Como um programa de computador revelou o pseudônimo de J. K. Rowling

Por , em 18.07.2013

The Cuckoo’s Calling (publicado pela Little, Brown, ainda sem edição no Brasil) é um romance policial do autor Robert Gailbraith que acabou sendo resolvido de maneira brilhante.

Recentemente, o jornal britânico The Times descobriu que o livro foi na verdade escrito por J. K. Rowling, a autora de Harry Potter. Depois desse flagra, Rowling admitiu ter criado a trama.

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Entre as provas apresentadas pelo The Times de que Rowling era a mente por trás de The Cuckoo’s Calling, estavam as análises de dois professores universitários que desenvolveram programas de computador para descobrir a autoria de textos contestados.

Todo escritor tem seus hábitos. Um exemplo óbvio é o uso de palavras regionais (por exemplo, um gaúcho poderia usar o termo “guri” ou “guria”, em vez de “menino” e “menina”), mas outros costumes são muito mais sutis e inconscientes – nós podemos não percebê-los, mas programas de computadores podem detectá-los.

Desmascarada

O The Times recebeu uma denúncia anônima que Rowling podia ser a verdadeira autora do livro. O repórter do Times Alexi Mostrous procurou então os analistas, mas não deixou que os professores soubessem por que ele queria que The Cuckoo’s Calling fosse comparado a vários outros romances.

Um dos analisadores, Patrick Juola da Universidade de Duquesne em Pittsburgh (EUA), comparou uma cópia digital do livro a romances de Rowling e de três outros autores bem conhecidos de romances de mistério.

Entre as análises feitas, Juola observou:

  • A distribuição de comprimentos das palavras em cada livro. Ou seja, “X por cento das palavras deste livro têm tantas letras”, e assim por diante;
  • As 100 palavras mais comuns em cada livro;
  • Pares de palavras que apareceram muitas vezes juntos;
  • Grupos de quatro caracteres que apareceram em sequência. Quaisquer quatro caracteres podem fazer uma sequência, incluindo letras, espaços e sinais gramaticais. Poucos escritores pensam sobre sequência de caracteres em suas obras, mas Juola disse que estudos têm demonstrado que essas sequências de quatro caracteres, chamadas de quatro gramas, são fortes indicadores de autoria.

A análise global de Juola não é capaz de provar autoria. Alguns dos testes feitos por ele determinaram que outro autor, e não Rowling, era a aposta mais segura. No entanto, mais resultados indicaram a idealizadora do bruxo adolescente como a autora do romance, de forma que essa era a conclusão mais consistente.

Juola chamou seu trabalho de “sugestivo” ou “indicativo” de que Rowling escreveu The Cuckoo’s Calling, e o jornal acabou conseguindo a confissão da autora.

O assunto é interessante porque linguistas usam ferramentas como a de Juola para determinar quem realmente escreveu alguma coisa, de textos históricos de autores mortos há muito tempo a documentos contestados em processos judiciais modernos. É bom saber que os programas estão, pelo menos, no caminho certo. [POPSCI]

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7 comentários

  • Eduardo Araújo:

    Realmente todo artista deixa uma assinatura, consciente ou inconscientemente, em sua obra. Isto é notório e utilizado há muito para autenticar quadros, gravuras, escritos, etc.
    A acuidade de um verdadeiro perito é espantosa. O grande problema com o desenvolvimento de um programa de computador que desenvolva a mesma função é passar o entendimento do que é “espírito da arte”. Os peritos também são artista: artistas em reconhecer impressões inconscientes em obras de arte. Até mesmo foram capazes de identificar obras que não conheciam e atribuí-las corretamente `a pessoas que nunca pensaríamos: ex. As pinturas de Hitler.
    Assim, enquanto não somos capazes de descrevermos com precisão o que é arte e o que não o é para nós mesmos, os humanos, fica ainda mais difícil definir para as “máquinas”.

  • claudiohagra:

    A palavra “Reponder” está errada, o certo é “Responder”, acredito que foi erro de digitação porque a equipe é competente!

  • Vinicius Dantas:

    Pergunto-me o quanto esses programas funcionariam com Fernando Pessoa…

  • Cesar Grossmann:

    O livro se tornou um best-seller depois da descoberta…

    • Gabriel Cruz:

      Possa que tenha sido apenas uma jogada de marketing…

    • Felippe Viana:

      E talvez seja por isso que ela se mascarou: pra que o Harry Potter não interferisse e também desviar o público alvo do livro no caso deste ser mais adulto.

    • Dinho01:

      Isto está parecendo mesmo uma jogada de marketing.O primeiro livro que ela lançou após Harry Potter foi “Morte Súbita (The casual Vacancy) direcionado ao público adulto. Por que esconder a autoria desse? Só se ela achou que o livro era uma porcaria.

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