Como a esperança pode nos dar “superaudição”

Por , em 20.11.2012

As esperanças, ou “bushcrickets” (“grilos dos arbustos”), junto com os gafanhotos, possuem os menores ouvidos do mundo, medindo apenas uma fração de milímetro, localizados nas pernas dos animais.

Por serem tão pequenos, mesmo tendo dissecado incontáveis destes insetos, os biólogos até agora não haviam entendido como funcionavam estes ouvidos.

Sendo assim, o Dr. Fernando Montealegre Zapata, da Universidade de Bristol (Reino Unido), que recentemente recriou a canção de amor de uma esperança jurássica, resolveu estudar a Copiphora gorgonensis, uma esperança verde com cara laranja, com um “chifre de unicórnio” e olhos engraçados, e que só existe no Parque Nacional Ilha de Górgona, na Colômbia.

Utilizando um aparelho de tomografia especial para análises microscópicas, ele descobriu o que todos já sabiam: que havia um par de tímpanos em cada joelho do animal. No entanto, também descobriu um par de novos órgãos.

O primeiro é uma vesícula audotória (AV), semelhante a uma versão não espiralada da nossa cóclea, um tubo oco preenchido com um fluido. Da mesma forma que a cóclea nos mamíferos, ela é cheia de células sensíveis, a crista acústica, e tem a mesma função: analisar frequências.

A AV é conectada a cada tímpano por uma estrutura completamente nova, chamada de placa timpanal (TP), que se parece com uma cutícula externa. Com o uso de lasers, o Dr. Fernando descobriu que a placa timpanal vibra junto com o tímpano, o que a torna uma versão dos nossos três ossinhos do ouvido interno (bigorna, estribo e martelo), com a mesma função.

Mas existem também muitas diferenças entre o ouvido do inseto e o dos mamíferos. Sem falar na localização, nossas cócleas possuem entre 17.000 e 24.000 células pilosas, enquanto a esperança tem entre 14 e 70.

Segundo o Dr. Fernando, a descoberta “muda nossa visão sobre a audição dos insetos e abre o caminho para o projeto de sensores ultrassensíveis bio-inspirados”. Entre os sensores que podem vir a ser desenvolvidos, estão aparelhos de imagem médica, e o desenvolvimento de aparelhos auditivos. [ScienceMag, The Conversation, Discover Magazine, Daily Mail]

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1 comentário

  • Matheus Hammarstron Justino:

    Há um erro no texto. Gafanhotos são da subordem Caelifera e possuem os tímpanos nas laterais do primeiro segmento abdominal. Já esperanças e grilo são da subordem Ensifera, possuindo seus tímpanos na tíbia.

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