Uma paisagem invisível por mais de 40.000 anos ressurgiu no Ártico

Por , em 28.01.2019

Uma paisagem ártica canadense, coberta de gelo por mais de 40 mil anos, ressurgiu recentemente depois de todos esses milênios invisíveis.

Segundo uma nova pesquisa da Universidade do Colorado em Boulder (EUA), a região pode estar experimentando seu século mais quente em 115 mil anos.

A análise

O estudo utilizou datação por radiocarbono para determinar as idades das plantas coletadas nas bordas de 30 calotas de gelo na Ilha de Baffin, a oeste da Groenlândia. A ilha experimentou um aumento de temperatura significativo nas últimas décadas.

“O Ártico está se aquecendo duas a três vezes mais rápido que o resto do globo, então, naturalmente, geleiras e glaciais vão reagir mais rápido”, disse Simon Pendleton, principal autor do estudo, ao portal Phys.org.

Baffin é a quinta maior ilha do mundo, dominada por fiordes separados por planaltos de alta elevação e baixo relevo. O fino e frio platô de gelo atua como uma espécie de geladeira natural, preservando musgos e liquens antigos em sua posição original de crescimento por milênios.

“Nós viajamos para as margens do gelo, coletamos amostras de plantas recém-expostas preservadas nessas paisagens antigas e realizamos datação por radiocarbono para ter uma noção de quando foi a última vez que o gelo avançou sobre esse local. Como as plantas mortas são eficientemente removidas da paisagem, a idade das plantas enraizadas define a última vez em que os verões foram tão quentes, em média, quanto os do século passado”, esclareceu Pendleton.

Resultados

Os pesquisadores coletaram 48 amostras de plantas. Também analisaram o quartzo de cada local, a fim de estabelecer ainda melhor a idade e história da cobertura de gelo da paisagem.

Depois que as amostras foram processadas nos laboratórios da Universidade do Colorado e da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), os cientistas descobriram que as plantas antigas em todas as 30 calotas de gelo estiveram continuamente cobertas por gelo pelo menos nos últimos 40.000 anos.

Quando comparados com dados de temperatura reconstruídos a partir dos núcleos de gelo de Baffin e Groenlândia, as descobertas sugerem que as temperaturas modernas representam o século mais quente para a região em 115.000 anos, e que a ilha de Baffin pode ficar completamente sem gelo nos próximos séculos.

“Ao contrário da biologia, que passou os últimos três bilhões de anos desenvolvendo esquemas para evitar ser afetada pela mudança climática, as geleiras não têm estratégia de sobrevivência”, explicou Gifford Miller, outro autor da pesquisa. “Elas respondem diretamente à temperatura do verão. Se os verões esquentam, elas imediatamente retrocedem; se os verões esfriam, elas avançam. Isso faz delas um dos mais confiáveis indicadores para mudanças na temperatura do verão”.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na prestigiada revista científica Nature Communications. [Phys]

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