Cientistas gravam 2,2 petabytes de dados em um grama de DNA

Por , em 27.01.2013

A possibilidade de usar o DNA como um pendrive mais espaçoso do que qualquer dispositivo já criado ganhou força na última quarta-feira (23). Dois cientistas britânicos conseguiram armazenar uma quantidade inédita de arquivos em DNA sintético. Na média, foram 2,2 petabytes (2,2 milhões de gigabytes) por grama.

A conquista foi anunciada ontem pelos pesquisadores Nick Goldman e Ewan Birdney, do Instituto Europeu de Bioinformática (EBI, em inglês). Eles afirmam que a descoberta pode promover o DNA, em longo prazo, a principal método de armazenamento de arquivos digitais.

Como se armazenam dados em um DNA sintético?

Há mais de um ano a ciência trabalha ativamente com o DNA sintético. Ele é produzido em laboratório de uma maneira relativamente simples: substitui-se a desoxirribose, composto orgânico (equivalente ao D do DNA), por polímeros. Isso facilita a manipulação e mantém a capacidade original do DNA em armazenamento e transmissão de dados.

Dessa forma, as quatro bases proteicas do DNA – Adenina (A), Citosina (C), Timina (T) e Guanina (G) – servem de suporte para fazer esse armazenamento. Cada ser humano tem, em seu genoma, mais de 3 bilhões dessas letras, cujas combinações moldam o que somos. Em tais letras, os pesquisadores agora podem inserir arquivos, como se fosse um gigantesco HD (disco rígido).

Entenda o novo método

Os dois pesquisadores europeus criaram uma sequência artificial na qual modificaram trechos de áudio do discurso “Eu tenho um sonho”, de Martin Luther King, todos os 154 sonetos de Shakespeare, uma foto do prédio do EBI, em Cambridge (Reino Unido), e uma cópia em .pdf do artigo em que cientistas enunciaram a existência da dupla-hélice pela primeira vez.

Com todos os arquivos estocados na estrutura, enviaram o material a um laboratório na Califórnia (EUA), onde o DNA foi sintetizado para ficar do jeito em que o encontramos no núcleo de uma célula.

Da Califórnia, este DNA sintetizado foi enviado de volta ao EBI pelo correio, dentro de um tubo de ensaio. No laboratório na Inglaterra, os cientistas conseguiram extrair os arquivos do DNA sintetizado e recuperá-los com 100% de precisão.

O DNA é um composto extremamente pequeno, denso e compacto, não necessitando de nenhum tipo de energia para ser armazenado. São vantagens claras sobre os HDs e pendrives de que dispomos atualmente. Mesmo considerando que ainda há muito a caminhar para tornar esse procedimento usual e pouco oneroso, também há muito o que comemorar com esta novidade. [Gizmodo / CBN /New Scientist]

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6 comentários

  • Emanoel Castro:

    Interessantíssimo.
    Não consigo imaginar como será o futuro.

  • neutrino:

    Dizem que vão criar robô parecido com gente.
    Imagina brincar de bola, metade do time robô, metade gente.

  • Alex Sander:

    Muito Bom,só uma correção.
    Creio que eles não gravaram 2,2 Terabytes de dados,(pois trechos de áudio+154 sonetos e um Pdf são poucos dados para ocuparem tantos espaço),no máximo 20 Mb já seriam mais que suficiente para armazenar isso.
    Provavelmente conseguiram armazenar essa informação em apenas algumas nanogramas de DNA,que se multiplicadas a 1 grama, equivaleria(proporcionalmente)ao espaço de armazenamento de 2,2 Terabyte.

  • Genésio de Magalhães:

    Matéria interessante, mas a grafia do título está errada. O correto é PETABYTE (sem o “n”), pois se refere a 1 x 10^15 bytes e não 5 vezes o byte(penta)

  • Lucas Noetzold:

    Creio que nem precisam usar DNA e semelhantes para isso, podiam apenas trabalhar em uma molécula estavel e de preferência resistente na qual podem ser adicionados átomos (ou outras moleculas se for mais simples) de dois tipos formando um código binário.

  • Lucas Silva:

    Muitooo boooommm adorei essa novidade estava esperando eles conseguirem fazer no minimo isso. Espero que daqui a 10 anos consigam deixar-lo pronto para poder usar como HD que assim ficara mais barato as coisas heheh 😀

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