7 fatos que é melhor não saber sobre a história do Dia das Mães

Para muitos, o Dia das Mães parece bastante inocente: dar flores ou outro presente e preparar um café da manhã especial ou sair para almoçar juntos. É um dia em família.

Mas a criação deste feriado moderno envolveu muita briga entre diferentes grupos com diferentes interesses e visões do que a data deveria ser. Alguns queriam que a data fosse celebrada com simplicidade, declamação de poemas e apresentações musicais, enquanto outros queriam movimentar a economia. Aqui estão alguns fatos estranhos sobre o feriado:

7. O Dia das Mães começou como movimento antiguerra

Crédito imagem: Library Congress

A estadunidense Anna Jarvis é conhecida como a criadora do Dia das Mães nos Estados Unidos. Por lá, o feriado é celebrado no segundo domingo do mês de maio desde 1914, e muitas características desta data se espalharam para outros países, como o Brasil.

Jarvis passou a vida toda lutando pelo Dia das Mães perfeito, defendendo seu papel de “mãe do Dia das Mães”. Para ela, esta data deveria ser celebrada em família, sem culto ao consumismo.

Mas outras pessoas já tinham tido essa ideia antes, com intenções diferentes. Em 1872, a ativista antiguerra Julia Howe promoveu a data, chamada de “Dia da Paz das Mães”. Para ela e outras ativistas, incluindo a mãe da própria Anna Jarvis, a data era uma forma de promover a unidade global depois dos horrores da Guerra de Secessão dos EUA, que terminou em 1865, e também da Guerra Franco-Prussiana, que teve seu fim em 1871.

“Howe convidou mulheres para se reunirem uma vez por ano em igrejas, salões e gabinetes para compartilharem ensaios, cantar hinos ou rezar em nome da paz”, diz Katharine Antolini, uma historiadora da Universidade de West Virginia e autora do livro Homenageando a maternidade: Anna Jarvis e a luta pelo controle do Dia das Mães (2014).

Várias cidades dos Estados Unidos como Boston, Nova York, Filadélfia e Chicago realizaram celebrações anuais no dia 2 de junho até o ano de 1913. Mas esses eventos eram populares apenas entre entusiastas do movimento de paz.

6. Um treinador de futebol americano promoveu uma versão anterior da data e foi acusado de “sequestrar” o feriado

Crédito imagem: Wikimedia Commons

Frank Hering, um ex-treinador de futebol americano e professor da Universidade de Notre Dame (EUA) também propôs a ideia de um Dia das Mães antes de Anna Jarvis.

Em 1904, ele organizou uma reunião na organização Ordem Fraternal das Águias para apoiar “separar um dia por ano como celebração nacional pela memória das mães e da maternidade”. Ele não sugeriu um dia ou mês específico para isso, mas pediu que a data fosse sempre em um domingo. Até hoje, a organização credita Hering como o “verdadeiro fundador do Dia das Mães”.

Mas Anna Jarvis não gostou da ideia de que o Dia das Mães tivesse um pai, e publicou em 1920 uma declaração chamada “Sequestrando o Dia das Mães: você será um cúmplice?”. Nela, Jarvis dizia que Hering estava fazendo um esforço desesperado para roubar o título de fundador do Dia das Mães.

5. Franklin Roosevelt tentou criar um selo de Dia das Mães

Crédito imagem: Smithsonian National Postal Museum

O presidente Franklin Delano Roosevelt criou um selo postal de Dia das Mães em 1934 para celebrar o dia, mostrando a pintura do artista James Abbott McNeill, chamada “Mãe de Whistler”. Quem aparecia nesta pintura era Anna McNeill Whistler.

Ao redor do selo havia a dedicatória: “em memória e honra das mães da América”. Mas Jarvis não aprovou o design e não permitiu que as palavras “Dia das Mães” aparecessem no selo – e elas realmente nunca apareceram. “Em geral, ela achou que o selo era feio”, diz Antolini.

4. A fundadora do Dia das Mães não gostava de quem arrecadava dinheiro para pobres usando a data


Desde as primeiras comemorações do Dia das Mães, alguns grupos aproveitaram para arrecadar dinheiro para causas sociais, como mães que estavam passando necessidade. Mas Anna Jarvis não aprovava essas ações, pela falta de controle de que o dinheiro realmente era enviado às pessoas necessitadas.

Segundo Antolini, Jarvis não confiava que o dinheiro arrecadado realmente ia para as pessoas que deviam ser ajudadas. “Ela não gostava da ideia de que grupos usassem a data para fazer dinheiro”, diz a historiadora.

3. Anna Jarvis perdeu todo o dinheiro protegendo seu feriado

Crédito imagem: Wikimedia Commons

Não levou muito tempo para que o feriado passasse a ser explorado por lojas e restaurantes, e Jarvis passou a lutar contra isso, investindo até sua última moeda na luta.

“Ter o Dia das Mães com gastos, desperdício e presentes caros como o Natal e outras datas especiais se transformaram, não é o que queremos”, escreveu Jarvis na década de 1920. “Se o povo americano não está disposto a proteger o Dia das Mães dos maquinadores de dinheiro que tomariam conta da data com seus esquemas, então nós devemos parar de ter um Dia das Mães”, defendeu ela.

Anna nunca ganhou dinheiro com a data, mesmo podendo fazer isso com seu status de pequena celebridade. Na verdade, ela gastou todo seu dinheiro lutando contra a comercialização do feriado.

Com saúde debilitada e estabilidade mental questionável, ela morreu sem um tostão aos 84 anos, sendo que havia passado os últimos quatro anos de vida em um sanatório no estado de Pensilvânia.

2. Jarvis entrou com muitos processos pela “custódia” do Dia das Mães


Anna Jarvis sempre considerou o Dia das Mães sua propriedade intelectual, acreditando que tinha direitos legais sobre o feriado. Ela não tinha medo de usar seus advogados para defender esta propriedade.

Ela chegou a publicar um alerta para todas as instituições para que não usassem o nome do feriado ou sua logo para arrecadar dinheiro. “Qualquer organização de caridade, hospital ou negócio usando o nome ‘Dia das Mães’, trabalho, emblema ou celebração para arrecadar dinheiro ou realizar vendas será acusado como impostor pelas autoridades competentes”, escreveu ela.

Antolini diz que é difícil dizer ao certo quantos processos relacionados à data foram movidos por Jarvis, mas uma matéria da revista Newsweek de 1944 apontava que na época da publicação Anna tinha 33 processos simultâneos pendentes relacionados ao feriado.

1. Jarvis queria que o cravo branco fosse a flor oficial do Dia das Mães


O cravo branco era a flor favorita da mãe de Anna Jarvis, por isso ela queria que esta fosse considerada a flor oficial da data.

“O cravo não perde suas pétalas, mas as envolve em seu centro conforme morre. As mães também abraçam seus filhos em seu coração, o amor de mãe nunca morre”, explicou Jarvis em uma entrevista em 1927.

Dia das mães de 2017

Toda a luta de Jarvis contra a comercialização do Dia das Mães parece ter sido em vão: a previsão para 2017 é que a data movimente US$23 bilhões, apenas nos Estados Unidos, de acordo com a Federação Nacional de Vendas do país.

Cada norte-americano deve gastar em média US$186.39 com suas mães neste ano. De acordo com uma pesquisa, 70% planejam enviar um cartão, e 69% vão enviar flores para as mães. 36% estão planejando comprar joias, e muitos vão levar a família toda para comer fora no domingo de Dia das Mães.

A empresa de cartões Hallmark diz que o Dia das Mães é o terceiro feriado em que as pessoas mais enviam cartões, ficando atrás apenas do Natal e Dia dos Namorados. Já a Associação Nacional de Restaurantes dos EUA anuncia que o Dia das Mães é a data mais popular do ano para sair para comer fora, com cerca de 50% da população nacional indo a um restaurante. [National Geographic]

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