Drogas perdem a eficácia no espaço

Por , em 12.05.2011
Os astronautas viciados, se é que eles existem, devem estar um pouco mais tristes. Um novo estudo comprova que as drogas não apresentam o mesmo efeito se consumidas no espaço. Astronautas em missões espaciais de longa duração podem não ser capaz de tomar paracetamol para tratar uma dor de cabeça ou antibióticos para combater uma infecção, por exemplo.

Cientistas do Centro Espacial Johnson, da NASA, em Houston, Texas, EUA, demonstram que a eficácia das drogas cai mais rapidamente no espaço. A culpa pode ser das doses contínuas de radiação existentes a bordo das naves espaciais, de acordo com a pesquisa publicada na revista da Associação Americana de Cientistas Farmacêuticos.

Os autores afirmam que longas missões mais aumentam a necessidade de drogas no espaço – no sentido de medicamento, e não de maconha e cocaína, evidentemente. Na Terra, os remédios são normalmente feitos para serem armazenados por alguns anos a partir da data de fabricação. Via de regra, eles precisam ser mantidos em condições precisas, como longe da luz direta do sol ou em um espaço fresco e seco.

A equipe de pesquisa investigou se o ambiente peculiar do espaço – incluindo as radiações, vibrações excessivas, microgravidade, ambiente rico de dióxido de carbono e variações de umidade e temperatura – afeta a eficácia das drogas.

Durante o experimento, quatro caixas de medicamentos, contendo 35 remédios diferentes, foram levados para a Estação Espacial Internacional. Quatro caixas idênticas foram mantidas em condições controladas no Centro Espacial Johnson.

As caixas voltaram à Terra depois de variados períodos de tempo no espaço. Uma delas ficou por lá durante apenas 13 dias, enquanto a outro passou 28 meses (mais de dois anos) na estação espacial.

O estudo conclui que uma série de princípios ativos testados apresentaram menor potência após estocagem no espaço. Uma número significativo de medicamentos não atendiam às exigências do órgão fiscalizador dos Estados Unidos quanto à eficiência após um intervalo de tempo de armazenamento no espaço.

“Esta redução de potência das amostras ‘espaciais’ ocorreram antes da data de validade para muitos medicamentos, sugerindo que as condições de armazenamento exclusivo para o ambiente da nave espacial podem influenciar a estabilidade de fármacos no espaço”.

Colin Cable, conselheiro da ciência da informação na Sociedade Farmacêutica Real, explica que os medicamentos são testados na Terra e têm objetivo de funcionar aqui mesmo. “Eles são testados para fazer efeito sob temperatura, umidade, oxigênio e luz terrestres. Além disso, são embalados e armazenados para garantir que permaneçam estáveis ​​e eficaz da sua vida útil”, conta.

Por isso, a reembalagem de medicamentos em recipientes que não dão aos remédios a proteção necessária de oxigênio, umidade e luz pode ter um efeito negativo sobre a sua eficácia.

Ele acrescenta que a radiação, conhecida por afetar os medicamentos, depende da dose em questão.

“Um benefício potencial de manter medicamentos em uma estação espacial é a exposição a um ambiente rico em dióxido de carbono. Isso pode ajudar a minimizar a degradação dos medicamentos sujeitos a oxidação, tal como a adrenalina, a vitamina C e vitamina A”, ressalta. [BBC]

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3 comentários

  • Thúlio Moura:

    HAHAA vou ser o primeiro a ser abrir uma clinica de reabilitação lunar!

  • Tendrilion:

    Hm…prevejo simpatizantes ao consumo de drogas incentivando programas de turismo espacial.

  • JOABE DE JESUS:

    Com base nisso creio eu que os alimentos tambem perdem, seus valores nutricionais !? :?????

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