Humanos antigos tiveram filhos com outras espécies além dos neandertais

Por , em 18.03.2018

Um novo estudo da Universidade de Washington, nos EUA, mostrou que nossa espécie não fez sexo somente com neandertais, mas com outras duas espécies humanas antigas também.

As descobertas foram publicadas na revista Cell.

Somos o resultado de vários cruzamentos

Nós já sabíamos que possuímos traços neandertais no nosso DNA, o que indica que, no passado, Homo sapiens tiveram filhos com esses nossos parentes próximos, os Homo neanderthalensis. Os genes neandertais estão presentes (representam cerca de 1 a 4%) no genoma de pessoas de várias origens, da Grã-Bretanha ao Japão a Colômbia.

Dentre características particulares dessa espécie, estão rostos largos, queixos pequenos e sobrancelhas salientes.

Também já sabíamos que humanos tinham tido filhos com outra espécie, os denisovans. O DNA extraído de fragmentos de indivíduos encontrados em uma caverna na Sibéria forneceu evidências de que também possuíamos traços genéticos destes antigos hominídeos no nosso DNA.

Agora, uma equipe de cientistas liderada pela bioestatística Sharon R. Browning, da Universidade de Washington, descobriu um terceiro evento de cruzamento interespécie, aumentando a nossa mistura genética.

O esperado

Humanos e neandertais se separaram em grupos diferentes mais de 765 mil anos atrás. Denisovans e neandertais eram primos mais próximos que se separaram mais recentemente do que isso, e depois se extinguiram.

No novo estudo, Browning e seus colegas examinaram mais de 5.500 genomas de humanos modernos da Europa, Ásia e Oceania, procurando por traços de qualquer DNA arcaico.

Depois que a equipe analisou todas as variações de DNA, comparou esses segmentos com as sequências genéticas de denisovans e neandertais conhecidas a partir de amostras principalmente coletadas nas Montanhas Altai da Sibéria.

Todos os grupos estudados, de britânicos a peruanos a porto-riquenhos, possuíam DNA neandertal. Algumas populações também possuíam traços genéticos que correspondiam a denisovans de Altai, particularmente pronunciados em povos asiáticos do leste do continente.

A surpresa

A surpresa foi a descoberta de um terceiro grupo de genes arcaicos, diferente do DNA neandertal e apenas parcialmente parecido com o DNA dos denisovans de Altai. Os pesquisadores concluíram que se trata de um segundo grupo de genes denisovans.

A principal hipótese até agora é de que, à medida que os seres humanos ancestrais migraram para o leste, encontraram duas populações diferentes de denisovans. Uma delas, ao norte, aparece em pessoas da China, Japão e Vietnã. A outra deixou sua marca genética mais ao sul, talvez em populações do sudeste da Ásia.

Segundo Browning, essa segunda população denisovan poderia estar em rota para Papua Nova Guiné e fez sexo com humanos modernos que encontrou no meio do caminho. No momento, no entanto, não podemos ter certeza disso.

Mais estudos

Métodos similares ao utilizado neste estudo podem revelar ainda mais misturas genéticas no nosso DNA, principalmente quando consideramos a grande variedade de grupos humanos arcaicos que existiram em toda a Eurásia.

Browning planeja continuar sua busca, inclusive entre pessoas de ascendência africana. A África ficou de fora desta pesquisa porque o clima continental quente torna um desafio recuperar DNA arcaico desta área.

“Estamos interessados em outras populações ao redor do mundo, especialmente na África”, disse Browning. [ScienceAlert]

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3 comentários

  • augustobob:

    O ser humano até hoje é assim, se reproduzisse com qualquer animal que tivesse relações haveria muitas espécies novas desse cruzamento.

    • Cesar Grossmann:

      Está viajando na maionese, Augusto? A reprodução com Neandertais só era possível por que eles eram geneticamente muito próximos de nós, H. sapiens.

  • Guilherme Junqueira de Almeida:

    Com todo respeito, mas essa notícia não está com alguns poucos anos de atraso não?

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