Cientistas encontram evidências de “população fantasma” de humanos antigos

Por , em 15.02.2020

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) descobriu evidências de uma “população fantasma” de humanos antigos que viveu na África meio milhão de anos atrás.

Como? Através dos genes de pessoas vivas hoje.

Cruzamento

Os geneticistas encontraram sinais deste ancestral misterioso ao analisar os genomas de populações da África Ocidental.

Cerca de um quinto possuía DNA que vinha de uma fonte desconhecida. Os cientistas pensam que os humanos modernos podem ter se relacionado com populações arcaicas ainda não descobertas milhares de anos atrás, do mesmo jeito que europeus uma vez se reproduziram com neandertais e ainda possuem evidências disto em seu DNA.

Da mesma forma, australianos, polinésios e melanésios indígenas carregam genes de denisovanos, outro grupo de humanos arcaicos.

“Nos africanos ocidentais que examinamos, todos têm ascendência dessa população arcaica desconhecida”, disse Sriram Sankararaman, biólogo computacional na Universidade da Califórnia e principal autor do estudo.

Metodologia

Os pesquisadores analisaram 405 genomas de quatro populações da África Ocidental – duas da Nigéria, uma da Serra Leoa e uma da Gâmbia -, utilizando técnicas estatísticas para tentar definir se algum gene poderia ter surgido a partir de cruzamentos com humanos antigos no passado.

Eles descobriram que sim. Os genes destacados eram muito diferentes dos genes de humanos modernos. Os cientistas também os compararam com os genes de neandertais e denisovans, concluindo que o DNA provinha de fato de um grupo desconhecido de humanos arcaicos.

“Eles parecem ter tido um impacto bastante substancial nos genomas dos indivíduos atuais que estudamos. Representam 2% a 19% de sua ancestralidade genética”, explicou Sankararaman.

Próximos passos

Por enquanto, os pesquisadores estimam que a “população fantasma” tenha se separado de ancestrais neandertais e humanos modernos cerca de 360.000 a um milhão de anos atrás.

Poderia se tratar de um grupo de cerca de 20.000 indivíduos que se relacionou com africanos modernos em algum momento há cerca de 124.000 anos.

Esses achados não são definitivos, no entanto. Os próprios cientistas afirmam que existem explicações alternativas possíveis, como ondas múltiplas de reprodução ao longo de milhares de anos, ou até mesmo mais de uma população desconhecida relacionada antiga.

Agora, os pesquisadores querem se aprofundar nos estudos desses genes antigos para tentar desvendar sua origem e sua função. Uma hipótese é que populações modernas africanas mantiveram esses genes arcaicos porque eles ajudam na sobrevivência e reprodução, por exemplo.

“É muito provável que a imagem verdadeira seja muito mais complicada [do que pensamos]”, concluiu Sankararaman.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Science Advances. [TheGuardian]

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