Porque você deve ser agnóstico

Por , em 19.01.2015

Há cerca de 14 bilhões de anos, o universo de repente nasceu. Excelente notícia para a humanidade.

Eu não sei fazer essas contas (na verdade sei fazer muito poucas contas), mas fico perfeitamente feliz em aceitar os cálculos de quem sabe – os físicos, no caso. E mais feliz ainda em viver com o fato de que a física é uma ciência exata que acerta pra caramba – até quando chuta.

Mas, por mais que eu admire o caráter inquestionável das ciências exatas, matemáticos e físicos não sabem nos dizer o que estava acontecendo antes do Big Bang.

Ninguém sabe.

A má notícia é que quando um monte de gente não sabe de coisa alguma, passamos a acreditar (com mais ou menos fervor) em hipóteses.

Para Mark Beeson, professor de Política Internacional da Universidade da Austrália Ocidental, parece que existem duas possibilidades: ou a misteriosa matéria sempre existiu e, espontaneamente, explode de vez em quando (só pra dar uma sacudida nas coisas); ou pode existir algum tipo de força maior no universo (vamos chamá-la de “Deus” para o bem dessa argumentação) que fez/faz tudo acontecer e que acabou se tornando uma grande metáfora descontrolada.

Beeson, contudo, pensa que essas duas possibilidades são igualmente improváveis, já que se considera agnóstico.

Ser agnóstico é pior, melhor ou indiferente?

Isso é você quem tem decidir. Mas quando estiver pensando sobre esse assunto, vale a pena levar em consideração o ponto de vista desse professor.

Ser agnóstico pode parecer uma coisa terrível para alguns, só que é como Beeson pontua: você nunca vai ler sobre um agnóstico fortemente armado ameaçando pedestres aleatórios em nome de qualquer coisa.

Os ateus, ele continua, não são muito melhores, no entanto. Muitas vezes são verdadeiros crentes de um tipo diferente. Benson acha que eles são insuportavelmente presunçosos na melhor das hipóteses, e megalomaníacos homicidas na pior delas. E isso não é uma questão meramente de opinião. Os super-homens seculares que dirigiam a União Soviética, a Alemanha nazista ou a China de Mao são tristes exemplos que desencadearam um número absurdo de mortes e destruição.

Os fundamentalistas (de qualquer tipo) estão em cena por muito mais tempo e têm mais culpa no cartório, nesse quesito. O cristianismo, por sua vez, gostaria de ser a salvação, mas já foi a destruição, e hoje parece que ninguém mais leva essa doutrina a sério. É um rolo danado. Parece que não há nada mais a não ser guerras religiosas sem fim.

O fundamentalismo impera?

Por “fundamentalistas”, entenda verdadeiros fervorosos, ou pessoas que ainda não perceberam que as crenças a que eles tão zelosamente se agarram ainda tem uma base geográfica impressionante.

Será que o cristianismo faz sentido para a maioria dos americanos, por exemplo, ou o Islã para a maioria da população do Oriente Médio, por causa de alguma ressonância teológica transcendental? Mark Beeson acha que não.

Evidências de que Deus é um cara realmente preocupado com o tipo de religião de cada um parecem fracas – se é que existem. Se Deus existe, Ele, que por algum motivo é unanimemente entendido como um cara legal, não parece lá muito preocupado com o nosso destino.

O que Beeson quer dizer com isso é que sempre que alguém é salvo por alguma atrocidade, terremoto ou sobrevive em circunstâncias muito adversas, isso é tido como um “milagre”. Mas a realidade é que ainda estamos rotineiramente enviando dezenas de milhares de pessoas para o céu sem que o Cara Lá De Cima se preocupe muito com isso.

Deus na vida moderna

Uma das características distintivas da vida moderna é que se Deus existe, ele nos deixou um pouco mais livres. No Antigo Testamento, por outro lado, Ele era muito controlador, digamos assim. Sempre dava um jeito de ferir alguém (ou alguéns), reduzindo cidades inteiras às cinzas ou violando algumas das leis da física. É apenas uma coincidência que nossa compreensão de tais leis mudou, ou Deus também têm ido para um retiro e dado um tempo da gente?

Eu diria que é no mínimo surpreendente que o Islã radical se distingua por uma visão de mundo notavelmente medieval em que o pensamento crítico e individual são absurdamente desencorajados. A frase “um cego guiando outro” nunca pareceu mais apropriada. [science20]

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24 comentários

  • Evandro Maggiore:

    Desculpem não é possível aceitar seres mágicos que criam universos só porq não somos capazes de imaginar o antes…

  • Christyan Yury:

    “Se deus é todo poderoso ele não pode ser inteiramente bom, e se é inteiramente bom, não pode ser todo poderoso.”

  • Neo:

    Carl Sagan, grande cientista, disse: A ausência da evidência não significa evidência da ausência. Deus existe, mas não é como imaginamos.

    • Cesar Grossmann:

      É um argumento um pouco complicado… Parece um pouco com o Chicó: “não sei como é, só sei que é assim”.

  • Neo:

    O grande cientista Carl Sagan disse: “A ausência da evidência não significa evidência da ausência”. Deus existe, mas Ele tem outra forma…

  • Gustavo Gomes:

    Só um adendo ao texto: grandes líderes de regimes ateus, como URSS e China, fizeram grandes massacres de fato – mas NÃO em nome do ateísmo.

  • Evandro Maggiore:

    Vou ser bem direto… não preciso da ciência para provar q deus n existe, essa prova vem de se provar q ele exit… como n provam nada…

  • Kevin Ferre:

    Se Deus existe, não é que ele é indiferente ou atencioso, apenas não podemos alcançar-lo da forma que as pessoas pensam.

  • Piero Mayer:

    Renegar o conhecimento… ainda que transcendental… é renegar a própria existência e razão de ser !!!!

  • Dirceu Junior:

    Só acho que qualquer tipo de fanatismo acaba com o ser humano.

  • Matheus F.:

    Muita gente acredita em religiões ou coisas relacionadas simplesmente porque é mais fácil acreditar…

  • Geraldo Francisly:

    O ser humano e seu medo de realmente existir esse deus mal e vingativo que quase todas as religiões pintam…

  • Eduardo Felipe:

    Não há lógica para ser agnóstico sobre Deus, e ter certeza absoluta que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa não existem.

  • ydecazio:

    Agnósticos porque afirmam que a existência de uma divindade ou é incognoscível, em princípio, ou ainda é, de fato, desconhecida.

    • Cesar Grossmann:

      Existe o incógnito, o que é desconhecido, e o incognoscível, o que não pode ser conhecido. O ateu tem certeza que Deus é invenção humana – quem afirma que ele existe não oferece nenhuma evidência apoiando a afirmação, e “o que pode ser afirmado sem evidência, pode ser rejeitado sem evidência”. Minha convicção pessoal é que o fato que a maioria das culturas inventa deuses e são todos diferentes é um indício que “Deus” é uma construção cerebral, um efeito colateral da maneira como o cérebro funciona. Esta construção é influenciada pelo ambiente em que a pessoa se encontra (sua cultura, história, o ambiente natural, etc.).

  • Bielzinho:

    Na minha opinião, SE deus existe, ele não interfere em nada na terra, nos nossos destinos, etc… com certeza não é o da bíblia.

  • Gabriel Silvério:

    Sua vida passa num piscar de olhos, aproveite todo tempo possível para fazer a diferença na sua vida e também na vida de outras pessoas.

  • Cesar Grossmann:

    A diferença entre um agnóstico e um ateu é que o agnóstico não sabe que é ateu. Ou finge não ser. Agora, colocar na conta do ateísmo as atrocidades dos stalinistas e dos nazistas é digno de crentes fundamentalistas…

    • Cesar Grossmann:

      Por outro lado, os agnósticos não se importam com o que você acredita. Não vão tentar te convencer de nada, nem mesmo do agnosticismo.

    • Paulo Junior:

      Cesar, agnósticos seriam uma espécie de céticos pirronistas?

    • Rodrigo Corrêa:

      A célebre falácia da falsa relação de causa e efeito entre eventos simultâneos e independentes …

    • Everson Schneider:

      Fanatismo em qualquer meio trouxe desgraça para humanidade, sendo ele nazista,da “era” stalin ou ate mesmo religioso.

    • Gustavo Gomes:

      EXATAMENTE.
      Os regimes ateus NUNCA promoveram massacres em nome do ateísmo, mas sim em virtude de suas posições políticas.

  • Gabriel Silvério:

    Porque tendo capacidade para filosofar não o faz, então prefere se render à você mesmo ao invés de buscar conhecimento…

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