Bill Gates revela as maiores ameaças à saúde pública global dos próximos 10 anos

A Bill & Melinda Gates Foundation acaba de publicar o primeiro relatório Goalkeepers, que deve ser divulgado anualmente até 2030. Nele podemos encontrar informações sobre quais ações são eficazes na saúde pública global e quais não estão sendo muito eficientes e devem ser modificadas.

“Por anos, temos ouvido pessoas questionando se investimentos na luta contra a pobreza global têm um impacto. Claramente, acreditamos que sim”, diz a abertura do relatório. O objetivo da fundação é melhorar a eficácia dos investimentos.

“Investimos todos os nossos recursos nessa luta. Mas isso não significa que todo dólar investido em desenvolvimento tem o maior impacto possível. E este deve ser nosso objetivo”, afirma o casal.

O casal alerta que países ricos não devem deixar de ajudar os países mais pobres, e que os países necessitados devem priorizar a qualidade de vida de seus cidadãos mais pobres. O final da década de 2010, porém, mostra uma retração na ajuda de países ricos, como os EUA, que cortaram drasticamente o orçamento para ajuda externa no governo do presidente Donald Trump.

Confira no relatório gráficos sobres as 15 áreas da saúde pública estabelecidos como fundamentais pela ONU em 2015, como mortalidade infantil, mortalidade materna, taxa de infecção por HIV, planejamento familiar e igualdade entre mulheres e homens.

“As decisões que tomamos coletivamente nos próximos dois anos vão ter um grande impacto nesses gráficos. Claro que o que realmente importa não são os gráficos. O que importa é o que essas curvas significam: se milhões ou até bilhões de pessoas vão superar doenças, se erguer da pobreza extrema, e alcançar seu potencial”, concluem Bill e Melinda na carta de apresentação do relatório.

15. Mortalidade infantil


Este é o gráfico favorito de Melinda Gates. “Há tanta coisa escondida nesse número. Mortalidade infantil é um indicativo da qualidade de vida geral; é um indicador de progresso”, afirma ela.
O gráfico mostra o número global de mortes de crianças com menos de cinco anos (em milhões), e o objetivo que a organização pretende alcançar em 2030 (ponto amarelo).

14. Mortalidade materna


“Se você estiver tentando encontrar uma forma eficaz de devastar comunidades e colocar crianças em perigo, você inventaria a mortalidade materna”, diz o casal. A boa notícia é que há soluções simples, como levar as mães para hospitais ao invés de fazer o parto em casa. “A mortalidade infantil caiu pela metade em apenas oito anos. Já a mortalidade materna é uma história diferente”, diz Kesete Admasu, CEO da Roll Back Malaria Partnership.

13. Planejamento familiar


“A melhor forma de descrever a importância do planejamento familiar é essa: atingir este objetivo torna mais possível que todos os outros objetivos sejam alcançados”, afirmam Bill e Melinda.

Quando as mulheres conseguem planejar suas gestações, caem a mortalidade materna e infantil, índices de educação melhoram, assim como a igualdade entre os gêneros.

12. HIV


Começando no ano 2000, o mundo fez enormes investimentos para lidar com a crise do HIV. Podemos ver o resultado em 2016, mas se esses investimentos em pesquisa não forem mantidos, o problema pode voltar a crescer. “Um corte de 10% no investimento para o tratamento do HIV poderia custar a vida de 5,6 pessoas a mais”, alerta Bill Gates.

11. Serviços financeiros para os pobres


A pobreza não é apenas a falta de dinheiro, mas também a falta de acesso a serviços básicos financeiros que ajudem os pobres a administrar melhor a pequena quantidade de dinheiro que eles têm. Alguns desses serviços são bancos e sistema de crédito e seguro.

10. Nanismo


“O nanismo é um dos indicadores mais poderosos e complexos da saúde global”, apontam Bill e Melinda. Crianças com nanismo são mais baixas do que deveriam ser para a idade. A altura dessas crianças não é o que mais importa aqui, mas sim o que está por trás disso: a desnutrição crônica e pobreza.

9. Pobreza


Este gráfico mostra a queda constante na pobreza global, causada principalmente pelo crescimento rápido da China e da Índia.

8. Mortalidade neonatal


Quase metade de todas as mortes entre crianças acontece nos primeiros 28 dias de vida. Recém-nascidos tendem a morrer de causas diferentes quando comparadas a crianças mais velhas, por isso esta categoria está separada da “mortalidade infantil”.

Para diminuir esses índices há soluções simples, como encorajar a amamentação e garantir que as mães tenham acesso a informações de como cuidar corretamente dos bebês e que os bebês tenham acesso à cuidados profissionais de qualidade caso precisem.

7. Tuberculose


Desde o início do milênio, há um grande investimento para lutar contra a tuberculose, especialmente via Global Fund. Mas a taxa anual de redução da doença não é o suficiente para atingir a meta. “Estamos otimistas de que novas ferramentas, incluindo uma vacina, estarão disponíveis na próxima década”, diz o casal.

6. Malária


Morte por malária caiu 60% entre 2000 e 2015. O desenvolvimento e disponibilização de mosquiteiros para camas tratados com inseticida e a melhoria de medicação para a doença.

O gráfico mostra uma projeção sem inovação, mas a fundação espera que novas ferramentas e estratégias possam acelerar o progresso para eliminar a doença.

5. Doenças tropicais negligenciadas


As doenças tropicais negligenciadas como Doença de Chagas, Amarelão e Barriga d’água impedem que as 1.6 bilhões de pessoas mais pobres do mundo atinjam seu potencial. É possível prevenir ou tratar a maior parte dessas doenças, mas é um desafio ajudar todas essas pessoas.

4. Sistema de saúde universal


O foco do relatório é que países pobres invistam mais em cuidados básicos de saúde. Isso ajudaria as 400 milhões de pessoas que não têm acesso aos serviços básicos de saúde.

3. Fumo de tabaco


Este gráfico apresenta o número de pessoas que fuma diariamente a partir da idade de 10 anos. A grande preocupação da fundação é em relação à África, continente que está na mira de empresas de tabaco.

2. Vacinas


O gráfico mostra a população que recebe oito vacinas básicas, como contra sarampo e paralisia infantil.

1. Saneamento básico


O gráfico mostra o número de pessoas usando saneamento sem segurança ou sem melhorias. Essas melhorias dependem de mais conexões de redes de esgoto e estações de tratamento de água, que são caras em algumas regiões. Mas há soluções mais baratas e acessíveis, como o uso de latrinas com fossa e o lançamento de vasos sanitários com sistema para matar germes sem depender do sistema de esgoto. [Goalkeepers]

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