Caso seu bebê se pareça com seu ex, a ciência pode ter uma explicação plausível: telegonia

Por , em 6.10.2014

Se o seu bebê é a cara do seu ex, explique ao seu marido que isso não significa (necessariamente) que ele foi traído. Pode ser simplesmente telegonia – a influência de um macho na descendência gerada posteriormente por outros machos, na mesma fêmea.

Um estudo da Universidade de South Wales (Austrália) observou esse fenômeno em recém-nascidos da mosca da fruta: traços físicos de parceiros sexuais anteriores da fêmea foram transmitidos para os seus filhotes, fazendo-os se assemelhar ao parceiro sexual anterior da mãe.

Os cientistas verificaram que, para as moscas da fruta, o tamanho da ninhada correspondeu ao tamanho do primeiro macho da mãe, não de seu pai biológico. Eles acreditam que as moléculas do sêmen produzidas pelo primeiro parceiro da fêmea foram absorvidas por seus óvulos ainda imaturos.

Porém, quando brincamos que isso poderia acontecer com você, queremos simplesmente ressaltar que é uma possibilidade, da qual não conhecemos nada ainda.

“Nós não sabemos se isso se aplica a outras espécies”, explica a autora do estudo, Dra. Angela Crean.

A pesquisa

Na comunidade científica, a telegonia já estava taxada como uma superstição que não tinha base em evidências. Essa foi a primeira vez que ela foi provada no reino animal.

“Vários mecanismos de herança não genéticos tornam possível que fatores ambientais influenciem características de uma criança. Nossas novas descobertas levam isso para um nível totalmente novo – mostrando também que um macho pode transmitir algumas de suas características a prole de outros machos”, argumenta a Dra. Crean.

Para estudar se a telegonia era possível, a equipe de Crean criou moscas grandes e pequenas, alimentando-lhes com dietas com larvas altas ou baixas em nutrientes. Em seguida, reuniram essas moscas macho com fêmeas imaturas.

Uma vez que as fêmeas tinham amadurecido, elas foram acasaladas novamente com qualquer macho, grande ou pequeno. Seus descendentes então foram estudados.

Aquelas que tinham originalmente acasalado com um macho maior continuaram a produzir prole maior mesmo tendo acasalado por último com um pequeno macho. Isso foi uma evidência clara de telegonia.

E com a gente, pode acontecer?

No entanto, os especialistas afirmam ser muito cedo para dizer se o mesmo efeito poderia ocorrer em humanos.

Alguns creem que esse mecanismo específico provavelmente não se aplica aos mamíferos, já que as diferenças na fisiologia reprodutiva ente nós e os insetos são muitas.

No entanto, outros pesquisadores sugerem que existem mecanismos que poderiam, a princípio, resultar em telegonia em seres humanos (por exemplo, mães carregam DNA fetal no seu sangue durante a gravidez).

“Eu acho que é impossível dizer se isso poderia ser aplicado aos seres humanos sem estudos adicionais em uma espécie mais relacionada conosco, como os ratos”, disse John Parrington, da Universidade de Oxford (Reino Unido). [Alternet, TheTelegraph]

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2 comentários

  • Angelo Rocha:

    Eu não acredito, mas não sou cético para rechaçar completamente. A natureza tem muitos mistérios. Já li em veículos de imprensa tradicional que a teoria de que memórias psicológicas muito significativas podem ser passadas para descendentes via genética. Se isso for verdadeiro, o que também duvido, é uma brecha mendeliana para teoria de Lamarck de transferência de adaptações. A homeopatia trabalha com a ideia de influencia energética da substancia trabalhada para o fluido a ser prescrevido, etc.

  • Kleber Felipe:

    Eu ACHO que a carga genética do 1° macho entra em contato com o óvulo e se permanece “inativa” até a chegada de outra carga genética… onde essa 1° carga genética “se aproveita” da 2° e a “utiliza” para criar um descendente “híbrido”…
    Mas como isso funciona eu não faço a mínima ideia kkkkk

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