Aquecimento global: o mundo está esquentando mais rápido do que pensávamos

Por , em 9.10.2014

Cientistas podem ter subestimado muito a extensão do aquecimento global, porque as leituras de temperatura de mares do hemisfério sul eram imprecisas.

De acordo com um estudo publicado na revista “Nature Climate Change”, as comparações de medições diretas com dados de satélite e modelos climáticos sugerem que os oceanos do hemisfério sul têm sugado mais do que o dobro do calor aprisionado pelos nossos excesso de gases de efeito estufa do que o previamente calculado. Isto significa que podemos ter subestimado o quanto o nosso planeta tem se aquecido.

Paul Durack, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, e seus colegas compararam as medições de temperatura do mar diretas e inferidas com os resultados dos modelos climáticos. Enquanto estes três tipos de medidas em conjunto sugerem que nossas estimativas de aquecimento do hemisfério norte oceano estão certas, a história é outra quando descemos um pouco mais no mapa.

A equipe estima que a extensão do aquecimento nos oceanos do hemisfério sul desde 1970 poderia ser mais do que o dobro do que foi inferido a partir das medições diretas limitadas que temos para essa região. Isto significa que, em conjunto, todos os oceanos do mundo estão absorvendo entre 24 e 58% mais energia do que foi previamente estimado por medições diretas in situ.

“A implicação é que o desequilíbrio energético – o aquecimento líquido da terra – teria que ser maior”, explica Wenju Cai, da Organização Comunitária de Pesquisa Científica e Industrial (CSIRO), em Melbourne, Austrália.

Segundo Durack, já haviam suspeitas que as estimativas do aquecimento do oceano do hemisfério Sul eram tendencialmente baixas. “Nosso estudo é o primeiro a tentar quantificar a magnitude do que é esta subestimação comumente reconhecida, usando o máximo de informação que está disponível”.

O estudo abrange o período de 1970 a 2003. Cai diz que, durante esse tempo, enquanto amostras do hemisfério norte tem sido colhidas por navios e projetos liderados pelos países ricos ao norte da linha do equador, muito poucas medidas diretas foram feitas no sul. Portanto, não é surpreendente que as medições in situ estivessem erradas. “Mas isso é enorme”, afirma Cai.

“Pode-se dizer que o aquecimento global é o aquecimento do oceano”, escrevem Gregory Johnson e John Lyman, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos, em um comentário que acompanha o artigo de Durack. “Quantificar o quão rápido e onde os oceanos estão aquecendo é vital para entender o quanto e quão rápido o clima vai esquentar e os mares vão subir”.

Desde aproximadamente 2000, uma rede de boias chamadas flutuadores Argo têm colhido dados globais mais precisos dos oceanos, portanto as medições mais recentes do hemisfério sul são mais confiáveis​​. [New Scientist, Gizmodo, Science Daily]

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