Casais que fumam maconha podem ser menos violentos

Por , em 31.08.2014

Os casais que fumam maconha são menos propensos a se comportar violentamente entre si, de acordo com um novo estudo. Pesquisadores entrevistaram centenas de casais heterossexuais sobre os seus primeiros nove anos de casamento, e quando consideraram o uso da maconha, descobriram os menores índices de violência doméstica entre casais em que marido e esposa fumavam a substância mais do que uma vez por semana.

Os pesquisadores não estão sugerindo que fumar maconha é a chave para um casamento tranquilo. O estudo, que foi publicado este mês na revista online Psychology of Addictive Behaviors, deixou muitas perguntas sem resposta.

“É possível, por exemplo, que – semelhante a uma parceria na bebida – os casais que usam maconha juntos possam compartilhar valores e círculos sociais similares, e é essa semelhança que é responsável por reduzir a probabilidade de conflito”, sugere o pesquisador Kenneth Leonard, diretor do Instituto de Pesquisa em Vícios da Universidade de Buffalo, nos EUA.

Para sua pesquisa, Leonard e seus colegas recrutaram mais de 600 casais de Buffalo, Nova York. Foi solicitado que os casais completassem cinco entrevistas de acompanhamento, nos seus primeiro, segundo, quarto, sétimo e nono aniversários de casamento.

Cada uma das vezes, os participantes foram convidados a contar com que frequência eles haviam cometido ou foram vítimas de um incidente de violência por parte do parceiro ou da parceira (como tapas, espancamentos e asfixia) durante o ano anterior. Eles também foram questionados sobre com que frequência haviam usado maconha no último ano, com seis opções que iam desde “nenhuma vez” até “mais do que uma vez por semana”.

Os pesquisadores descobriram que os casais que usavam maconha com mais frequência – incluindo aqueles que usaram a erva duas a três vezes por mês, uma vez por semana e mais de uma vez por semana – relataram menos violência doméstica perpetrada pelo cônjuge ao longo do ano anterior. Casais em que ambos os cônjuges usaram maconha nas maiores taxas obtiveram os menores índices de violência doméstica.

Como não poderia deixar de ser, foi descoberta também uma exceção à regra: esposas que fumavam maconha com mais frequência e tinham cometido atos de violência em relação a seus parceiros antes do casamento. Essas mulheres tinham mais probabilidade de se comportarem violentamente com seus cônjuges do que mulheres que fumavam maconha menos vezes.

Leonard observa que o estudo tem uma limitação em sua capacidade de prever como a maconha afeta o comportamento diário, porque os pesquisadores não examinaram se fumar maconha em um determinado dia iria reduzir a probabilidade de violência.

“Embora este estudo apoie a perspectiva de que a maconha não aumenta – pelo contrário, pode diminuir – o conflito agressivo, gostaríamos de ver essas descobertas seriam replicadas com pesquisas examinando o uso da maconha e do álcool no dia-a-dia e a probabilidade de violência íntima no mesmo dia antes de tirar conclusões mais fortes”, afirma o pesquisador.

O estudo também foi restringido na sua amostra. Ele incluiu apenas casais heterossexuais que estavam no seu primeiro casamento, e em última análise, os pesquisadores incluíram em seu conjunto de dados apenas os casais que permaneceram casados. Não está claro para os autores se estes resultados seriam replicados em casais do mesmo sexo, casais recasados​​, casais de namorados ou casais casados ​​há mais de nove anos.

Com a legalização da maconha ganhando força em diversos países, a discussão sobre os efeitos da droga na saúde pública ganhou força. A erva tem alguns benefícios médicos claros – pode estimular o apetite em pacientes com Aids e reduzir a náusea e dor em pacientes com câncer submetidos à quimioterapia. Mas estudos anteriores descobriram que fumar maconha durante a adolescência está ligado a anomalias cerebrais e menores níveis de QI, de acordo com uma recente revisão dos efeitos adversos da maconha publicados no New England Journal of Medicine. A revisão também observou que fumar maconha pode ter efeitos negativos a curto prazo, como prejuízo à coordenação e um maior risco de acidentes de carro. [Live Science]

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2 comentários

  • Marcel Moraes:

    Não é o caso dos vizinhos da minha empresa, todo dia em pé de guerra e queimando a canabis, o problema é que quem sofre é a criança, filho deles de nove anos.

  • Juliana Hadassa:

    Eu realmente ainda não entendo por que a maconha não foi liberada. Acho que são apenas por questões moralistas.

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