5 resgates de reféns mais insanos da história

Por , em 9.03.2020

Os filmes tendem a apostar nas histórias de reféns com muita ação eletrizante e finais felizes, mas a vida real tem alguns contos muito mais sombrios e trágicos que ficariam ainda piores na tela grande.

Confira cinco razões pelas quais é melhor jamais se encontrar em uma situação de refém:

5. A Rússia matou centenas de reféns tentando livrá-los de terroristas

Uma das mais insanas e terríveis histórias de refém ocorreu em um teatro russo em Moscou em 2002.

Rebeldes chechenos subjugaram nada menos do que 800 pessoas e a exigência para não as matar não era nada simples: os terroristas queriam o fim da Segunda Guerra na Chechênia, a custo de suas próprias vidas se necessário.

Ou seja, as negociações não andaram muito bem. Os russos não podiam invadir o teatro sem arriscar várias mortes, uma vez que o local estava cheio de bombas. Depois de quatro dias de horror, o presidente Vladmir Putin aceitou a ideia das forças especiais russas e decidiu apagar todo mundo com gás para poder livrar os reféns dos rebeldes.

Acontece que nenhum gás é feito para realmente apenas deixar as pessoas inconscientes – mesmo anestesias superseguras carregam riscos de fatalidade.

Os russos, no entanto, acharam que valia a pena brincar de roleta russa (essa expressão está começando a fazer sentido para mim). Eles lançaram uma variante do fentanil pelo sistema de ar condicionado do auditório, apagando sua população e tomando controle da situação.

Inicialmente, o governo alegou que a missão foi um sucesso – “apenas” 10 reféns morreram no fogo cruzado, e os terroristas foram capturados vivos.

A verdade às vezes demora, mas sempre aparece. Logo, o mundo descobriu que 50 terroristas haviam morrido e que os reféns haviam sido evacuados do teatro passando muito mal. Uma vez que as autoridades russas se recusaram a identificar o gás utilizado no “resgate” para os médicos, os reféns não foram tratados com sucesso e nada menos do que 120 morreram dos efeitos colaterais. Ao longo do próximo ano, esse número aparentemente duplicou.

Alguns sobreviventes chegaram a processar o governo russo, o que levou o Tribunal Europeu de Direitos Humanos a demandar que a Rússia pagasse alguns milhões de dólares à 64 querelantes.

Em resumo: os reféns não estavam seguros nem com os chechenos, nem com os russos.

4. Três sequestradores enterraram 26 crianças vivas

Em 1976, três homens sequestraram um ônibus escolar na Califórnia (EUA), contendo um motorista e 26 crianças. E como controlar esse tanto de pimpolhos?

A ideia dos sequestrados foi a pior possível: eles reuniram todos os reféns em um trailer e os enterraram em uma pedreira. Em seguida, decidiram que pediriam US$ 5 milhões para a polícia em troca da localização do trailer, afinal de contas, todo mundo liga para crianças e o governo não iria deixá-las morrer.

Só tinha um problema: os bandidos não conseguiam falar com a polícia devido ao congestionamento das linhas telefônicas. Os pais e a mídia ligavam constantemente atrás de atualizações sobre as crianças desaparecidas.

Sem saber exatamente o que fazer, os três homens resolveram tirar um cochilo e planejar o próximo passo depois. Nesse meio tempo, felizmente, os sequestrados conseguiram escapar de seu terrível enterro vivo. Oi?! Como?

Aparentemente, o trailer não suportou todo o peso em cima dele e cedeu. Quando terra começou a entrar no veículo, os reféns perceberam que havia uma chance de conseguirem sair. A mais velha das crianças, o garoto de 14 anos Michael Marshall (a maioria tinha menos de 10 anos) e o motorista Ed Ray fizeram pilhas de colchão para alcançar o teto do trailer e conseguiram abri-lo de vez.

Os captores não estavam por perto quando os reféns saíram todos do veículo, de forma que eles seguiram o som de máquinas até se deparar com trabalhadores da pedreira. Mais tarde, a polícia conseguiu capturar os três sequestradores.

3. Muhammad Ali viajou para o Iraque para pedir pessoalmente à Saddam Hussein que liberasse reféns americanos

Em 1990, temendo uma represália internacional por sua invasão do Kuwait, Saddam Hussein tomou diversos soldados ocidentais como reféns.

Depois de diversos ex-políticos implorarem a liberação dos aprisionados à Saddam em caráter não oficial, os EUA alistaram uma celebridade para tomar conta do assunto: Muhammad Ali.

Ali foi ao Iraque pessoalmente para pedir a liberdade dos soldados. Ele já havia viajado para o Líbano em 1985 para libertar reféns americanos, bem como para Israel para libertar xiitas, falhando em ambas as vezes.

Vale observar que o governo dos EUA não aprovou nem um pouco esta missão pessoal do boxeador. Eles alegaram que Saddam usaria a presença de qualquer celebridade para fazer propaganda, e claro que estavam certos.

Além disso, em 1990, Ali já convivia com a doença de Parkinson há seis anos e, depois de uma semana em Bagdá, ficou sem medicamentos e praticamente acamado. Ele sequer conseguia falar.

Ainda assim, em 29 de novembro, a celebridade e Saddam se encontraram por uma hora. Ali falou através de um tradutor usando linguagem gestual. Seu status como um ícone muçulmano se mostrou valioso e Hussein concordou em mandá-lo para casa com 15 reféns.

2. Forças especiais egípcias explodiram acidentalmente reféns

O Egito se envolveu em dois casos absurdos de resgate de reféns, tendo matado dezenas deles com explosivos no pior deles.

O primeiro ocorreu em 1978, quando um jornalista egípcio foi assassinado em Chipre. Youssef Sebai era editor de um importante jornal e amigo do presidente egípcio Anwar Sadat.

Os assassinos exigiram um avião para escapar, e conseguiram. Os negociadores concordaram em permitir que os assassinos saíssem de Chipre com 11 reféns, incluindo egípcios, em um DC8 da Cypriot Airlines.

Acontece que nenhum outro país deixou os bandidos com reféns pousarem em seus aeroportos. Logo, os sequestradores assassinos tiveram que voltar para Chipre.

Neste ponto, o Egito havia enviado uma equipe de forças especiais para lidar com a situação, embora o Chipre nunca tivesse dado permissão para que invadissem seu aeroporto.

Resultado: as forças cipriotas e egípcias acabaram lutando umas contra as outras por mais de uma hora, o que terminou com o Chipre matando 18 soldados egípcios, mais do que o número de reféns. Enquanto isso, os sequestradores finalmente foram convencidos a se entregar pela tripulação do avião.

A mais sombria das histórias, porém, ocorreu em 1985, no que ficou conhecido como o incidente do voo 648 da EgyptAir. O avião viajava de Atenas para o Cairo quando militantes palestinos assumiram o controle do veículo.

Um comandante aéreo egípcio a bordo achou que era o caso de atirar em e matar um sequestrador, o que levou os outros a responderem com tiros suficientes para perfurar o casco e despressurizar o avião.

A confusão forçou um pouso em Malta. Em seguida, no meio de um período de dez horas de negociações, os sequestradores executaram alguns reféns. Foi quando o Egito decidiu invadir o avião colocando explosivos no porão de carga.

Acontece que o porão ficava perto de onde todos os passageiros estavam reunidos. A explosão perfurou os tanques de oxigênio e 60 passageiros morreram, a maioria por asfixia. O Egito tentou encobrir seu papel na matança, alegando que os sequestradores é que haviam chacinado os reféns com granadas. Exames médicos, no entanto, revelaram o que realmente tinha acontecido.

1. Três reféns e três sequestradores morrem no maior resgate da história americana

Em 1991, quatro membros de uma gangue chamada “Oriental Boys”, formada por refugiados do Vietnã, fizeram 39 reféns em uma loja de eletrônicos em Sacramento, na Califórnia. O mais velho dos bandidos tinha 21 anos; os demais eram adolescentes.

E o que eles queriam em troca da vida dessas pessoas? Bom, não parecia que tinham realmente planejado bem a situação, pois suas demandas mudaram muito com o tempo. Em um período de 24 horas, eles pediram primeiro US$ 1 milhão cada um, depois 40 raízes de ginseng de 1.000 anos de idade para fazer chá, depois um avião para a Tailândia para poderem combater os “vietcongues” que haviam matado seus pais.

De forma consistente, contudo, exigiram coletes à prova de balas. Para coletar algumas das demandas, conseguiram que um refém concordasse em levar um tiro na perna e fosse libertado.

Em certo ponto, no entanto, os garotos começaram a ficar irritados e decidiram acabar logo com a situação. Eles dividiram os reféns em três grupos a fim de decidir quais seriam suas vítimas. A porta da loja havia ficado aberta e um franco-atirador lançou fogo contra a gangue.

Insanamente, a porta fechou-se naquele exato segundo, desviando a bala. Os bandidos entraram em pânico e atiraram, de forma que a SWAT optou por invadir o local. Três reféns e três sequestradores morreram. Um dos bandidos sobreviveu porque usava o colete à prova de balas que havia demandado.

Até hoje, este é considerado o maior resgate de reféns da história americana. O membro da gangue sobrevivente, Loi Khac Nguyen, foi condenado por sequestro e três assassinatos e pegou 49 sentenças perpétuas consecutivas, apesar de sequer ter estado armado na invasão final. Ele foi responsabilizado pelas ações de seus parceiros mortos, entretanto. Pode-se dizer que os Estados Unidos não gostam que as pessoas mexam com seu comércio. [Cracked]

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