Einstein disse que Deus é o “produto da fraqueza humana” e que a Bíblia é uma coleção de “lendas primitivas”: carta

Por , em 4.10.2018

Uma carta de Albert Einstein, na qual o físico diz que Deus é apenas uma expressão da fraqueza humana e que a Bíblia não passa de uma coleção de “lendas primitivas”, será leiloada em Nova York.

Estima-se que o texto, escrito apenas um ano antes de sua morte, em 1955, valha cerca de US$ 1 milhão a US$ 1,5 milhão (no câmbio atual, cerca de R$ 3,8 a 5,8 milhões).

As apostas serão controladas pela casa de leilão Christie’s, no dia 4 de dezembro.

Peter Klarnet, especialista em livros e manuscritos da empresa, disse em um comunicado que a “Christie’s está honrada em apresentar esta importante carta de Albert Einstein, uma vez que trata de temas centrais à investigação humana desde o alvorecer da consciência, e é uma das declarações mais categóricas no debate Religião versus Ciência”.

Conteúdo

Einstein escreveu a carta ao filósofo Eric Gutkind, em resposta ao seu livro “Choose Life: The Biblical Call to Revolt”.

Acredita-se que seja a visão mais reveladora das crenças religiosas do famoso físico, cuja teoria da relatividade geral é um dos pilares da ciência moderna. Einstein, de origem judaica, não acreditava em Deus, mas também não se descrevia como um ateu.

Lê-se no documento: “A palavra Deus não é nada para mim senão a expressão e produto das fraquezas humanas, a Bíblia uma coleção de lendas veneráveis, mas bastante primitivas”1.

Outro trecho afirma: “Nenhuma interpretação, por mais sutil que seja, pode (para mim) mudar alguma coisa sobre isso”2.

Primitivo

Na carta, Einstein diz ao filósofo como eles são parecidos, especialmente naquilo que ele chama de sua “atitude antiamericana”.

Ele fala da religião judaica como sendo igual a “todas as outras religiões”, na medida em que é “uma encarnação de superstição primitiva”.

E prossegue: “E o povo judeu ao qual eu pertenço de bom grado e em cuja mentalidade me sinto profundamente ancorado, ainda para mim, não tem nenhum tipo diferente de dignidade do que todos os outros povos. No que diz respeito à minha experiência, eles não são de fato melhores que outros grupos humanos, mesmo que sejam protegidos dos piores excessos pela falta de poder. De outro modo não posso observar nada ‘escolhido’ sobre eles”3.

A carta termina com uma expressão de compreensão e apreço por Gutkind, e é assinada “com agradecimentos cordiais e melhores votos, A. Einstein”4.

Outras declarações

Em uma carta diferente, escrita cerca de uma década antes, Einstein registrou: “Eu tenho repetidamente dito que na minha opinião a ideia de um Deus pessoal é infantil. Você pode me chamar de agnóstico, mas eu não compartilho o espírito de cruzada do ateu profissional. (…) Eu prefiro uma atitude de humildade que corresponda à fraqueza de nossa compreensão intelectual da natureza e de nosso próprio ser”5. [Newsweek]

1No original: “The word God is for me nothing but the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of venerable but still rather primitive legends”.

2No original: “No interpretation, no matter how subtle, can (for me) change anything about this”.

3No original: “And the Jewish people to whom I gladly belong, and in whose mentality I feel profoundly anchored, still for me do not have any different kind of dignity from all other peoples. As far as my experience goes, they are in fact no better than other human groups, even if they are protected from the worst excesses by a lack of power. Otherwise I cannot perceive anything ‘chosen’ about them”.

4No original: “with friendly thanks and best wishes, yours, A. Einstein”.

5No original: “I have repeatedly said that in my opinion the idea of a personal God is a childlike one. You may call me an agnostic, but I do not share the crusading spirit of the professional atheist. (…) I prefer an attitude of humility corresponding to the weakness of our intellectual understanding of nature and of our own being”.

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4 comentários

  • santoya:

    “Se Deus é produto das fraquezas humanas” o contrário deveria fazer sentido ou seja “as virtudes humanas são produto da não existência de Deus”. Parece que sua experiência com a hipocrisia religiosa ou com a maldade humana vedou sua brilhante mente de investigar a existência Daquele que fez todas a coisas.

    • Cesar Grossmann:

      Não, Santoya, se as virtudes fossem produto da existência de Deus, não haveria hipocrisia religiosa. É tão simples isso, se Deus realmente existisse, seus seguidores seriam testemunho da sua existência. O testemunho que os seguidores de deus dá é de homofobia, intolerância, infidelidade matrimonial, violência, e por aí vai.

  • ENAX:

    Na época que a carta foi escrita o mundo saía da segunda guerra, havia uma depressão generalizada, começava a guerra fria e os judeus ainda tinham o massacre na cabeça, logo não havia motivos para acreditar em Deus nem nas religiões, foi um período muito difícil para a humanidade, logo não me espanto lendo esta carta do Einstein, foi um desabafo. Mas, o próprio Einstein não se disse ateu e se incluiu no rol daqueles que acreditam em Deus por não ter outra explicação para os mistérios do universo. Quase nada a física explica, ela apenas constata e produz hipóteses, e se Deus é fruto da nossa ignorância, a física é uma tácita demonstração que somos realmente ignorantes. Não acreditar em Deus é não acreditar na própria existência, mas o mundo espiritual existe e as religiões conseguem provar através dos milagres que ocorrem todos os dias…

    • Cesar Grossmann:

      Einstein não disse nada disso. E até hoje nenhuma religião conseguiu fazer com que um amputado voltasse a ter o membro perdido.

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