Crianças que apanham ou ouvem gritos dos pais têm maior risco de câncer e doença cardíaca

Por , em 13.11.2012

Um estudo da Universidade de Plymouth, em Devon (Reino Unido) concluiu que pais que batem em ou gritam com seus filhos os colocam em maiores riscos de desenvolver câncer, doença cardíaca e asma.

Segundo os pesquisadores, mesmo espancamentos e gritos não tão intensos podem ter as mesmas implicações para a saúde da criança a longo prazo do que abuso e trauma graves.

A suposição da equipe é que bater e gritar com as crianças causa estresse nelas. A ciência já provou que níveis elevados de estresse podem causar mudanças biológicas em um indivíduo, o que por sua vez podem levar a sérios problemas de saúde.

“Já é sabido que estresse precoce na forma de trauma e abuso cria mudanças de longo prazo que predispõem as pessoas a doenças mais tarde. Mas este estudo mostra que, em uma sociedade na qual o castigo corporal é considerado normal, seu uso é suficientemente estressante para ter os mesmos tipos de impacto a longo prazo”, explica o principal autor da pesquisa, Michael Hyland, do departamento de psicologia da Universidade.

O estudo

700 pessoas na Arábia Saudita participaram do estudo, sendo que 250 das quais eram saudáveis, e cada 150 restantes tinham câncer, asma ou doença cardíaca.

Os pesquisadores perguntaram se e quantas vezes elas tinham sido fisicamente ou verbalmente punidas como crianças.

O grupo com câncer era 1,7 vezes mais propenso a ter sido espancado quando criança, em comparação com o grupo saudável. O grupo com doenças cardíacas era 1,3 vezes mais propenso, e com o asma, 1,6 vezes mais propenso.

Castigo físico

A forma de punição física é muito controversa. Há quem pense que as crianças podem receber castigos corporais, porque isso as educa, enquanto outros dizem que bater é um tipo de violência que só traz prejuízos (e que já foi ligado a diversos problemas comportamentais e de saúde mais tarde na vida) e na verdade não educa.

No mundo todo, os países divergem bastante quanto à legislação sobre esse ato. Por exemplo, na Suécia, a punição corporal foi banida em 1976. Desde então, quase 30 países fizeram legislação semelhante.

Já em outros países, como o Reino Unido, a punição corporal é proibida nas escolas, mas não em casa. Por fim, em outros locais, como os EUA, não há nenhuma proibição universal de punição corporal nem mesmo nas escolas.

Segundo uma pesquisa de 2010 realizada com 4.025 pessoas com mais de 16 anos em 11 capitais do Brasil, 70,5% dos brasileiros sofreram alguma forma de castigo físico quando jovens. Comparativamente, nos EUA, a porcentagem passa dos 90%, enquanto na Suécia fica em torno dos 10%.

Os cientistas do estudo atual afirmam que o uso de castigo corporal diminuiu globalmente, mas ainda é visto em 50% das crianças em todo o mundo.[MedicalXpress, DailyMail]

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9 comentários

  • VALDEMIR:

    Pais devem proteger,não espancar. O exemplo e o amor devem ser os principais instrumentos para a educação dos filhos.

  • Evelyn Luz:

    Fui espancada (espancada mesmo, de sair sangue, ficar com manchas roxas pelo corpo e até mesmo ter a cabeça batida em paredees) pela minha mãe. Isso aconteceu tanto comigo quanto com meu irmão (que foi bem pior pois além da surra tinha um castigo de ficar sozinho num porão de nossa antiga casa). Eu sentia como se não fosse minha mãe ali, e sim um ser que só queria descarregar todo seu ódio em alguém fraco. Hoje não vivo com problemas fisicos, já perdoei minha mãe (apesar de não haver desculpas_.Já com meu irmão é bipolar e não conseguiu superar isso, ele tem raiva da minha mãe e principalmente do meu pai, já que por anos ele nunca tomou uma atitude para que isso parasse.
    Hoje vejo que tudo que somos quando adultos é o fruto do que aconteceu na infância e isso posso ver até mesmo através da minha mãe. Não irei bater nos meus filhos, há muitos meios de impor limites, não somos animais para não entender as coisas. Quem acha que bater é normal não imagina que vai criar um ciclo ridículo e desnecessário por várias gerações inocentes.

  • Carlos Mello:

    Sao duas coisa que fazem isto acontecer: Ignorancia e covardia dos Pais.

  • Samuel Alencar:

    Nunca sofri esse tipo de transtorno.Creio que deva ser traumático.Graças a Deus sempre fui tratado com respeito pelos meus familiares.Se alguém deixou a desejar,esse foi eu.

  • Alex Sander:

    Realmente o assunto é polemico,têm gente que defende a surra como forma de disciplina e formação de caráter ,acham que vão colocar limites com agressões físicas ,mas o que é certo é que a maioria dos traumas se formam na infância, traumas esses que podem predestinar uma pessoa a uma vida estagnada de medos e rancores e que a maneiras mais racionais de formar o caráter de uma pessoa do que pela violência e humilhação.
    É deprimente quando vejo pais descarregando suas frustrações em seus filhos e justificando isso como disciplina.
    Cada caso é um caso devemos sempre tentar agir com sabedoria e amor pois sempre a uma maneira de estabelecer imite,disciplinar uma criança e preparadas para as diversidades da vida sem apelar para a violência e humilhação.
    Prefiro que meus filhos me respeitem por amor e admiração do que por medo.

    • renata mendes machado machado:

      Apanhei e hoje sou normal, grito e bato quando necessário sim.
      Pesquisa feita na Arabia Saudita…. pergunte a meu filho o que ele quer ser quando crescer? Ele vai dizer: Jogador de Futebol….pergunte a uma criança na Arabia… ele vai dizer: HOMEM BOMBA!! E ai alguma dúvida?
      Alguma Pergunta?

      Pesquisa inútil….sem fundamentos…para mim não serve!!

  • garretereis:

    Dar palmada(s) em criança não é espancamentos! A moda do politicamente correto insiste nessa ideia, mas quem não percebe a diferença entre uma surra educacional e um espacamento obviamente tem problemas!

  • Danilo Moço:

    Eu apanhava quando era criança era bem bagunceiro,hoje eu tenho um trauma,quando alguém se aproxima de mim por trás eu acho que essa pessoa vai me bater,isso também acontece quando estou de bicicleta ou de moto, isso é horrível!!

    • Vivian A. Ferreira:

      Bom, acho que é mais fácil dizer que TUDO dá cancer, menos beber água filtrada e tratada… é cada uma… Se vc for espancado, claro que terá problemas. Mas a palmada pedagógica existe e deveria ser usada – tenho uma linda filha de 4 anos, a amo muito, mas já usei a palmada com muito sucesso.

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