Cura do HIV pode ser atingida através de terapia genética, indica experimento

Por , em 1.04.2024

Uma nova abordagem para eliminar o HIV do corpo humano pode, um dia, ser convertida em uma cura para a infecção por esse vírus, embora ainda não tenha sido comprovada em pessoas.

Essa estratégia utiliza uma técnica genética relativamente recente conhecida como CRISPR, capaz de fazer cortes no DNA e introduzir erros no material genético viral presente nas células imunológicas. A pesquisa liderada por Elena Herrera Carrillo, da Universidade de Amsterdã, na Holanda, representa um avanço crucial no desenvolvimento de uma estratégia de cura.

Embora a infecção pelo HIV fosse quase sempre fatal no passado, hoje os portadores do vírus podem tomar medicamentos que impedem sua reprodução. Isso permite que tenham uma expectativa de vida quase normal, desde que tomem os medicamentos rigorosamente todos os dias.

Quando uma pessoa é infectada inicialmente, parte do vírus insere seu DNA nas células imunológicas, onde permanece adormecido. Se o tratamento com os medicamentos anti-HIV for interrompido, esse DNA se “reativa”, e o vírus começa a se espalhar novamente pelo sistema imunológico.

Para curar, é necessário algum método para eliminar qualquer vírus adormecido no corpo. Diversas estratégias já foram testadas, mas até agora nenhuma se mostrou eficaz.

A abordagem mais recente utiliza o sistema de edição genética CRISPR, descoberto originalmente em bactérias. Esse sistema busca uma sequência de DNA específica, realizando cortes nela. Ao alterar a sequência de DNA alvo, o sistema pode potencialmente ser usado como uma forma de terapia genética para várias condições, sendo que o primeiro tratamento desse tipo foi aprovado no ano passado nos EUA e no Reino Unido para curar anemia falciforme.

Vários grupos estão investigando o uso do CRISPR que mira em um gene do HIV como forma de desativar o vírus adormecido. Agora, Carrillo e sua equipe demonstraram que, ao testar em células imunológicas em laboratório, seu sistema CRISPR conseguiu desativar todo o vírus, eliminando-o dessas células. Esse trabalho será apresentado no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas em Barcelona, Espanha, no próximo mês.

Jonathan Stoye, do Instituto Francis Crick em Londres, afirma que, apesar dos resultados serem promissores, o próximo passo são ensaios em animais e, eventualmente, em seres humanos para mostrar que o tratamento pode alcançar todas as células imunológicas com HIV adormecido. Algumas dessas células podem estar localizadas na medula óssea, mas também podem existir em outros locais do corpo. Ele destaca que ainda há incertezas sobre a existência de outros reservatórios do vírus em diferentes partes do corpo.

Uma empresa californiana chamada Excision BioTherapeutics já demonstrou que uma abordagem baseada em CRISPR pode reduzir a quantidade de vírus adormecido em macacos infectados com um vírus semelhante ao HIV.

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