Pesquisadores encontram açúcares essenciais para a vida em meteoritos

Por , em 20.11.2019

Uma das teorias mais interessantes sobre a origem da vida na Terra é que foram os meteoritos que trouxeram para cá alguns dos ingredientes essenciais para criá-la, diretamente do espaço.

Pesquisas anteriores, por exemplo, descobriram aminoácidos (componentes de proteínas) e bases nitrogenadas (componentes de DNA e RNA) nesses objetos.

Agora, um novo estudo de colaboração internacional encontrou mais um elemento importante para a vida em meteoritos: açúcares.

“Outros elementos importantes da vida foram encontrados em meteoritos anteriormente, mas os açúcares eram uma peça que faltava entre os principais componentes da vida. A pesquisa fornece a primeira evidência direta de ribose no espaço e entrega de açúcar à Terra. O açúcar extraterrestre pode ter contribuído para a formação de RNA na Terra prebiótica, o que possivelmente levou à origem da vida”, explicou o principal autor do estudo, Yoshihiro Furukawa, da Universidade Tohoku (Japão).

Análise

Os pesquisadores analisaram amostras em pó de meteoritos usando espectrometria de massa por cromatografia em fase gasosa, descobrindo ribose e outros açúcares essenciais como arabinose e xilose em dois meteoritos ricos em carbono diferentes, o NWA 801 (tipo CR2) e o Murchison (tipo CM2).

A ribose é um componente essencial do RNA. Hoje, consideramos o DNA o modelo para a vida, mas o RNA também carrega informações importantes e algumas teorias ditam que foi ele quem evoluiu primeiro na Terra, sendo substituído pelo DNA mais tarde.

Isso porque as moléculas de RNA têm capacidades que o DNA não tem, como a de fazer cópias de si mesma sem ajuda de nenhuma outra molécula ou iniciar e acelerar reações químicas.

O novo trabalho fornece evidências para apoiar essa possibilidade. “O açúcar no DNA (2-desoxirribose) não foi detectado em nenhum dos meteoritos analisados neste estudo. Isso é importante, pois pode ter havido um viés de entrega de ribose extraterrestre para a Terra primitiva, o que é consistente com a hipótese de que o RNA evoluiu primeiro”, disse outro autor do estudo, Danny Glavin, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA (EUA).

Mais informações

Os pesquisadores tiveram o cuidado de descartar a possibilidade de contaminação a fim de determinar que os açúcares realmente vieram com o meteorito do espaço.

Uma dessas medidas foi a análise de isótopos. A vida na Terra usa mais frequentemente uma variedade mais leve de carbono (12C); já o carbono nos açúcares dos meteoritos era uma versão mais pesada (13C), encontrada além da quantidade observada na biologia terrestre.

“É notável que uma molécula tão frágil quanto a ribose possa ser detectada em material tão antigo. Esses resultados ajudarão a guiar nossas análises de amostras primitivas dos asteroides Ryugu e Bennu, a serem devolvidas pela Hayabusa2 da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão e pela sonda OSIRIS-REx da NASA”, complementou Jason Dworkin, outro autor do estudo, também do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA (EUA).

Os próximos passos do estudo serão analisar mais meteoritos para entender melhor a abundância de açúcares extraterrestres e descobrir se essas moléculas vêm em variedades que combinam com as da Terra, aumentando a probabilidade de que a vida aqui foi fomentada por impactos de meteoritos.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. [Phys]

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