Drogas psiquiátricas e o mito da cura química

Por , em 17.07.2009

Acredita-se amplamente que tomar uma pílula para tratar depressão funciona ao reverter um desequilíbrio químico. Mas a Dra. Joanna Moncrieff, do departamento de ciências da saúde mental da Universidade College London, afirma que na verdade as pílulas põem os pacientes em “estados induzidos por medicamentos”.

Se você já se consultou sobre problemas emocionais em algum momento nos últimos 20 anos, você deve ter sido informado que possui um desequilíbrio químico e que precisava de remédios para corrigi-lo.

E não são apenas os médicos que pensam assim.

Revistas, jornais, organizações de pacientes e sites na internet publicaram a idéia que condições como a depressão, ansiedade, esquizofrenia e distúrbios bipolares podem ser tratados por drogas que ajudam a retificar um problema oculto do cérebro.

Pessoas com esquizofrenia e outras condições são frequentemente informadas de que precisam tomar medicação psiquiátrica pelo resto de suas vidas para estabilizar a química cerebral, assim como diabéticos precisam de insulina.

O problema que existe pouca justificação para essa visão das drogas psiquiátricas.

Drogas psiquiátricas e o mito da cura química

Tais drogas afetam as pessoas com problemas emocionais como o álcool ou a maconha o faz. São remédios psicoativos, que colocam pacientes em estados alterados da mente e do corpo. E afetam qualquer um, independentemente de existir um distúrbio mental ou não.

Para entender como isso afeta as pessoas, é preciso analisar primeiro os efeitos produzidos.

A Dra. Joanna Moncrieff acredita que tais remédios funcionam pois produzem estados induzidos que suprimem ou mascaram problemas emocionais. “Isso não quer dizer que remédios psiquiátricos não podem ser úteis, às vezes, mas que as pessoas precisam ter consciência do que fazem e dos efeitos que produzem.” Para a doutora, se os pacientes fossem bem informados, o tratamento com medicação talvez não parecesse sempre tão atraente.

Para tomar uma decisão em relação ao uso de tais medicamentos, médios e pacientes precisam de muito mais informações sobre a natureza dos remédios psiquiátricos e os efeitos que produzem. [BBC]

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13 comentários

  • sergio_panceri:

    Isso não é novidade,… todo o esquizofrênico que eu conheci até hoje tenta ou tende a negar a medicação já ciente disso tudo.

  • Regiane Alvarenga:

    É fácil dizer qualquer coisa quando não se está doente, quando todos os sons que você ouve são reais e sair de casa é algo simples e sem sofrimento. Quero ver qualquer um reclamar de remédio quando perder a capacidade de ter um diálogo normal com outra pessoa!

    *O comentário anterior tava com errinho.

  • Regiane Alvarenga:

    É fácil dizer qualquer coisa quando não se está doente, quando todos os sons que você ouve são reais e sair de casa é algo simples e sem sofrimento. Quero ver qualquer um reclamar de remédio perder a capacidade de ter um diálogo normal com outra pessoa!

  • Alexandre Neuwert:

    A verdade é uma só.

    A industria farmacêutica, como toda “boa” empresa, está preocupada, em primeiro lugar, em aumentar sua receita e lucro líquido. Se o remédio atua na causa, no efeito, se resolve ou não o problema, pouco importa. É uma máfia.

    O setor de quimioterapia é pior e mais devastador que existe. Medicamente absurdamente caros, que os médicos tem a coragem de dizer que não são curativos.

    A industria farmacêutica não permite o desenvolvimento da medicina puramente natural, não sejamos ingênuos.

    Alexandre Neuwert

  • Alisson:

    Também tenho notado alguns movimentos anti psiquiatria por parte de alguns profissionais mais ortodoxos, principalmente psicólogos. Existem alguns videos no youtube desses profissionais condenando o uso de medicamentos para tratar distúrbios emocionais.

    • Alexandre Neuwert:

      É porque está se notando que esses problemas psiquiátricos não são de origem física, de modo que somente remédios não são suficientes para a cura de tais doenças.

      Acreditar que se sabe a cura de problemática tão complexa é querer se achar um Deus e não um psiquiatra.

      Alexandre Neuwert

  • Cesar:

    Marcos, eu tenho notado um movimento anti-ciência muito forte nos últimos 10 anos, mas é algo que começou na década de 1960, com os hippies e seu movimento de “volta à natureza”. O que os hippies e o pessoal da “Nova Era” não entendem é que os cientistas são os novos alquimistas, com novos métodos, mais eficazes, e com métodos para verificar o que realmente faz efeito e o que não faz. Existem problemas com a medicina? Existem. A indústria farmacêutica nem sempre age de forma ética e pensando no interesse dos pacientes? Com certeza. Mas isto não é motivo para a gente jogar fora todo o progresso que foi feito, e voltar às pajelanças de antigamente.

  • CLEMENT:

    O fato é :
    Na verdade as pílulas põem os pacientes em “estados induzidos por medicamentos”, como afirma a Dra. Joanna Moncrieff.

    Esta frase tem um fundo de grande verdade, diferentemente de muitos médicos que simplesmente adotam resultados de pesquisas promovidas por laboratórios, que corresponde a pouco mais de 95% de todas as pesquisas médicas ditas “sérias” da atualidade.
    Remédios só servem para tratar manifestações agudas, mas acabam atuando numa fase muito frágil da vida da pessoa e assim acabam viciando…
    São raríssimos os casos em que ocorre alguma cura, manifestação esta decorrente por outros fatores em geral…

    • Regiane Alvarenga:

      A maioria dos remédios psiquiátricos atuais não geram vício, informe-se antes de criticar.

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  • marcos:

    O tratamento medicamentoso tem indicação demonstrada da eficiencia atraves de estudos que comparam grupos de pacientes “placebo VS medicação”, a qualidade de vida do paciente melhora e ocorre a diminuição do sofrimento,,, quem esta apto a decidir se usara medicação ou será somente terapia é o psiquiatra.

    Se a medicação não funcionasse ela não seria superior ao placebo…

    Num recente estudo, uma meta analise da revista “The Lancet” onde foram analisados 120 estudos, no total de 26 mil pacientes, mostrou q sertralina e o escitalopram são os mais eficazes na remissão dos sintomas…

    “Números não se discutem”, Estatistica… Sugiro q evitem titulos como esse da materia, esta criando um preconceito muito grande q esta levando as pesssoas a não buscar ajuda adequada…

    Me assusta essa onda de antipsiquiatria, vejo como uma anticiência… Uma nova “Revolta da Vacina”,,,

    • admin:

      O título é para chamar a atenção mesmo, Marcos. Mas vai direto ao ponto, ou seja, um estado medicamentoso não é necessariamente uma cura. Não significa que o medicamento não seja útil, como o próprio artigo afirma.

  • Rafael:

    Falou-se muito mas não se chegou a lugar algum.

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