Confirmada presença de uma Terra ao redor de nossa estrela mais próxima

Por , em 28.05.2020

Uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Genebra (Suíça) confirmou a existência de um planeta do tamanho da Terra orbitando a estrela Proxima Centauri, a mais próxima do sol de que temos conhecimento: ela fica a apenas 4,2 anos-luz de distância de nós.

A nova pesquisa revelou que o Proxima b tem uma massa de 1,17 vezes a massa terrestre, e que orbita a zona habitável de sua estrela a cada 11,2 dias.

ESPRESSO

A confirmação só foi possível graças a medidas extremamente precisas da velocidade radial da estrela feitas pelo espectrógrafo suíço ESPRESSO, o mais preciso atualmente em operação, instalado no Telescópio Muito Grande (VLT), operado pelo Observatório Europeu do Sul no Chile.

Anteriormente, a mesma equipe havia detectado o Proxima b utilizando um espectrógrafo mais antigo, o HARPS, três vezes menos preciso. Em comparação, o ESPRESSO tem uma exatidão de 30 centímetros por segundo (cm/s).

“Já estávamos muito felizes com o desempenho do HARPS, que foi responsável por descobrir centenas de exoplanetas nos últimos 17 anos. Estamos realmente satisfeitos que o ESPRESSO possa produzir medições ainda melhores, é gratificante e uma recompensa do trabalho em equipe que já dura quase 10 anos”, disse Francesco Pepe, professor do departamento de astronomia da Universidade Genebra e líder da equipe ESPRESSO, ao Phys.org.

O instrumento também tornou possível aferir a massa do planeta com uma precisão de mais de um décimo da massa da Terra, o que é sem precedentes. Os dados esclareceram que a massa mínima de Proxima b é de 1,17 a da Terra; a estimativa anterior era de 1,3.

Proxima b: há potencial para a vida, mas também muitas dúvidas

De acordo com o principal autor do estudo, Alejandro Suarez Mascareño, o Proxima b é um dos planetas mais interessantes conhecidos de nossa vizinhança.

Embora esteja 20 vezes mais perto de sua estrela do que a Terra do sol, recebe uma energia comparável, de forma que – teoricamente – é possível existir água líquida em sua superfície.

Enquanto o Proxima b parece um excelente candidato para a pesquisa de biomarcadores da vida, os pesquisadores destacam que é ainda necessário aprender várias coisas sobre seu ambiente antes de sugerir que a vida poderia ter se desenvolvido por lá.

Por exemplo, a estrela Proxima, uma anã vermelha ativa, bombardeia o planeta com raios-X em uma proporção 400 vezes maior do que a Terra. Será que o Proxima b tem uma atmosfera que o protege desses raios-X mortais? E, se existe uma atmosfera, será que ela contém elementos químicos que promovem o desenvolvimento da vida, como oxigênio? Há quanto tempo essas condições favoráveis existem no planeta? Esses são apenas alguns exemplos de perguntas que os pesquisadores ainda precisam responder.

Segundo planeta?

A equipe ainda tem outro mistério nas mãos para tentar desvendar: as medições precisas do ESPRESSO levaram a evidências de um segundo sinal nos dados, cuja causa os pesquisadores ainda não conseguiram estabelecer.

“Se o sinal for de origem planetária, este potencial outro planeta que acompanha o Proxima b teria uma massa menor que um terço da massa da Terra. Seria o menor planeta já medido usando o método da velocidade radial”, sugeriu Pepe.

Próximos passos

Christophe Lovis, também do departamento de astronomia da Universidade de Genebra e responsável pelo processamento de dados do ESPRESSO, afirmou que a equipe planeja investigar todas as questões sobre o Proxima b postas acima, especialmente com a ajuda de instrumentos futuros como o espectrômetro RISTRETTO, projetado especialmente para detectar a luz emitida pelo Proxima b, e o espectrógrafo de alta resolução HIRES, que será instalado no Telescópio Europeu Extremamente Grande (ELT 39m).

Vale observar que o ESPRESSO é em si um instrumento muito novo, operacional desde apenas 2017. Em 1995, os pesquisadores estavam descobrindo planetas como o 51Peg b usando o espectrógrafo ELODIE, com uma precisão de 10 metros por segundo (m/s). O ESPRESSO, com seus 30 cm/s (provavelmente 10 após os últimos ajustes) de precisão, deve possibilitar a exploração de muitos mundos ainda.

Os resultados da pesquisa foram publicados em um artigo na revista científica Astronomy & Astrophysics. [Phys]

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