Estranha salamandra dá esperança para amputados

Por , em 22.06.2009

Uma rara salamandra mexicana com capacidade de regenerar partes de seu corpo está sendo geneticamente modificada e poderá um dia ajudar humanos com amputações. O axolotl, também conhecido como salamandra mexicana, tem 15 centímetros e está quase extinta em seu único habitat, os poluídos canais que passam pela Cidade do México.

Mas o animal e a sua curiosa aparência, quase sorridente, está se reproduzindo com facilidade em laboratórios. Ele tem a capacidade de regenerar membros amputados, pele, órgãos, parte do cérebro e até a medula. Outros animais têm a capacidade de regeneração, mas apenas a salamandra mexicana consegue recriar tantas partes do corpo, e tantas vezes durante sua vida. No laboratório em que é conduzido o estudo, um axolotl que teve a perna arrancada por outra salamandra começa a recriar sua perna, com dedos e tudo.

“Humanos reparam seus tecidos, mas não perfeitamente, enquanto o axolotl, quando machucado, entra em um processo em que repetem o processo de um embrião”, explica Elly Tanaka, do Centro de Terapias Regenerativas, em Dresden, Alemanha. Tanaka teve sucesso em um experimento que adicionou um gene que emite brilho em axolotls sem nenhum pigmento, para observar o processo de regeneração. O objetivo é comparar a regeneração com o processo de cicatrização humano.

Depois da amputação, os vasos sanguíneos das salamandras se contraem rapidamente e impedem o sangramento, e as células epiteliais cobrem o machucado com o que é chamado de blastema, um conjunto de células semelhantes às células-tronco, que dão origem à nova parte do corpo. O genoma do axolotl é dez vezes maior que o dos humanos, mas Tanaka e outros cientistas esperam encontrar lá a resposta ao porquê da salamandra regenerar um membro novo perfeitamente, e não apenas parte dele, por exemplo.

Humanos têm a capacidade de regenerar uma ponta de um dedo, se ela for cortada acima da articulação. Se o machucado for limpo e protegido apropriadamente, o dedo consegue recuperar sua forma e impressão digital sozinho. “Logo humanos poderão aproveitar essa incrível habilidade (de regeneração)”, escreveram os especialistas Ken Muneoka, Manjong Han e David Gardiner em um artigo sobre a regeneração. Eles acreditam que em uma ou duas décadas partes do corpo humano poderão ser recuperadas, de modo semelhante ao das salamandras.

Quase extintas

Atualmente existem mais axolotls em cativeiro do que em seu habitat natural, e sua população nos canais da Cidade do México é constituída de apenas 400 salamandras, colocando-as em risco de extinção. O povo asteca construiu a cidade em uma ilha no meio de um lago que foi drenado durante os séculos de exploração dos espanhóis e pelo crescimento urbano. Os astecas comiam as axolotls e usavam as salamandras também na medicina, e acreditavam que os animais eram reencarnações do deus Xolotl, que teria passado por uma metamorfose para não ser sacrificado.

As salamandras mexicanas são ameaçadas por derramamentos químicos nos canais da cidade, águas provindas de esgotos e também por populações não nativas de peixes, que competem com elas por comida no habitat. Luis Zambrano, da Universidade Autônoma do México, afirma que se os axolotls desaparecem em seu habitat natural, isso terá implicações na diversidade genética das populações de salamandras usadas em pesquisas. [MSNBC, Foto]

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3 comentários

  • TreinadorPokemon:

    Vou pegar minha Pokebola :]

  • Guilherme Ferreira:

    Eu pagaria CARO pra ter uma dessas como bichinho de estimação. Pena que ela seja aquática… Ia ser legal sair andando com ela pra todo canto em cima da cabeça ^^

  • AtomicBlue:

    Tenho que falar: Acho essa salamandra TÃO simpática!

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