Beijos são um sinal universal de amor, certo? Errado!

Por , em 21.07.2015

O beijo já foi irrestritamente representado na arte ocidental, na literatura, cinema e televisão como um dos principais componentes da demonstração de atração entre as pessoas. Na vida real, o primeiro beijo é frequentemente visto como o trampolim entre a mera atração e o reconhecimento mútuo – a ponte que atravessa o fosso entre o desejo e a ação por ambas as partes envolvidas. Mas agora, uma equipe de pesquisadores das Universidades de Nevada e Indiana (Estados Unidos) descobriu que o beijo romântico não é tão onipresente no mundo como muitos pensavam. Na verdade, o beijo pode ocorrer em menos de metade das culturas presentes na Terra.

Notando que muito pouca pesquisa foi feita sobre o tema, os cientistas se voltaram a duas grandes fontes de informação: a Amostra de Cruzamento Cultural Padrão e os Arquivos Eletrônicos de Relações Humanas das Culturas Mundiais. Entre os dois, eles recolheram dados sobre 168 diferentes culturas da Ásia, África, América Central, Europa, Caribe, América do Norte, Oriente Médio, América do Sul e Oceania. Eles também entrevistaram etnógrafos.

A história do Beijo

Ao peneirar os dados, os pesquisadores descobriram que apenas 46% das culturas estão envolvidas com o beijo romântico e que o número de culturas em uma determinada região que pratica o beijo romântico varia. Todas as culturas no Oriente Médio, por exemplo, beijam, enquanto nenhuma na América Central pode dizer o mesmo. A equipe também descobriu que o grau de complexidade social parece estar ligado ao ato de beijar – quanto mais complexo, mais beijos.

Os números da equipe estão em forte contraste com resultados anteriores que sugeriam que o beijo ocorria em até 90% das culturas – uma pesquisa chegou a sugerir que o beijo surgiu como uma maneira das pessoas avaliarem a compatibilidade biológica ou como um meio de troca de biomas do intestino para melhorar a imunidade.

A equipe também descobriu que as sociedades de caçadores-coletores modernos tendiam a não beijar (um grupo considerado bruto), o que, segundo eles, provavelmente indica que os primeiros seres humanos não beijavam. Assim, o beijo romântico é provavelmente uma invenção relativamente moderna. Eles concluem sugerindo que o beijo parece ser um produto da sociedade ocidental, uma prática transmitida através de várias gerações. [Phys.org]

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