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Novo instrumento começa a elucidar o caos do nosso buraco negro supermassivo

Por , em 4.07.2016

Um novo e poderoso instrumento, localizado em um dos observatórios mais poderosos do mundo, já está online e capturando as suas primeiras observações profundas do ambiente ao redor do buraco negro gigante no centro da nossa Via Láctea.

O GRAVITY está atualmente sendo utilizado no interferômetro do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Paranal do ESO, no Chile, e sua missão é sondar a região imediatamente em torno de Sagitário A *, o buraco negro com 4 milhões de vezes mais massa do que o nosso sol que se esconde no centro de nossa galáxia, a cerca de 25.000 anos-luz da Terra.

Este instrumento sofisticado utiliza a luz dos quatro principais telescópios, cada um com 8,2 metros de diâmetro, do VLT, combinando-os como se fossem um só.

A interferometria permite que vários telescópios diferentes ajam como um grande telescópio, com a distância entre eles (sua linha de base) atuando como o diâmetro de um telescópio muito maior e virtual. No caso do VLT, o interferômetro simula um telescópio de 130 metros de largura, deixando seu poder 15 vezes maior do que a operação de um único telescópio VLT. E agora, com o GRAVITY online, os astrônomos esperam sondar o ambiente de gravidade mais forte conhecido no universo: o limite do horizonte de eventos de um buraco negro.

S2

Embora o instrumento tenha ficado online recentemente, já está fazendo algumas observações inovadoras das estrelas em torno do Sagitário A *. Uma delas, chamada S2, que tem uma órbita extrema de 16 anos ao redor do buraco negro, é de particular interesse. A órbita da estrela também é altamente alongada, deixando-a muito próxima ao objeto massivo. Isso faz com que S2 seja um alvo privilegiado para o estudo das condições de espaço-tempo perto de um buraco negro.

A órbita de S2 é o epítome do extremo. Em 2018, a estrela vai chegar à parte mais próxima da sua viagem de 16 anos em torno de Sagitário A *, ficando a apenas 17 horas-luz do horizonte de eventos do buraco negro. Neste ponto, a estrela vai viajar a 30 milhões de quilômetros por hora, cerca de 2,5% da velocidade da luz. Isso faz com que S2 seja o marcador perfeito para os astrônomos que estão usando o GRAVITY meçam a posição com extrema precisão para verificar se o seu movimento está de acordo com as previsões estabelecidas pela teoria da relatividade geral de Einstein.

Chegando perto

“Foi um momento fantástico para toda a equipe quando a luz da estrela interferiu (interferência é o fenômeno que representa a superposição de duas ou mais ondas num mesmo ponto) pela primeira vez – depois de oito anos de trabalho duro”, disse Frank Eisenhauer, cientista-chefe da gravidade do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Garching, na Alemanha. “Primeiro, nós estabilizamos ativamente a interferência em uma estrela brilhante próxima, e, em seguida, apenas alguns minutos depois, nós pudemos realmente ver a interferência da estrela oculta”.

Mas a missão do GRAVITY apenas começou. Ele vai continuar a estudar Sagitário A * e, eventualmente, detectar e rastrear eventos perto do horizonte de eventos, em tempo real, para medir a física do ambiente de gravidade mais extrema e forte conhecida.

Este não é o único projeto tentando chegar perto do buraco negro supermassivo à espreita no núcleo da nossa galáxia. O telescópio Horizonte de Eventos, um interferômetro composto por vários radiotelescópios ao redor do globo, também está em fase de conclusão e as primeiras imagens históricas do horizonte de eventos do Sagitário A * estão a apenas meses de distância. [Seeker]

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1 comentário

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    Fico pensando, COMO seria nosso mundo, SE os orçamentos CIENTÍFICO e MILITAR, fossem TROCADOS, os gastos de um fossem o permitido p/ o outro

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