Em uma simulação recente, um coronavírus matou 65 milhões de pessoas

Por , em 28.01.2020

O surto do 2019-nCoV, um tipo de coronavírus descoberto este ano na China, está causando preocupações globais, e não sem motivo: enquanto os casos confirmados da doença já alcançaram a marca de 2.744, pesquisadores estimam que os números reais sejam muito mais altos e que a epidemia atinja até 190 mil pessoas em fevereiro.

Exagero? Provavelmente não.

Em outubro do ano passado, uma equipe de especialistas em saúde, autoridades governamentais e empresários se reuniu para um exercício em Nova York, nos EUA, justamente para planejar uma resposta a uma epidemia global de um desconhecido (e completamente ficcional) coronavírus.

O objetivo da simulação, uma colaboração entre o Centro para Segurança da Saúde Johns Hopkins, o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates, era justamente tentar prever (e melhorar) nossa reação a um possível surto de um vírus nunca visto, servindo como uma experiência de aprendizado para detectar nossas falhas a uma resposta pandêmica.

E certamente existem problemas.

65 milhões de pessoas

Apesar de conter especialistas em saúde da Organização das Nações Unidas e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, além de acadêmicos e representantes de empresas privadas – exatamente os mesmos tipos de pessoas que provavelmente planejariam a nossa resposta a uma pandemia de coronavírus real -, quando o grupo de 15 pessoas terminou a simulação de três horas e meia, 65 milhões de pessoas tinham morrido, apesar de seus melhores esforços.

O coronavírus no centro do “Evento 201” se chamava CAPS e começava com porcos no Brasil antes de contaminar agricultores e se espalhar entre pessoas, não muito diferente de como o 2019-nCoV supostamente começou, passando de animais para pessoas em um mercado.

Na simulação, o CAPS infectou pessoas de todo o mundo em apenas seis meses. Depois de 18 meses, já tinha atingido 65 milhões de pessoas e causado uma crise financeira global.

Ações

A semelhança entre este exercício tão recente e a situação atual é assustadora. Apesar disso, o grupo disse que os resultados não devem causar medo, uma vez que foram utilizados para destacar o impacto de uma epidemia e a importância de se preparar para ela.

Ao fim da simulação, os 15 envolvidos criaram uma lista de sete ações que os líderes dos setores privados e governamentais poderiam tomar para se preparar para um cenário como o “Evento 201”.

Estes são:

  1. Governos, organizações internacionais e empresas devem planejar agora como suas capacidades corporativas essenciais serão utilizadas durante uma pandemia de larga escala;
  2. A indústria, os governos nacionais e as organizações internacionais devem trabalhar juntos para aprimorar os estoques internacionais de contramedidas médicas para permitir uma distribuição rápida e equitativa durante uma pandemia severa;
  3. Países, organizações internacionais e empresas de transporte global devem trabalhar juntas para manter viagens e comércio durante pandemias graves. Viagens e comércio são essenciais para a economia global, bem como para as economias nacionais e até locais, e devem ser mantidas mesmo diante de uma pandemia;
  4. Os governos devem fornecer mais recursos e apoio ao desenvolvimento e fabricação rápida de vacinas, terapias e diagnósticos que serão necessários durante uma pandemia grave;
  5. Os negócios globais devem reconhecer o ônus econômico das pandemias e lutar por uma preparação mais forte;
  6. As organizações internacionais devem priorizar a redução dos impactos econômicos de epidemias e pandemias;
  7. Os governos e o setor privado devem atribuir uma prioridade maior ao desenvolvimento de métodos para combater desinformação e má informação antes da próxima resposta à pandemia.

Tendo em vista que as resoluções foram feitas apenas três meses atrás e que o ser humano é uma espécie que demora a tomar ação, no entanto, permanece o receio de que seja tarde demais para prevenir as mortes de milhões de pessoas devido ao 2019-nCoV. [Futurism, CHS]

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3 comentários

  • Carol Mezasini:

    As indústrias farmacêuticas adoram histerias coletivas. Até hoje estou esperando pegar H1N1, e nada.

    • Cesar Grossmann:

      Não, Carol, as indústrias farmacêuticas ganham o suficiente com produtos de beleza. Tudo que elas precisam fazer é botar o rosto photoshopado de uma supermodelo em um outdoor e pronto, a vaidade feminina vai encher os bolsos deles. Outra coisa, não deixou de escapar da minha atenção a falácia da evidência anedótica. Quer dizer, você não pegou a gripe H1N1 e concluiu que isso é histeria coletiva. Essa não é uma atitude muito racional.

  • Gabriel Petrone:

    Tive até mal-estar lendo essa matéria, até chegar no tópico “Ações”… Ainda estou assustado mas um pouco mais aliviado. Será que o primeiro parágrafo do tópico “Ações” não poderia estar mais pra cima? Tipo no 3º parágrafo? De qualquer forma, obrigado pela informações e vamos nos preparando da forma que podemos. Continuo acompanhando o Hype como sempre e aguardo novidades.

    Abraços!

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