Errar é tecnológico: celulares que podem cometer erros duram mais tempo

Por , em 6.06.2011

“Errar é humano, perdoar é divino”. Mas será que o mesmo princípio pode ser aplicado a computadores? Essa é mais ou menos a premissa de um campo em crescimento, que permite aos computadores cometer pequenos erros.

Isso porque os processadores modernos gastam uma grande quantidade de energia em circuitos de verificação de erros. E devido ao risco de erros, eles têm de operar em alta voltagem, o que consome ainda mais energia.

Pesquisadores agora pretendem desenvolver novos mecanismos que deixem passar tais erros. Assim, menos energia é gasta e as demandas de verificação de erros também podem ser reduzidas.

Tendo isso em mente, o professor de Engenharia da Computação da Universidade de Illinois, Rakesh Kumar, que é pioneiro no assunto, e seu colega de profissão da Universidade de Washington, Ceze Luis, publicaram um novo estudo em que um inédito software foi instalado em um sistema para permitir erros e reduzir o consumo de energia.

Os resultados mostram uma redução no consumo de energia na faixa de surpreendentes 50%, mantendo a estabilidade do sistema. Ou seja, metade de toda a energia gasta por um aparelho eletrônico serve apenas para controlar possíveis erros.

Ceze ainda acredita que reduções de até 90% serão possíveis após uma eventual melhora no método. “Nós todos sabemos que o consumo de energia é um grande problema. Com a implementação do nosso sistema, os usuários de telefones celulares terão uma bateria que dura duas vezes mais, e até aparelhos menores”, projeta. “Os centros de computação também seriam beneficiados, já que a conta de energia cairia aproximadamente pela metade”.

Dentro de um telefone celular, por exemplo, existem dois tipos distintos de interfaces de programação de aplicações (API na sigla em inglês), que são o conjunto de padrões estabelecidos por um software para seu funcionamento.

Uma API é usada para tarefas de precisão – como telefonar para o número selecionado ou digitar sua senha. A outra API fica encarregada das demais tarefas, não tão essenciais para o funcionamento do sistema e que, portanto, pode apresentar pequenas falhas, como a configuração de jogos e demais aplicativos extras de um dispositivo móvel.

As duas APIs são separadas por uma barreira “impenetrável” de codificação e não são autorizadas a misturar informação, segundo os pesquisadores. A área que aceitaria as falhas menores seria apenas aquela que lida com informações não essenciais ao funcionamento do sistema, garantem.

Através de combinações especiais entre hardware e software, eles esperam que os ganhos de energia atinjam 90% para algumas aplicações. “Nosso objetivo a longo prazo é de melhora da vida da bateria em até dez vezes. Acredito que poderemos alcançar essa meta se continuarmos a trabalhar para desativar essa precisão desnecessária”, afirma Ceze.[DailyTech]

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9 comentários

  • Gabriel Zambon:

    Acho que o Artigo não foi muito claro em como os erros de processamento podem melhorar a Velocidade e o consumo de energia sem prejudicar a confiabilidade do sistema, com certeza algum algoritmo ou sistema de correção de erro será empregado, é só compararmos alguns sistemas de correção de erros atuais:
    – “Reed–Solomon error correction”: é usado para CD´s e DVD’s, pois perceberam essas mídias eram falhas (tanto por fabricação quanto a arranhões) e que colocar certa redundância seria mais inteligente que fazer um sistema mais confiável.
    – “Forward error correction”: é usado para telecomunicações, pois novamente o meio não é confiável então é melhor transmitir a altas velocidades e corrigir um possível erro depois que enviar à baixas velocidades pare ter certeza que não haverá erro.
    Então o estudo está concluindo que é mais eficiente deixar o processador errar corrigir o erro depois que funcionar num “modo seguro” só que ineficiente. Agora resta saber como é o algoritmo que fará essa correção e se isso é realmente possível.

    • Alex:

      Gabriel, seu comentário foi mais esclarecedor que a própria matéria.
      Foi um complemento técnico perfeito para compreender que os desenvolvedores dessa tecnologia não perderam a sanidade mental. Só estão pensando “fora da caixa”.

  • Pedro:

    poxa obrigado minha vida mudou totalmente depois dessa informação

  • Rodrigo Paim:

    Há um motivo para tanta verificação de possíveis erros. Quando as pessoas compram um produto, querem que ele funcione corretamente.

    • renato_kami:

      como disse na matéria o sistema que eles desenvolveras permitem erros que não sejam prejudiciais ao funcionamento do aparelho…acredito que as maquinas estão se tornando cada vez mais parecidas conosco, agora elas vão ser permitidas errar =O o q vem depois?

  • eduardo:

    Voltamos ao Windows 95……

  • Ze da Feira:

    Isso pode até contribuir para uma evolução natural das máquinas. assim como nós seres vivos que evoluimos apartir de pequenos “erros” genéticos que podem ser bem sucedidos e se tornarem o padrão o mesmo pode acontecer com os softwares. sem querer acho que pode ser um grande passo para inteligencia artificial.

  • Alex:

    Você compraria um celular que suscetível à “Tela Azul da Morte”?

    Se com todas as proteções nós já convivemos com os Bugs dos Softwares imagine com bugs de hardware também.

    Particularmente prefiro perder um pouco de autonomia na bateria.

  • Marcelo Ribeiro:

    Só falta agora um celular com o novo sistema mais propenso a falhas ligar para a minha sogra quando quero ligar para minha esposa.

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