As previsões para 2020 estavam terrivelmente erradas

Por , em 3.01.2020

Ao longo da história, diversos cientistas e futurólogos fizeram previsões muitas vezes certeiras para os anos que vinham. Para 2020, no entanto, se enganaram terrivelmente.

Os avanços tecnológicos têm acontecido em um ritmo até que rápido. Mas, alcançando a terceira década do século 21, onde pensamos que estaríamos?

De acordo com alguns especialistas, sendo conduzidos por macacos choferes, passeando em Plutão e tendo nossas roupas lavadas por robôs. Creio que não é preciso avisar que não estamos nem perto disso.

Confira algumas das previsões furadas para 2020:

Revolução robótica

A preocupação de que os robôs tomariam todos os nossos empregos não é nova. “Futuristas e especialistas em tecnologia dizem que robôs e inteligência artificial de vários tipos se tornarão parte aceita da vida cotidiana até 2020 e assumirão quase completamente o trabalho físico”, observou um artigo da Universidade Elon em 2006.

Já o futurologista britânico Ian Pearson previu ao jornal Observer, do Reino Unido, em 2005: “É minha conclusão que é possível criar um computador consciente com níveis de inteligência sobre-humanos antes de 2020. Definitivamente teria emoções. Se estou em um avião, quero que o computador tenha mais medo de cair do que eu, de modo que faz de tudo para ficar no ar”.

Bom, os robôs ainda não estão tão inteligentes e emocionais assim. O próprio Pearson confessou à CNN recentemente que as coisas não avançaram tão rápido quanto ele pensava.

“A IA estava se desenvolvendo muito rapidamente no início do século, então tínhamos previsões de que até 2015 teríamos máquinas conscientes mais inteligentes que as pessoas. Houve uma grande recessão e isso atrasou um pouco as coisas”, disse. “Eu estimaria que a IA provavelmente progrediu cerca de 35 ou 40% mais lentamente do que esperávamos”.

Já a questão trabalhista é um pouco mais complexa. Robôs ainda não tomaram todos os empregos possíveis do mundo, mas já existem algumas fábricas totalmente robotizadas. O MIT Technology Review fez uma busca de artigos sobre o efeito da automação na força de trabalho que sugeriu desde um deslocamento moderado de empregos até uma automação total da força de trabalho, com graus variados de preocupação.

Dispositivos implantáveis e outras tecnologias

Outra previsão de Pearson, feita em 2009, é de que já estaríamos usando eletrônicos implantados em nossos corpos para monitorar nossa saúde.

O dispositivo também poderia “registrar sinais a partir de nossos nervos e talvez os ‘injetar’ na nossa pele novamente em uma data posterior”, por exemplo, reproduzindo com eficácia a sensação de abraçar seu parceiro quando você estivesse longe.

Apesar de tal eletrônico não existir ainda, Pearson disse à CNN que não é uma tecnologia difícil de criar. “Pudemos ver como fazer isso há quase 20 anos, mas não aconteceu porque poucos engenheiros ou empresas decidiram se aprofundar nessas áreas”, afirmou.

O futurista disse ainda que cerca de 85% de suas previsões se tornam realidade, citando mensagens de texto e o domínio das mídias sociais entre seus melhores palpites.

Já o futurista Ray Kurzweil previu em 2000 que os computadores seriam “praticamente invisíveis” e “embutidos em todos os lugares – paredes, mesas, cadeiras, mesas, roupas, joias e corpos” até 2020.

Ele foi um dos poucos especialistas a prever a existência de óculos inteligentes ou lentes de contato que substituíssem telefones. De fato, o Google fez uma tentativa nessa direção, mas o produto não pegou.

Alimentação

Kurzweil também previu em diversas ocasiões que o consumo de alimentos acabaria até 2020.

“Bilhões de nanobots minúsculos no trato digestivo e na corrente sanguínea poderiam extrair inteligentemente os nutrientes de que precisamos”, escreveu em seu livro Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever (Rodale Books, 2004).

Não colou – seres humanos ainda amam mastigar e comer.

Uma outra previsão sobre nosso consumo de alimentos está mais perto da realidade, no entanto: em uma edição de 1913 do jornal New York Times, o então presidente da agora extinta American Meat Packers Association, uma associação da indústria da carne, publicou um artigo intitulado “Ameaçando-nos com o vegetarianismo”.

O texto alertava sobre “um futuro sombrio” no qual os americanos renunciavam à carne e começavam a viver de “arroz e legumes” no século 21. Essa perspectiva só poderia ser evitada “educando o fazendeiro americano sobre a necessidade de criar mais gado”.

Realmente, o vegetarianismo e o veganismo estão se tornando cada vez mais populares em vários países. A comunidade científica tem colaborado com essa tendência ao informar o público sobre o impacto da carne na crise climática.

Votos e assinaturas

Peter Schwartz e Peter Leyden previram em um artigo no portal Wired de 1997 que as pessoas poderiam votar para as eleições a partir de suas casas. É, não.

E Eric Haseltine escreveu na revista Discover em 2000 que assinaturas escritas seriam “consideradas pitorescas” até 2020, substituídas por identificações biométricas, incluindo íris, impressões digitais e sistemas de reconhecimento de voz. Smartphones de fato usam todas essas tecnologias, mas assinaturas ainda não foram totalmente substituídas.

Na mesma revista, Joseph D’Agnese previu que não poderíamos embarcar em um avião ou acessar nossas casas sem lasers medindo nossas írises nos dias de hoje. E Marvin Minsky, fundador do Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, EUA), estimou a existência de um mercado negro de manipulação genética no qual as pessoas poderiam comprar procedimentos que estendessem suas vidas e dessem “características novas para seu cérebro” ilegalmente.

Turismo espacial

Essa é velha: férias no espaço são previstas constantemente há décadas. Não estamos passando temporadas em hotéis na lua ou em Marte ainda, no entanto.

“Em 2020, você verá cidadãos circunvagando a lua”, disse Eric Anderson, da Space Adventures, ao Space.com em 2009. No mesmo site, Elon Musk, fundador da SpaceX, disse que “até 2020 haverá planos sérios para ir a Marte com pessoas”.

Não que o turismo espacial não tenha avançado, mas esses planos ainda não se concretizaram. Sete pessoas pagaram para ir para o espaço durante a primeira década do século XXI, mas seus voos turísticos orbitais foram adiados.

“Naquela época, era sempre ‘no próximo ano, no próximo ano'”, disse o jornalista Jim Clash, que comprou uma passagem de US$ 200.000 em um voo da Virgin Galactic em 2010. “Eu achava que, em 2020, estaríamos executando isso como uma operação regular”.

Ainda não aconteceu, mas talvez essa decolagem não demore tanto assim – a SpaceX revelou em 2018 que o bilionário japonês Yusaku Maezawa será seu primeiro turista espacial, com uma viagem para a lua marcada para 2023.

Um mundo completamente diferente

No quesito previsões, ninguém errou tanto quanto os 82 especialistas de diversos campos que foram convidados a apresentar previsões para os nossos tempos pela RAND Corporation em 1964.

Segundo o relatório, estaríamos nos comunicando com extraterrestres e viajando no tempo agora. Também viveríamos até os 150 anos, e Marte seria um destino turístico carne de vaca, frequentado desde meados da década de 1980. Vênus e as luas de Júpiter seriam o hype do início do século XXI. Chegaríamos até em Plutão, que naquela época ainda era um planeta. Além disso, formas primitivas de vida artificial seriam criadas em laboratório, uma linguagem universal teria sido desenvolvida, e a mineração e fabricação de materiais propulsores na lua seria comum.

A mais assustadora reivindicação desse relatório, contudo, é de que teríamos animais como macacos criados para realizar tarefas domésticas até 2020. Três anos depois, o químico vencedor do Prêmio Nobel Glenn T. Seaborg comentou em Washington DC (EUA) que “durante o século 21, as casas que não têm um robô no armário poderiam ter um macaco vivo para fazer as tarefas de limpeza e jardinagem. Além disso, o uso de macacos bem treinados como motoristas pode diminuir o número de acidentes de automóvel”.

Não sei nem o que dizer sobre a ideia de transformar belos e dignos animais em choferes, apenas que felizmente essa previsão foi a maior furada.

Ao que tudo indica, 2020 não se parecerá com o que muitos pensavam alguns anos atrás, mas o futuro não é nada se não imprevisível, não é mesmo? [CNN]

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2 comentários

  • Bruno Cesar Cerqueira:

    Macacos dirigindo? Nesse ponto eles tinham razão. Macacos não bebem nem usam celular. Então provavelmente dirigiriam muito melhor que muito motorista humano.

  • Renato Luis:

    O futuro não é mais como era antigamente…rs

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