5 coisas simples que você não vai acreditar são invenções recentes

Por , em 26.03.2016

Parte do problema de viver na era de iPads, transplantes de células-troncos e Netflix é que nós tendemos a interpretar a inovação como algo corriqueiro. Ficamos impressionados com novos aparelhos, com certeza, mas tendemos a esquecer que até mesmo os conceitos mais óbvios e básicos tiveram que ser inventados em algum ponto. E alguns deles são surpreendentemente recentes.

5. Maçanetas

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Apesar de parecer algo inerente da vida humana civilizada, as maçanetas não existiam até… 1878, que é quando a maçaneta foi patenteada. Ou seja, Dom Pedro I morreu sem conhecer uma deste modelo que temos hoje – um botão que vira e faz uma coisinha de metal se retrair e permitir que a porta se abra.

Antes das maçanetas, as portas eram abertas e fechadas por meio de ferrolhos como este. Não foi até 1878 que o inventor Osbourn Dorsey registrou uma patente para o mecanismo de maçaneta que conhecemos hoje, e, junto com ele, o primeiro mecanismo de trinco interno.

Mas levou muito tempo para a maçaneta se tornar um elemento comum em todo o mundo – só podemos imaginar que foi porque levou algumas gerações para dominarmos o gesto tão fácil de virar e puxar simultaneamente.

4. Fusos horários

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Se amanhã todos os dispositivos de marcação de tempo do planeta desaparecessem, as coisas se transformariam em caos absoluto até o pôr-do-sol. Todos nós conseguiríamos concordar que é “manhã” ou “tarde” ou “noite”, mas descobrir exatamente quando seu avião sai ou exatamente quando você tem que estar no trabalho? Seria um caos.

No entanto, para a maioria das pessoas, é exatamente assim que funcionava até muito recentemente. Mais precisamente, o tempo não foi padronizado até… 1880.

Durante séculos, olhar a hora significava olhar a posição do sol. Ou, para salvar seus globos oculares, checar o relógio de sol mais próximo (isso, claro, se o dia não estivesse nublado e realmente houvesse uma sombra). Mesmo depois da invenção de relógios mecânicos, eles ainda eram regulados pela hora solar, o que significava que o seu relógio ainda seria diferente do relógio do seu amigo a algumas cidades de distância. Não é assim um problema tão grande porque não havia comunicação em tempo real através de telefones ou qualquer outra coisa, todo mundo estava a horas de distância.

Mas os trens mudaram tudo. No momento em que os trens começaram a funcionar, cada cidade tinha seu próprio tempo. Então, as pessoas encarregadas do transporte não só precisavam se preocupar com a hora local, como também tinham que se preocupar com a hora do final da jornada, além de cada junção da estrada de ferro. Que é a razão pela qual grandes estações tinham vários relógios marcando horas diferentes.

E por um tempo, esta parecia ser a única maneira possível de lidar com a situação. O tempo solar era tão natural quanto andar para frente. Não é como se depois de milhares e milhares de anos você pudesse fazer as pessoas mudarem a forma como veem o tempo.

Ou não? Em 1 de dezembro de 1847, os britânicos brincaram com o destino ao usar o Greenwich Mean Time (GMT, em português Hora Média de Greenwich) para instituir fusos horários para manter seus trens funcionando dentro do cronograma. Mas não foi até 1880 que os fusos horários padronizados viraram lei na Grã-Bretanha, e, em 1883, zonas com base no GMT viraram lei também nos EUA. Em 1929, a maioria dos outros países ao redor do mundo já tinha adotado o sistema de fuso horário de hora em hora. Portanto, ainda é possível que haja pessoas vivas hoje que não viveram de acordo com o sistema GMT em algum momento de suas vidas.

3. Supermercados

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Quando você pensa em “compras de supermercado”, provavelmente uma imagem muito específica vem à mente: um carrinho abarrotado de embalagens coloridas e você com uma lista. E antes da existência desse modernos supermercados, era a mesma coisa, só que em uma loja de conveniências antiga, certo? E antes disso, havia as feiras de agricultores, onde você poderia escolher cebolas, maçãs ou galinhas e levar tudo dentro de uma cesta.

Isso quer dizer que a experiência de compra tem sido praticamente a mesma desde, o que, a Roma antiga? É não. Lojas em que você pega seus próprios produtos não existiam até… 1916. Foi aí que Clarence Saunders, dono de uma loja, teve a ideia de criar o supermercado moderno. Em sua loja “Piggly Wiggly”, os clientes fariam algo que nunca antes havia sido permitido: eles pegariam seus próprios mantimentos da prateleira.

Essa é a parte nova. Cem anos atrás, uma pessoa que queria fazer uma torta de bananas tinha que escrever tudo o que precisava em uma lista, em seguida, entregar essa lista ao funcionário da loja e esperar. Então, o funcionário iria revirar o estoque, completando os itens do pedido como se fosse dele. Você não podia escolher as bananas para pegar as que não estavam pretas. Você ficava com aquilo que lhe davam.

Se o cliente tivesse sorte, havia um monte de funcionários e uma pequena fila à sua frente. Caso contrário, além de ter que esperar por um tempo infinito enquanto buscavam suas compras e de todas aquelas pessoas, ainda corria o risco de ter algum item vergonhoso na sua lista e todo mundo veria que era você que estava levando.

Esta nova configuração tinha vários tipos de vantagens. A loja poderia baixar os preços porque as compras de supermercado não eram mais tão trabalhosas (o cliente estava fazendo todo o trabalho, afinal – algo sobre o que nem sequer pensamos hoje enquanto empurramos um carrinho por uma hora). As lojas também podiam acomodar mais clientes ao mesmo tempo, já que eles não precisavam ficar esperando por um atendente.

E os clientes adoraram. Em 10 anos, a cadeia de supermercado se espalhou por toda a América do Norte.

2. Ursos de pelúcia

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Você tem que ser um hooligan com um coração gelado para não ter um fraquinho por um bicho de pelúcia bem usado. É um brinquedo tão tradicional que podemos imaginar nossas avós segurando um quando pequenas. E antes disso, provavelmente todas as partes do mundo tinham suas versões de animais de pelúcia – especialmente os ursos. Os ursos são incríveis e não podem ter virado essa febre de uma hora para a outra, certo?

Na verdade, os ursos de pelúcia não existiam até… 1902. Ou seja, não importa o quão velhinho pareça seu o seu bichinho de pelúcia, ele não pode ter mais de 108 anos de idade. Para colocar isso em perspectiva, este brinquedo é mais moderno do que a lâmpada, a descoberta dos raios-X e o rolo de papel higiênico.

Em 1902, o presidente norte-americano Theodore Roosevelt foi convidado em uma viagem de caça pelo governador do estado do Mississippi. Todos no grupo de caça tinham algum animal morto para levar para casa no final da caçada, menos o pobre Teddy. Não querendo ofender o seu convidado de honra, o grupo de caça do Mississippi fez o que qualquer grupo de caça que se preze no século XX faria: eles pegaram um filhote de urso e o amarraram a uma árvore para o presidente dos Estados Unidos atirar.

E Teddy Roosevelt, perfeito cavalheiro que era, recusou-se a atirar porque era anti-desportivo (mas ordenou que sua comitiva atirasse no urso para acabar com o seu sofrimento).

A história do ato de piedade de Roosevelt se espalhou como fogo, especialmente depois de um cartunista ter ilustrado o episódio em uma charge política publicada no jornal “The Washington Post”, e reproduzida em todo o país.

A charge inspirou Morris Michtom, proprietário de uma papelaria no Brooklyn, a criar o “Teddy’s Bear” (“Urso do Teddy”, em tradução literal – e como são chamados os ursos de pelúcia em inglês). E foi aí que as coisas realmente enlouqueceram para a indústria de ursos de pelúcia. Os ursos de pelúcia viraram as bonecas de pano do início do século XX. Em 1906, as pessoas já cantavam músicas sobre piqueniques de ursinho de pelúcia e o próprio Roosevelt usou o urso como seu mascote em sua bem-sucedida campanha de reeleição.

1. Nacionalismo

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De todas os tópicos nesta lista, este é, de longe, o mais difícil de compreender completamente. Provavelmente você conheceu algum nacionalista em algum ponto da sua vida. Não é um patriota qualquer – um nacionalista. Aquelas pessoas que transformam o amor a seu país em uma religião e acreditam que sua nação e sua bandeira são como uma ilha de justiça em um oceano de estrangeiros malvados.

Mas desde quando esses caras que levam sua nação tão a sério existem? Aproximadamente, desde o final do século XVIII.

Até aquele momento, estes tipos zelosos eram mais preocupados com a lealdade a seu grupo étnico, um líder, sua religião, sua cidade-estado ou seu clã/tribo. Não o seu país, porque os países como nós os entendemos hoje não existiam.

É difícil de entender o quão diferente o mundo era. A maioria das nações da época eram realmente apenas uma coleção de enclaves étnicos, geralmente falando vários idiomas dentro do país, às vezes unidos sob um líder, muitas vezes, não. Porém, pensar em si mesmos como “russos” ou “franceses” simplesmente não era uma grande parte de sua personalidade.

A França, por exemplo, que tem aquele esteriótipo tão forte de nativo: o francês esnobe, que odeia turistas ainda é uma fugira forte e nós esperamos que eles nos odeiem se não falarmos francês perfeitamente quando viajarmos para lá. Agora, considere o seguinte: em 1789, apenas 50% das pessoas na França realmente falava francês, e apenas 12 a 13% dessas pessoas o falavam “bastante bem”.

E o mesmo acontecia em outros países em toda a Europa; as pessoas simplesmente não se viam como cidadãos de uma nação específica.

Não foi até que “os fundadores de nações”, inspirados pelo Iluminismo, colocaram em suas cabeças que os Estados deveriam ser regidas pelo povo, que o povo realmente começou a gostar da ideia de Estado. [Cracked]

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