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Este meteorito contém uma surpreendente evidência da história espacial

Um novo estudo da Universidade de Washington (EUA) descobriu algo inesperado em um pedaço de meteorito: grãos pré-solares onde eles não deveriam estar.

Isso pode revelar algo surpreendente sobre a história do espaço.

Grãos pré-solares

Grãos pré-solares são pequenos pedaços de material interestelar formados antes do nosso sol existir.

Eles são por vezes descobertos em meteoritos muito antigos, mas não eram esperados no pedaço onde foram encontrados, pois não deveriam sobreviver ao ambiente no qual ele foi desenvolvido.

“Curious Marie”

O objeto estudado se chama “Curious Marie”, em homenagem à química Marie Curie, e faz parte da coleção do Museu de Chicago (EUA).

É um exemplo de “inclusão” – um pedaço dentro de um meteorito conhecido oficialmente como “inclusão rica em cálcio e alumínio”, ou CAI na sigla em inglês.

As inclusões são alguns dos primeiros pedaços de meteorito a ter se condensado na nebulosa solar – a nuvem de gás e poeira do cosmos relacionada diretamente com a origem do sistema solar -, de modo que podem auxiliar os cientistas a definir a idade do sistema solar.

Metodologia

No novo experimento, a equipe utilizou assinaturas isotópicas de gases nobres para analisar a inclusão.

Para isso, os pesquisadores utilizaram dois espectrômetros de massa construídos na Universidade de Washington, um dos melhores laboratórios equipados para gases nobres no mundo.

Os cientistas analisaram 20 mg do “Curious Marie”, uma amostra relativamente grande do ponto de vista da cosmoquímica. Ela foi esquentada progressivamente, e sua composição medida a partir de quatro diferentes gases nobres liberados a cada um dos 17 passos.

Depois, a equipe analisou as assinaturas com calma, desvendando o quebra-cabeça e concluindo que a amostra continha grãos de carboneto de silício pré-solares.

Carboneto de silício  

Até então, os cientistas pensavam que os grãos pré-solares eram frágeis demais para tolerar as condições de alta temperatura que existiam próximas ao nascimento do nosso sol.

Mas nem todos os CAIs se formam da mesma maneira.

“O fato de grãos de carboneto de silício pré-solares estarem presentes em inclusões refratárias nos diz muito sobre o ambiente da nebulosa solar na condensação dos primeiros materiais sólidos. O fato de eles não terem sido completamente destruídos em ‘Curious Marie’ pode nos ajudar a entender um pouco melhor esse ambiente”, disse a principal autora do estudo, Olga Pravdivtseva, do Centro McDonnell de Ciências Espaciais da Universidade de Washington.

Próximos passos

Segundo Pravdivtseva, muitas inclusões refratárias derreteram e perderam todas as evidências de sua condensação.

Outros estudos já haviam procurado provas de grãos pré-solares em inclusões ricas em cálcio e alumínio usando gases nobres antes, mas sua equipe é a primeira a encontrá-las.

“Não apenas vemos os grãos no CAI, como também vemos uma população de grãos pequenos que se formaram em condições especiais. Essa descoberta nos obriga a rever como entendemos as condições nas primeiras nebulosas solares”, completou.

Um artigo sobre essa pesquisa foi publicado na revista científica Nature Astronomy. [Phys]

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