

Corvos provaram ser particularmente bons neste quesito. Além de serem capazes de transportar cargas pesadas, a inteligência dos corvos lhes permitiu ser treinados para executar tarefas específicas, incluindo abrir gavetas de arquivo e carregar pastas. Foi, portanto, uma questão simples ensinar os corvos a voar para um determinado local levando lasers e outras armas e dispositivos de vigilância. Corvos podiam até ser treinados para tirar fotos com uma câmera especial localizada no bico da ave.

3. Garoupas e moreias caçam juntas

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Garoupas e moreias são totalmente diferentes quando se trata de comportamento predatório. As primeiras caçam durante o dia. É claro que um animal perseguido por uma garoupa pode facilmente escapar se escondendo em uma fenda ou buraco. Por outro lado, as moreias mais noturnas esgueiram-se através de espaços estreitos em recifes de corais para capturar presas.

No Mar Vermelho, algumas garoupas aprenderam a solicitar a assistência de moreias para complementar suas habilidades (mais ou menos como os coiotes e texugos). O peixe abana a cabeça rapidamente na boca da fenda onde a moreia “dorme”. Esta é então liderada pela garoupa para onde a presa está se escondendo, e em seguida entra no buraco e mata a presa. Às vezes, a moreia come a própria presa, e em outros casos o dá para a garoupa.

Este tipo de caça cooperativa nunca foi observada em duas espécies diferentes de peixes antes. Biólogos marinhos notaram variabilidade suficiente no comportamento para crer que ele é aprendido, em oposição a instintivo.

2. Formigas carnívoras toleram lagartas que lhe dão açúcar

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Formigas carnívoras, também conhecidas como formigas cascalho, são uma espécie incrivelmente territorial nativa da Austrália. Elas não dividem espaço nem mesmo com outras de sua espécie. Se um grupo concorrente chegar perto, as formigas lutam por dias. Outros invertebrados que invadem o território das carnívoras são mortos e, por vezes, comidos por elas.

Esses animais liberam substâncias químicas de odor fétido e mordem repetidamente para se defender. As áreas em torno de suas colônias, que podem se estender tanto quanto 650 metros, podem ficar totalmente vazias, exceto por certas lagartas, as únicas que conseguem coexistir com esses insetos brutais. Algumas espécies de lagartas secretam um líquido açucarado que as formigas adoram. Como resultado, elas protegem as lagartas dos predadores. Em alguns casos, as lagartas são mantidas dentro das colônias de formigas e transportadas por elas até plantas para se alimentarem.

Agricultores humanos também podem se beneficiar de colônias dessas formigas; gado morto que cai em um formigueiro é reduzido a ossos, um método conveniente de disposição.

1. Old Tom, a orca verdadeiramente assassina que ajudava baleeiros

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Twofold Bay, perto de Eden, na Austrália, é o terceiro mais profundo porto natural do hemisfério sul e um ponto de encontro conhecido de baleias. Sendo assim, é um local ideal para a caça.

Desde a década de 1860, a família Davidson manteve uma estação baleeira ali. Um ano, um grupo de orcas apareceu. Inicialmente, os Davidsons temeram que elas iriam interferir com a caça e tomar as baleias para si, mas algo mais bizarro aconteceu. O grupo, liderado por um macho que se tornaria conhecido como “Old Tom”, conduzia baleias a certos pontos, prendendo-as. Em seguida, Old Tom nadava até a estação baleeira e batia na água com sua cauda para chamar a atenção dos baleeiros. Os baleeiros, então, seguiam a orca em seus barcos para pegar as baleias presas. Alguns dizem que as orcas até mesmo protegiam os homens afastando tubarões.

Quando uma baleia era capturada e morta, seu corpo era deixado amarrado na água durante a noite. Old Tom e seu grupo comiam os lábios e línguas do animal, deixando as peças mais valiosas para os Davidsons. Este arranjo ficou conhecido como a “Lei da Língua”.

Os Davidsons e o grupo de Old Tom mantiveram sua relação de cooperação no trabalho por três gerações da família. Em 1930, Old Tom morreu, e seu esqueleto passou a ficar em exposição no museu Eden Killer Whale Museum. Seu grupo desapareceu e não foi visto novamente. Nenhuma outra orca cooperou com baleeiros de tal forma desde então. [Listverse]

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