Barriga de aluguel altera o DNA do bebê

Por , em 27.09.2015

Um estudo publicado na revista científica Development descobriu que a gestante é capaz de modificar a genética do seu futuro filho, mesmo quando o óvulo é doado, ou seja, quando veio de outra mulher.

A pesquisa foi liderada por cientistas do grupo espanhol Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), Felipe Vilella e Carlos Simón, e demonstra pela primeira vez a influência do ambiente intrauterino sobre o desenvolvimento genético do embrião, inclusive em casos de óvulos doados.

Os resultados sugerem que a comunicação entre gestante e embrião exerce influência e pode modificar o código genético do futuro bebê.

Implicações

Segundo os pesquisadores, essa descoberta que muda por completo o paradigma da doação de óvulos e barriga de aluguel.

Por um lado, o fato de influenciar na gestação pode proporcionar mais tranquilidade para as mulheres que necessitam contar com óvulos doados para realizar o sonho de ter filhos.

Por outro, alerta sobre a importância de ter informações suficientes sobre a gestante nos casos em que os pais precisam escolher uma barriga de aluguel. No Brasil, isso é permitido apenas de forma voluntária e feito por um membro da família do casal até quarto grau.

“Esta descoberta prova que existe intercâmbio entre gestante e embrião, algo que já suspeitávamos pela coincidência de algumas características físicas entre mães e filhos de tratamentos de reprodução humana com óvulos doados, bem como pela incidência de patologias dessas crianças relacionadas com circunstâncias da gestante, como obesidade e tabagismo”, explica Felipe Vilella, um dos autores da pesquisa.

O estudo

Segundo os pesquisadores, microRNAs maternos podem atuar como modificadores do embrião pré-implantação. Perfis revelaram que seis dos 27 microRNAs maternos específicos foram diferencialmente expressos no epitélio endometrial humano durante a janela de implantação de um embrião, e liberados para o líquido endometrial, que por sua vez alimenta o feto.

O estudo descobriu que determinadas condições a que as mulheres são submetidas durante a gestação acabam modificando suas células e consequentemente o endométrio, que é a via de comunicação entre a gestante e o bebê.

Estas modificações fazem com que o líquido endometrial altere também sua composição, que quando recebida pelo embrião modifica seu desenvolvimento.

“Esta comunicação pode fazer com que o embrião expresse ou iniba funções específicas, provocando mudanças que podem levar à transmissão de doenças como diabetes e obesidade”, disse a Dra. Silvana Chedid em um comunicado, diretora da Clínica IVI São Paulo.

Evitar riscos

O que o novo estudo mostrou é que existe uma forma de evitar doenças quando sua causa é epigenética, ou seja, uma consequência do ambiente onde se desenvolve o embrião.

Sabendo que existe o risco de transmissão, as pessoas podem tomar providências para impedi-lo.

O Instituto Valenciano de Infertilidade conta com uma Fundação e um programa universitário, e possui mais de 40 clínicas em 10 países, incluindo duas no Brasil, em Salvador e em São Paulo. [Development]

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