“Dá vontade de morder”: o cérebro pode ficar agressivo quando algo é “fofo” demais

Por , em 2.01.2019

Quando as pessoas se deparam com muita fofura, o resultado pode ser algo que os cientistas chamam de “agressividade fofa”.

Você já olhou para um bebê, um filhotinho de cachorro ou o gatinho do Shrek e pensou “dá vontade de morder/esmagar/apertar até estourar”?

De acordo com Katherine Stavropoulos, psicóloga da Universidade da Califórnia em Riverside (EUA), cerca de metade dos adultos têm esses pensamentos às vezes.

Isso não significa que vão realmente cometer alguma agressão. “Quando as pessoas se sentem assim, não tem desejo de causar danos”, explica. Na verdade, o pensamento parece ser uma resposta involuntária do cérebro sendo subjugado por emoções positivas.

Estudo

A agressividade fofa é muitas vezes desconcertante. O sentimento foi descrito pela primeira vez por pesquisadores da Universidade de Yale (EUA) anos atrás. Agora, Stavropoulos decidiu descobrir o que se passa no cérebro enquanto temos essa reação.

Então, sua equipe registrou a atividade elétrica nos cérebros de 54 jovens adultos enquanto olhavam para imagens de animais e pessoas. Algumas foram manipuladas para parecer menos fofas, enquanto a fofura foi maximizada em outras – o que significa que tinham características que normalmente associamos com fofura, como bochechas grandes, olhos grandes e narizes pequenos.

Para todo o grupo de participantes, as fotos mais fofas estavam associadas a uma maior atividade nas áreas do cérebro envolvidas na emoção. Por outro lado, quanto mais agressividade fofa uma pessoa sentia, mais atividade era vista no sistema de recompensa do cérebro.

Isso sugere que as pessoas que pensam em esmagar cachorrinhos parecem ser guiadas por duas forças poderosas no cérebro. “Não é apenas recompensa e não é apenas emoção. Ambos os sistemas estão envolvidos nesta experiência”, afirma Stavropoulos.

Equilíbrio

Essa combinação pode ser “demais” para o cérebro, de forma que ele começa a produzir pensamentos agressivos. A hipótese é de que o surgimento desse sentimento negativo ajuda as pessoas a obter controle das muitas emoções positivas preenchendo seu cérebro.

Pensamentos agressivos em resposta a criaturas adoráveis são apenas um exemplo de “expressões obscuras de emoções positivas”, esclarece Oriana Aragón, parte da equipe de Yale que descreveu o fenômeno originalmente.

“Então, as pessoas que tem vontade de beliscar as bochechas dos bebês também são pessoas que têm mais probabilidade de chorar em casamentos ou rir quando estão nervosas”, disse.

Um artigo sobre o novo estudo foi publicado na revista científica Frontiers in Behavioral Neuroscience. [NPR]

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