Casal de 95 e 94 anos optou por morte assistida e partiu de mãos dadas

Por , em 5.04.2018

George e Shirley Brickenden, de 95 e 94 anos, decidiram que não queriam mais esperar pela chegada da morte natural, e passaram por morte assistida na última semana do mês de março. Eles foram casados por 73 anos e apesar de estarem lúcidos, seus corpos estavam longe de estar saudáveis. Eles preenchiam todos os pré-requisitos do Canadá para requisitar a morte assistida: tinham mais de 18 anos, eram canadenses, tinham plenas capacidades mentais, sofriam de doenças que causam baixa qualidade de vida e declínio constante, e não foram forçados por ninguém a tomar esta decisão.

Shirley sofreu um ataque cardíaco em 2016 e quase morreu, e ela sofria com muitas dores da artrite reumatoide. George foi encontrado inconsciente no dia de seu aniversário por conta de um problema cardíaco crônico.

Por isso, ambos decidiram acabar com suas vidas juntos, em um ambiente familiar, pacífico e confortável.

A morte assistida aconteceu em um fim de tarde de um belo dia de primavera Segundo a filha Pamela, sua mãe virou para o pai e perguntou: “você está pronto?”. “Estou pronto quando você estiver”, teria respondido o pai. O casal foi então para o quarto e deitou-se na cama. Estavam ali dois médicos, um para cada paciente, e parte da família mais próxima. A família fez um brinde à vida do casal com um bom champanhe e os médicos injetaram os medicamentes na veia dos idosos.

A filha Angela fez massagem nos pés da mãe enquanto a filha Pamela fez o mesmo nos pés do pai. “Eles sorriram, eles olharam um para o outro”, descreve Pamela. Então a mãe olhou para os filhos e disse “eu amo todos vocês”.

O casal conseguiu ter o fim de vida dos sonhos da maior parte das pessoas: morrer na velhice, em casa, sem dor, ao lado do amor da sua vida, cercado pelos filhos. Foi exatamente por isso que a lei da morte assistida foi criada no Canadá. Forçar pessoas a viverem com dores que só vão piorar é um tipo de tortura.

Os Brickendens conseguiram organizar suas pendências, despedir-se dos filhos e terminar a vida de mãos dadas com o parceiro de mais de sete décadas.

Apesar disso, grupos religiosos se opõem a deixar que as pessoas decidam quando estão prontas para morrer considerando que isto é uma afronta aos planos de Deus. Eles são tão “pró-vida” que preferem ver pessoas vivendo em sofrimento do que deixar que elas vão embora por vontade própria.

Este é um procedimento legalizado no Canadá com várias fases de seleção para barrar pessoas que não sabem o que estão fazendo ou que têm potencial de ter uma melhora na qualidade de vida.

O obituário do casal Brickenden é o seguinte: “conforme a idade e doenças incapacitantes tomaram conta deles, em um belo dia de primavera, depois de 73 danos de casamento, eles brindaram suas vidas com a família com bom champanhe, seguraram nas mãos um do outro e deixaram essa vida suavemente e juntos, em seus próprios termos. Este foi o último ato de amor deles, desejando que este ato possa liderar o caminho para outros que estão em sofrimento. Eles estavam completamente em paz com esta decisão e tinham o apoio de seus quatro filhos devotados que sempre souberam que era assim que eles queriam que fosse quando o momento chegasse. Eles são eternamente gratos pela compaixão da Dying with Dignity. Eles abençoaram esta Terra juntos por 73 anos e é hora de abençoar as estrelas.”

Ao invés de flores, eles pediram que seus apoiadores fizessem doações à organização Dying with Dignity (Morrendo com Dignidade), que tem como objetivo melhorar as condições de quem está morrendo, protegendo os direitos do fim da vida e ajudando a evitar sofrimentos indesejados. [Patheos]

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