Este meteorito bizarro voou pelo espaço antes da Terra nascer

Por , em 9.08.2018

Um estranho meteorito verde brilhante de 4,6 bilhões de anos, formado logo antes do nosso sistema solar, pode ajudar os cientistas a aprender mais sobre como os planetas se constituíram.

NWA 11119

A rocha espacial, nomeada Northwest Africa (NWA) 11119, é do tamanho de uma bola de beisebol.

Um comerciante de meteoros a adquiriu em 2016 e a enviou para Carl Agee, um geólogo planetário e curador de meteoritos da Universidade do Novo México (EUA), para estudá-la. Agee e sua aluna de doutorado, Poorna Srinivasan, analisaram o objeto e, a princípio, estavam céticos de que tivesse realmente vindo do espaço.

“Nós não achávamos que essa rocha fosse um meteoro. Pensávamos que era da Terra. Depois de um exame mais detalhado, vimos que não poderia, de forma alguma, ser daqui”, explicou Srinivasan ao portal Live Science.

Embora se parecesse com rochas vulcânicas do nosso planeta, sua composição química indicava que era definitivamente espacial, e bastante incomum.

Semelhança com a crosta terrestre

O NWA 11119 é um meteorito ígneo, o que significa que foi formado pelo resfriamento e solidificação de magma ou lava (a lava é o nome dado ao magma quando ele atinge a superfície de um planeta).

Com 4,6 bilhões de anos, o NWA 11119 é o mais antigo meteorito ígneo já descoberto. Vários meteoritos não ígneos são ainda mais antigos.

Grandes cristais de sílica, chamados tridimita, representam cerca de 30% do NWA 11119. Essa quantidade de tridimita é comparável à encontrada em rochas vulcânicas na Terra, mas é inédita em meteoritos.

No geral, sua composição é notavelmente similar ao material que compõe a crosta terrestre, a camada externa de rocha ao redor do planeta. É por isso que os pesquisadores suspeitam que o NWA 11119 seja uma rocha vinda da crosta de um asteroide que se formou de maneira semelhante a como a crosta terrestre se formou.

Mistérios astronômicos

Análises químicas adicionais revelaram que o meteorito se assemelha a outras duas rochas espaciais incomuns, a NWA 7235 e a Almahata Sitta, sugerindo que todas as três podem ter se originado do mesmo corpo.

Ainda há muito que os cientistas não sabem sobre como os planetas são formados, mas uma descoberta como essa pode ajudá-los a entender como uma versão anterior da Terra poderia ter se parecido.

A teoria atual é de que, aproximadamente 4,5 bilhões de anos atrás, a explosão catastrófica de uma estrela massiva, uma supernova, fez com que uma imensa nuvem de poeira e gás cósmico se juntasse e formasse nosso sistema solar. Mas exatamente como os planetas se desenvolveram permanece um mistério para os cientistas.

“Ainda há muito a aprender sobre como a crosta da Terra poderia ter se formado. Nós apenas raspamos a superfície”, concluiu Srinivasan.

Um artigo sobre o exótico meteorito foi publicado na revista científica Nature Communications. [LiveScience]

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