André Carneiro – In Memoriam – 1922/2014

Por , em 10.11.2014

 

Artigo de Mustafá Ali Kanso 

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Nessa última terça-feira, dia 04 de novembro de 2014, o Brasil perdeu seu Leonardo Da Vince.

Vítima de complicações cardiorrespiratórias falece, aos 92 anos, em Curitiba o artista multimidiático André Carneiro.

Pródigo em diversas áreas artísticas dedicou-se à pintura, escultura, fotografia, cinema e literatura, sendo premiado em todas áreas no Brasil e no exterior.

Graças a técnica refinada e a profundidade se sua temática, é considerado um dos mais importantes escritores de Ficção Científica de seu tempo e graças as suas obras é que a ficção científica nacional ganhou espaço no cenário literário internacional.

Como cineasta foi premiado com o primeiro lugar no concurso Nacional de roteiros, no Quarto Centenário de São Paulo.

Também representou o Brasil, no Concurso Internacional para Filmes Artísticos, realizado na Inglaterra, com o filme “Solidão” (que também foi exibido na França e na Itália).

Foi roteirista para as produções de cineastas da envergadura de Abilio Pereira de Almeida, Roberto Santos e Carlo Ponti.

Algumas de suas obras literárias foram adaptadas para a TV e o cinema.

Como fotógrafo artístico foi premiado em vários salões nacionais e também na Itália e Holanda.

Pintor e escultor, fez algumas exposições com sua “pintura dinâmica”, uma técnica de sua criação, constituída por diversos líquidos de cores variadas selados em compartimentos estanques transparentes e que formam padrões diferentes a cada interação.

Pintura dinamica - André Carneiro

Fez exposições de “Poesia Colagem”, técnica que usou para a composição de capas de livros de vários autores.

Escreveu dois livros sobre Hipnose, tendo participado de Congressos Internacionais de Parapsicologia com teses sobre essa matéria e trabalhado anos como analista  e hipnoterapeuta.

Jornalista, foi editor do conceituado jornal literário “Tentativa”, apresentado por Oswald de Andrade, onde colaboraram, na época, os maiores escritores nacionais, como Sérgio Milliet, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Vinícius de Morais entre outros.

Foi como contista e romancista de ficção científica que alcançou repercussão mundial. Suas obras foram traduzidas profissionalmente na Espanha, Argentina, França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica, Itália, bulgária, suécia, Japão etc.

Foi destaque da maior editora americana – a Editora Putnam – em uma antologia “os melhores do ano”, citado na capa como mestre internacional.

Também constou de uma antologia universitária americana ao lado de nomes como Solzhenitsyn, Rafael Alberti, Gabriela Mistral, Anton Chekhov, Behold Brecht, Tagore, D.H. Lawrence, Jacques Prévert, Cisneiros, Huxley, etc.

Seu romance “Piscina Livre”, traduzido na Suécia, alcançou sucesso crítico imediato.

A.E. Van Vogt (USA) o comparou a Kafka e Albert Camus.

Também Alcântara Silveira afirmou que conseguia a mesma “atmosfera” de Kafka de “A Metamorfose”.

“A Dictionary of Contemporary Brazilian Authors” afirma que escreve “a mais original F. C. do Brasil”.

Ganhou inúmeros prêmios nacionais como o “Machado de Assis”, do Estado da Guanabara, Melhor Livro do Ano, da Câmara Municipal de São Paulo, Prêmio “Alphonsus de Guimaraens, da Academia Mineira de Letras”, “Fundação Cultural de Brasília” e o “Prêmio Nacional Nestlé”, com o livro “Pássaros Florescem”, em Segunda edição pela Ed. Scipione.

Em 2001 criou um grupo de literatura em Curitiba, a Confraria, a exemplo do que realizou em São Paulo, e contribuiu para o florescimento da carreira literária de vários escritores – inclusive a desse articulista.

Por isso, para mim, extremamente difícil expressar em palavras a real dimensão dessa perda que representa o falecimento de André Carneiro.

É o vazio de uma clareira quando tomba na floresta sua maior árvore.

É o horizonte aviltado pelo espaço quando desapareceram os gigantes.

Difícil, tanto quanto expressar qual é a sua maior grandeza:

— como artista de múltiplas ferramentas que desafia e premia nossa inteligência e nossa sensibilidade com criações de refinada estética e de profundo conteúdo;

— ou como ser humano cuja genialidade se irmanou ao mais elevado senso de humanidade manifestado num otimismo, bom-humor e simpatia contagiantes.

Dotado de uma generosidade do tamanho de seu talento – a ponto de prodigalizar seu entendimento e semear por todos os seus caminhos no mundo o amor pela literatura e pela arte.

Uma elevação do nosso ponto de mirada, a chama inspiradora na arte criativa.

Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir conseguiu sentir e entender a que André Carneiro veio e sofre hoje o vazio dessa perda.

Mais que um gênio, o exemplo efetivo de que a maestria não precisa de holofotes para agir e revolucionar”.

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lançamento d'A Cor da tempestade - Lili, Musta, Andre e Cesar

FORTUNA CRÍTICA

SOBRE A POÉTICA DE ANDRE CARNEIRO

Poeta dos versos comoventes de “Ângulo e Face”. (Otto Maria Carpeaux)

Temos agora um verdadeiro poeta pela frente. (Lygia Fagundes Telles)

Seu livro estabelece visível a continuidade modelar do Modernismo numa renovada e luminosa expressão. (Oswald de Andrade)

…trata-se de uma página (de André Carneiro) que eu gostaria de ter escrito. (Stephan Spender – Inglaterra)

Poesia autêntica, sem ornatos inúteis, direta e bela. (Paschoal Carlos Magno)

Estes poemas bastariam para inserir André Carneiro entre as melhores expressões do modernismo. (José Geraldo Vieira)

A segurança com que maneja os vocábulos, por ele mesmo inventados denuncia o poeta. Stephen Spender, de visita a São Paulo, afirmou que assinaria gostosamente o poema “Água” (lido em tradução inglesa).

(Péricles Eugênio da Silva Ramos)

“Espaçopleno” é, em si mesmo, uma obra de arte, qualquer coisa como uma tradução tipográfica da poesia e nos remete ao clima intelectual de que os poemas de Mario Quintana são uma das expressões. Um dos melhores livros ultimamente publicados.(Wilson Martins)

Sensibilidade moderna e aguda, dotada de rica informação. Não raro o seu poder de comunicação chega a ser contundente, fere mais do que a sensibilidade à flor da pele. (Cassiano Ricardo)

Livro de autêntico poeta, desses que vencem pela riqueza e pelo vigor das primeiras palavras. (José Lins do Rego)

Um poeta que me comove e não perturba unicamente a minha inteligência. Um poeta de linhagem, de “pedigree”. Traz um acento pessoal que se caracteriza pela sinceridade.(Sérgio Milliet)

Um dos mais espontâneos e lúcidos líricos da geração nova. Seu livro é um dos mais belos publicados ultimamente no Brasil. (Menottl Del Picchia)

O homem que escreve coisas assim é evidentemente um poeta. Lírico ou sarcástico, tem no verbo o domínio da música e da pintura. (Agripino Grieco)

André Carneiro distila uma poesia meditada, de abordagem par vezes difícil, de uma sobriedade ligada a uma secura bem depurada, onde toda a emoção fácil é rigorosamente controlada, o que não é nada comum de ser encontrado em escritor brasileiro. É um dos dais maiores poetas vivos do seu país. (Bernard Lorraine  – “L’Amerique Latine en poesie”)

Conhecido como um dos poetas mais brilhantes de sua geração. (Bernard Goorden – Bélgica)

Terminologia poética com um atraente sabor técnico, praticamente uma inovação sua. (Domingos Carvalho da Silva)

A profunda sensibilidade do poeta tem marcante expressão por sua força e pureza. (Gaston Figueira – Uruguay)

Poesia extremamente rítmica, onde predominam as notas claras e as harmonias diurnas, sem aspereza e soturnidade. (Fausto Cunha)

Poesia de clareza equilibrada, objetiva, dentro de uma concepção estética rigorosa, voz personalíssima de um autêntico poeta. (Benedito Luz e Silva)

Amei nos seus poemas a pureza e o senso de escolha, a música e a arte natural na condensação dos temas. (Roger Bastide – França)

Nos seus poemas não há ídolos ocultos, nem sacrifícios, nem gestos desesperados. Você é dos que tem sabido Incorporar à vida o conteúdo da consciência. É grande conquista saber dominar os segredos da vida, ter a dignidade de ser uno. Isso faz o caráter e a sensibilidade dos seus poemas. (Carlos Burlamaqui Kopke)

André Carneiro dispõe dessa linguagem capaz de transmitir ao leitor, em sua pureza de origem, uma parcela de emoção do instante da criação poética e a sentimos como parte íntima da nossa experiência vivida. (Adalmir da Cunha Miranda)

André Carneiro dá aquela pintura e sentimento espontâneo do cotidiano valorizado por uma expressão mais humana, mas sentida e que dão a medida exata do poeta. (Rocha Filho)

Indiscutível poder de síntese. As palavras são de um valor essencial. No corpo do poema ganham como que uma nova força. “Hospital”, por exemplo é uma obra prima. (Antonio Paladino)

Incontestavelmente um grande livro e seu autor, André Carneiro, uma das vozes mais puras e um dos mais altos valores da nova geração de poetas paulistas. (A. Brant Ribeiro)

Um dos maiores valores da atual geração. (Hélio Pinto Ferreira)

O poeta enfileira na corrente mais arrojada da poesia modernista. “Colégio”, “Hospital”, são pequenos poemas dignos de um grande poeta. (Jorge Ramos – Portugal)

É lamentável que a poesia sóbria e humana de um poeta como André Carneiro passe desapercebida do grande público. “Ângulo e Face” encerra em suas poucas páginas uma deliciosa e purificada mensagem lírica, “feita de angústia e melancolia”. Poemas construídos de forma arquitetônica, num equilíbrio de verbalismo e emoção. (Ferreira Gullar)

André Carneiro é um poeta legítimo, cujo lirismo entra em perfeita sintonia com o nosso sentimento. (Lago Burnett)

André Carneiro revela uma experiência surpreendente e apossa-se do leitor com facilidade. (Mauro Mota)

Densidade poética e unidade espiritual rica em valores define a poesia de André Carneiro. (João de Souza Ferraz)

André Carneiro, una de las expressiones más vigorosas de la nueva poesia, es algo distinto en su país. Poesia contenida, sin concesion a la elocuencia vana. (Héctor P. Agosti  – Argentina)

Le rythme vif, aisé et tant joli, chante alertement aux oreilles françaises (Banville D ‘Hostel  -França)

Poeta consumado, domina bem os elementos essenciais da poesia, possui já sua linguagem poética pessoal, decantada de impurezas. (Almeida Fisher)

Dom de concisão admirável. Capacidade de ver a beleza nas coisas mais comuns. No poema “Água” o autor soube evocar uma riqueza de imagens, sugestões e emoções raras. (Ralph Edward Dimmick  – EUA)

Há essência em seus poemas, matéria para fecunda meditação Sente-se firmes as imagens e as idéias, refletindo sentimento voltado para o social e o humano. (Ney Guimarães)

“Ângulo e Face” possui uma fina qualidade poética. (Henriqueta Lisboa)

Sua forma, concisa e exata, firma um neo-classicismo sério e profundo, extraindo de correntes pregressas o que possuem de melhor, acrescentando uma contribuição personalíssima. O segredo consiste na concisão, no poder de síntese exata, acabada, estrutural, que deve mesmo constituir uma atitude anterior ao poema. (Eros Amaral de Souza)

Mais do que “uma esperança de asas soltas”, André Carneiro é uma altíssima realidade poética. (Oliveira Ribeira Neto)

Poemas que atingem um alto nível, em sua aparente secura, que não é mais do que uma intransigência com as formas gastas do lirismo. Nos seus versos André Carneiro traz em sua obra um importante contingente de renovação da nossa sensibilidade lírica. (Peregrino Júnior)

Sergio Milliet já me havia falado dos seus belos poemas, dos quais amei a pureza e seu senso de escolha das imagens e seu valor no conjunto. (Roger Bastide – França)

Já tem agora André Carneiro um nome em nossas letras poéticas contemporâneas. (Luiz Martins)

Um livro de verdadeira poesia aparecido nessa montoeira de papel impresso dos “novíssimos”. Entre os poetas novos do Brasil lhe está reservado o mesmo lugar de Sérgio Corazzini entre os renovadores da lira italiana ou de Vicente Gaos, na moderna geração de poetas espanhóis. (Silveira Bueno)

Sua contribuição para a poesia atual e a de todos os tempos, me parece substancial e duplamente valiosa. (Eros Amaral de Souza)

Na poesia notamos a ausência quase total de produções que mereçam elogios, ressalvando-se uma ou outra, como é o caso de André Carneiro.(Saldanha Coelho)

Sua poesia transfigura as coisas cotidianas. (Carlos Drummond de Andrade)

Como poeta André Carneiro é clássico e moderno. Poesia original e inovadora, concilia disciplina com rebelião e ousadia, impregnada pelo social. A-C- consegue a fusão entre uma poesia pura e impura e a poema mescla vários extratos temáticos, numa liberação que soube coexistir com a severa disciplina que nunca o abandonou. Sua linguagem se cristalizou e se adensou, opaca, misteriosa, plurissignificante, aberta para decodificações, a forma adquiriu grande complexidade. Aberto aos avanços científicos, o eu lírico do poeta está inserido na sociedade e no cosmos, e essa incorporação da ciência terra a sua obra inusitada na poesia brasileira. (Maria Lúcia Pinheiro Sampaio)

Poemas de uma plenitude e grande maturidade, de um classicismo intemporal que penetra o segredo das coisas e dos seres. Um classicismo que vai até o essencial do ser humano, poemas de uma dimensão ontológica. Eu digo “classicismo” porque é clássico o que não se pode “demoder”, aquilo que resiste ao uso implacável do Tempo. Uma obra “impressionant er épatant”, de todos as pontos de vista. (Bernard Lorraine – França)

Um poeta de excepcional ternura e riqueza expressiva. (Ricardi Saenz Hayes -Argentina)

Poesia cheia de virtualidades poéticas. Um misto de abstrato e de concreto dá aos seus poemas aquela mesma vida que se encontra em certos poemas de Elliot, não metafísicos – senão aparentemente – mas voltados para o mundo físico e presente. (Campos de Figueiredo  – Portugal)

Poesia enxuta, rica e vigorosa, André Carneiro se inscreve entre os melhores poetas do modernismo, o que se confirma neste seu novo livro. (Leonardo Arroyo)

No Brasil é mais conhecido como poeta, tendo ganho o Prêmio Nacional Nestlé de 1988. Sua obra poética foi tema de uma tese de mestrado “0 Estilo de André Carneiro”, feita pelo professor de literatura Osvaldo Duarte, aprovada com louvor na UNESP. (Carlos A. Mores)

André Carneiro, escritor, cineasta, fotógrafo, pintor, etc., é um artista capaz de exprimir os anseios do seu tempo. Como poeta é clássico e moderno, em busca de novos experimentos formais e temáticos. (Maria Lúcia Pinheiro Sampaio)

André Carneiro é um cientista da palavra, fazendo do ato poético, ponto alto do momento humano. Busca uma aproximação entre o conhecimento científico visto sob o domínio da linguagem poética. (Helenice da Silva Mendonça – Na tese “Arte e Ciência: na obra de André Carneiro” – Pós-graduação em Literatura – Universidade Federal de Vilhena – 1999)

André Carneiro é um dos dois maiores poetas vivos brasileiros. (Bernard Diez – França)

Conhecido como um dos poetas mais brilhantes de sua geração. (Bernard Goorden – Belgica)

O mais destacável na América Latina, onde Bioy Casares o segue de perto (Daniel Barbieri – Argentina)

Entre as estréias dos últimos quinze anos, a sua me parece a mais significativa. (Murilo Mendes)

Terminologia poética com um atraente sabor técnico, praticamente uma inovação sua. (Domingos Carvalho da Silva)

A profunda sensibilidade do poeta tem marcante expressão por sua força e pureza. (Gaston Figueira – Uruguai)

Poesia extremamente rítmica onde predominam as notas claras e as harmonias diurnas, sem aspereza e soturnidade. (Fausto Cunha)

Poesia de clareza equilibrada, objetiva, dentro de uma concepção estética rigorosa, voz personalíssima de um autêntico poeta. (Benedito Luz e Silva)

Sem margem de dúvida, minha vida divide-se em dois grandes polos, um antes de conhecer André Carneiro e sua obra e o outro, o que vem depois. Magnífico criador na poesia brasileira, mergulha rumo aos horizontes internacionais. (Fátima Francisca Azevedo Bodanese  – Na tese de conclusão da Pós-Graduação em Literatura na Universidade Federal de Rondônia – 1.999)

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SOBRE A PROSA DE ANDRÉ CARNEIRO

André Carneiro é, sem contestação, o autor de FC de mais prestígio em seu país. Artista polivalente, brilhante e reconhecido poeta, sua obra vem sendo publicada na Argentina, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Espanha, Inglaterra, Portugal, Estados Unidos,(onde, em uma antologia universitária, saiu ao lado de escritores como Chekov, Brecht, Huxley, Lawrence), Japão, Suécia etc. Pintor, Fotógrafo Artístico, Pesquisador científico em Hipnose e Parapsicologia (com dois livros publicados). (Bernard Goorden –   Bélgica)

“Darkness” não só é um dos maiores trabalhos escritos na ficção científica, mas também da literatura mundial. Não apenas FC de ação superficial, mas literatura no seu melhor sentido. A.C. merece a mesma audiência de um Kafka ou Albert Camus. –  (A.E. Van Vogt – Unidos)

Autor de contos excelentes. Seu livro “Introdução ao estudo da F.C.” é a melhor sobre o assunto escrita até hoje, infelizmente ainda não traduzida para o inglês.  (Harry Harrison – Estados Unidos)

“Piscina Livre ” é um grande romance. Fico feliz dele ter sido publicado na Suécia. (Sam J. Lundwall – Suécia)

André Carneiro é um autor de quem se pode dizer que deu o salto internacional. Publicado em volume OS MELHORES DO ANO (Editora Putnam, USA) ao lado de verdadeiras sumidades da Ficção Científica. Poeta e ensaísta, estudioso de assuntos científicos, sua ficção se coloca na linha evolutiva, avança para a consideração dos problemas humanos sob o “choque do futuro”. (Fausto Cunha – Brasil)

“Darkness” é um conto clássico da ficção científica contemporânea. Leo L. Barrow (Prof. Literatura, University of Arizona, Estados Unidos)

Não sinto receio nenhum em afirmar que A.C. é um dos nossos melhores contistas, um artista maduro e em plena posse de todos os seus recursos. (Benedito Luz e Silva – Brasil)

Em contos em que o terror e o suspense dominam o leitor, como em “Começo do fim” e “A Escuridão”, a atmosfera nos leva a pensar no Kafka de “O Processo” e da ” A Metamorfose”. (Alcantara Silveira – Brasil) (Opinão anterior a de A.E. Van Vogt)

A picante ironia em alguns contos de André Carneiro denota que são redigidos com “humor” aparentado ao de um Sterne ou Swift. (Alvaro Augusto Lopes – Brasil)

“Diário da Nave Perdida” mostra a que nível de qualidade artística pode chegar a F.C. quando tratada por um verdadeiro autor, seriamente preocupado com as reações humanas e as qualidades literárias de suas histórias. Clovis Garcia (Brasil)

Observa-se que a impressão e o fascínio das histórias de André Carneiro, decorrem precisamente da aliança de um fantasista e um pensador, um poeta a um analista sutil. (Leonardo Arroyo – Brasil)

Sensibilidade moderna e aguda, dotada de rica informação. Não raro o seu poder de comunicação chega a ser contundente, fere mais do que a sensibilidade à flor da pele. (Cassiano Ricardo – Brasil)

André Carneiro é o mais talentoso autor de Science Fiction de toda a América Latina. (Hermes O. Gosso – Argentina)

Em “Piscina Livre” exercita de maneira brilhante sua originalidade de ficcionista. (Carlos Drummond de Andrade)

“Amorquia” é uma obra que discute com profundidade e critica a relação humana, suas angústias ante a morte e o tempo, a amor, a amizade, a arte e a censura, a fantasia e a realidade. (Carlos Alberto Rosa)

“Amorquia” demonstra ser A.C. o melhor autor de F.C. brasileiro, nada ficando a dever aos mais famosos do exterior. (José Afrânio Moreira Duarte – Brasil)

André Carneiro é o melhor autor de literatura fantástica da América Latina. (Augusto Uribe – Espanha)

Domínio admirável do estilo, idéias humanistas e um enfoque original. É o mais destacado escritor latino-americano de ficção científica. Bioy Casares o segue de perto, mas com desvantagem, porque, ainda que tente evitar, é um fazendeiro e pensa como tal. (Daniel Barbieri – Argentina)

PRINCIPAIS LIVROS PUBLICADOS

ÂNGULO E FACE – poesia – Edart – SP – 1949

DlÁRI0 DA NAVE PERDIDA – contos – Edart – SP – 1963

ESPAÇOPLENO – poesia – Clube de Poesia – SP – 1963

0 HOMEM QUE ADIVINHAVA – contos – Edart – SP – 1966

0 MUNDO MISTERIOSO DO HIPNOTISMO – ensaio – Edart – SP – 1963

lNTR0DUÇÃ0 AO ESTUDO DA SCIENCE-FICTION – ensaio – Conselho Estadual de Cultura – SP -1967

MANUAL DE HIPNOSE – ensaio – Ed. Resenha Universitária – SP – 1978

PISCINA LIVRE – romance – Editora Moderna – SP – 1980

VÄNERSBORGS BOKTRYCKERI (PISCINA LIVRE) – romance – Delta Förlags -Suécia – 1980

PÁSSAROS FLORESCEM – poesia – Ed. Scipione – SP – 1988

AMORQUIA – Romance – Ed. Aleph – SP – 1991

A MÁQUINA DE HYERONIMUS – contos – Universidade Federal de São Carlos -1997

BIRDS FLOWER – poesia – Tradução de Leo L. Barrow – Las Arenas Press – USA – 1998

CONFISSÕES DO INEXPLICÁVEL – Contos – Editora Devir, Brasil – 2007

TEOREMA DAS LETRAS – Contos – Editora Devir – no prelo.

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oficina 2010 01

Artigo de Mustafá Ali Kanso 

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[Leia os outros artigos  de Mustafá Ali Kanso  publicado semanalmente aqui no Hypescience. Comente também no FACEBOOK – Mustafá Ibn Ali Kanso ]

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LEIA A SINOPSE DO LIVRO A COR DA TEMPESTADE DE Mustafá Ali Kanso

[O LIVRO ENCONTRA-SE À VENDA NAS LIVRARIAS CURITIBA E SPACE CASTLE BOOKSTORE].

Ciência, ficção científica, valores morais, história e uma dose generosa de romantismo – eis a receita de sucesso de A Cor da Tempestade.

Trata-se de uma coletânea de contos do escritor e professor paranaense Mustafá Ali Kanso (premiado em 2004 com o primeiro lugar pelo conto “Propriedade Intelectual” e o sexto lugar pelo conto “A Teoria” (Singularis Verita) no II Concurso Nacional de Contos promovido pela revista Scarium).

Publicado em 2011 pela Editora Multifoco, A Cor da Tempestade já está em sua 2ª edição – tendo sido a obra mais vendida no MEGACON 2014 (encontro da comunidade nerd, geek, otaku, de ficção científica, fantasia e terror fantástico) ocorrido em 5 de julho, na cidade de Curitiba.

Entre os contos publicados nessa coletânea destacam-se: “Herdeiro dos Ventos” e “Uma carta para Guinevere” que juntamente com obras de Clarice Lispector foram, em 2010, tópicos de abordagem literária do tema “Love and its Disorders” no “4th International Congress of Fundamental Psychopathology.”

Prefaciada pelo renomado escritor e cineasta brasileiro André Carneiro, esta obra não é apenas fruto da imaginação fértil do autor, trata-se também de uma mostra do ser humano em suas várias faces; uma viagem que permeia dois mundos surreais e desconhecidos – aquele que há dentro e o que há fora de nós.

Em sua obra, Mustafá Ali Kanso contempla o leitor com uma literatura de linguagem simples e acessível a todos os públicos.

É possível sentir-se como um espectador numa sala reservada, testemunha ocular de algo maravilhoso e até mesmo uma personagem parte do enredo.

A ficção mistura-se com a realidade rotineira de modo que o improvável parece perfeitamente possível.

Ao leitor um conselho: ao abrir as páginas deste livro, esteja atento a todo e qualquer detalhe; você irá se surpreender ao descobrir o significado da cor da tempestade.

[Sinospse escrita por Núrya Ramos  em seu blogue Oráculo de Cassandra]

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4 comentários

  • Marcos-DF2:

    Não conheço muito a obra de André Carneiro mas pelo relato do Mustafá, foi realmente uma grande perda para todos. Descanse em Paz 🙂

  • PAULO DE TARSO:

    FUI “ABDUZIDO” PELA FICÇÃO CIENTIFICA AOS 9 ANOS DE IDADE LENDO OS
    CONTOS DE ANDRÉ CARNEIRO. MAGNIFICA HOMENAGEM!

  • Sylvio Deutsch:

    Puxa Mustafá, um artigo tão bom pra dar essa notícia tão triste! Pêsames pra todos nós…

  • Ronie Weslei Muller:

    Ficamos órfãos, perdemos nosso mestre.

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