Estudo indica que animais sabem diferenciar certo do errado

Por , em 8.11.2011

Se você tem um cachorro de estimação, pode já tê-lo flagrado fazendo algo errado. A autêntica cara de culpado que ele faz, no entanto, é que pode te surpreender. Um recente vídeo mostra um cãozinho fazendo uma comovente expressão de culpado quando o dono descobre que ele revirou o lixo da cozinha. Será que ele sabia que tinha feito besteira?

Casos como esse são um prato cheio para o estudo da Etologia, a ciência que investiga o comportamento dos animais. A Etologia, como explicam pesquisadores da Universidade do Colorado (EUA), sempre foi muito cética em considerar que os animais pudessem ter senso de moralidade, ou seja, diferenciar boa ações de más ações.

Mas uma série de estudos, ao longo dos últimos anos, tem dado evidências do contrário.

Os canídeos (família animal que abrange, além de cachorros, lobos coiotes e outras espécies), nesse caso, são um ótimo objeto de pesquisa. Lobos e coiotes, por exemplo, apresentam um estrito código de conduta na sua vida em alcateias. Dentro do círculo social desses animais, já se observaram atos de altruísmo, tolerância, perdão, reciprocidade e justiça em estudos anteriores.

No caso específico dos cães, isso se verifica em canis de treinamento. É possível fazer dois cachorros brincarem um com o outro seguindo um complexo código de conduta. Em jogos como esses, eles latem com intenções amigáveis, rolam pelo chão se revezando no papel de quem domina (para que um dê ao outro a chance de “vencer” a luta), fazem movimentos cuidadosos para não machucar e parecem “se desculpar” quando exageram um pouco.

Entre lobos e coiotes, quebrar esses códigos de comportamento é um problema sério, que todo o resto do grupamento é capaz de perceber e dar sinais de reprovação. A consequência pode ser a exclusão do grupo, o que é terrível para o indivíduo. Tudo isso é indicativo de um amplo senso de moral entre os canídeos.

O senso de justiça por parte dos cães foi comprovado por um estudo da Universidade de Viena (Áustria). Eles faziam uma pequena brincadeira de “apertar as mãos” dos cachorros, que participavam felizes sem saber se ganhariam uma recompensa. Em seguida, repetiram o experimento em outros cães, e deram a estes um biscoito depois da brincadeira. Os cães do primeiro grupo deram claros sinais de estresse, tais como latir e grunhir.

Esse senso de moral, embora seja aparentemente uma realidade, é de difícil comprovação. Analisar o cérebro de animais nunca foi uma tarefa fácil, e a missão é dificultada em casos abstratos como esse, que não são completamente compreendidos sequer em seres humanos.

Uma pista foi fornecida após um experimento do Instituto de Tecnologia do Massachussets (MIT), realizado em pessoas. Eles acoplaram um aparato magnético a uma região do cérebro chamada de junção temporo-parietal.

A ação do ímã nessa área cerebral, aparentemente, desarranjava por alguns momentos a habilidade das pessoas de fazer julgamentos morais. Quando perguntados sobre determinadas ações que eles antes julgaram imorais, os participantes as consideravam mais aceitáveis depois do experimento.

Os pesquisadores acreditam que esse mecanismo seja semelhante em animais. Embora não haja a mesma complexidade, é provável que uma única área no cérebro seja responsável por esse senso de moralidade para eles. Mas ainda é preciso, conforme admitem os cientistas, realizar estudos mais minuciosos nesse campo. [Life’sLittleMysteries]

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9 comentários

  • ARIOVALDO BATISTA:

    Há uma crença sem fundamento que só o “homem” possui inteligência racional. Aliás, começa na própria inteligência, que se divide em “inteligência instinto” e “inteligência razão”, no fundo só há uma inteligência, que é algo que presumo definir o que seja Vida. NÃO HÁ VIDA SEM INTELIGÊNCIA.Pensar que possa ser atributo da matéria, é outro equívoco que so se justifica como “domga de fé de alguma crença”.
    É claro que todos os animais têm inteligência racional,A QUESTÃO É O GRAU DE EVIDÊNCIA EM QUE OCORRA. Um matemático escreveu um livro a respeito, e começou observando seu cão quando passeavam pela praia. Quando jogava algum objeto na água “transfersalmente”, o cão nadava até lá, e voltava com o objeto. Quando jogava “inviesado”, o cão primeiro corria uma certa distância pela areia, depois entrava nadava até o objeto. FEZ SUAS CONTAS MATEMÁTICAS E CONCLUIU QUE A TRAJETÓRIA DO CÃO ERA A MAIS RÁPIDA E ECONÔMICA DO PONTO DE VISTA DE ENERGIA. E nem sequer era uma “trajetória de triângulo retângulo”, ele entrava na água um “pouco antes’ dos 90 graus para nadar até o objeto! O cão “sabia” mais física e matemática do que o professor!! E nasceu “sabemdo isso”?
    Claro que não, nem fazia cálculo algum, ELE SIMPLESMENTE APRENDEU QUE ESSA ERA A FORMA DE PEGAR O OBJETO! Aprendemos que a menor distância entre dois pontos é a reta entre os pontos, MAS NEM SEMPRE É A FORMA MELHOR DE ATINGIR ESSE PONTO. O cão simplesmente aprendeu de alguma forma, com certeza ou no “utero” de sua máe, ou no “treinamento” como “garoto” que é assim que se faz, POUCO SE É MATEMÁTICO OU NÃO.
    Agora alguém ou alguma coisa PODE APRENDER ALGO SEM INTELIGÊNCIA?
    Será que quando a planta dentro de casa procura a claridade, faz isso por “burrice”?

    arioba

  • Elizabeth:

    Deveria ser o contrário, mas o ser humano tem muito a aprender com os animais.

  • André:

    Cachorro é o animal mais sentimental que exite!!

  • Flor de Lis:

    Realmente… Meu cachorro é assim: quando faz traquinagem sai de fininho, se esquivando pra eu não ver… jura q não foi ele q aprontou. rsrsrsrs.

    • Ezio José:

      Os animais são ensinados desde pequenos a controlarem seus instintos em certas ocasiões sob pena de reprimendas. Crescem assim e distingue, por medo, algumas de suas atitudes que sabe sentir na pele os resultados.
      Nós, humanos, quando criados sob regime de repressão comportamo-nos da melhor forma possível, com educação, respeito ao próximo e às leis. Nosso filhos de outrora não cruzavam espaço onde uma conversa acontecia entre adultos. Hoje, na frente de visitas, não só cruza como xingam os pais e debatem à altura.
      A diferença entre o ser racional e o ser irracional é que nós na qualidade de racionais podemos e sabemos o que é certo ou errado e optamos sempre pelo errado para satisfazer nosso ego que hoje em dia é livre para invandir qualquer espaço.

    • Alfa:

      Pois bem saiba que crianças como essas sempre existiram,vocês que não repaparam antes!

  • Halanna:

    Tenho dois cachorrinhas aqui…nao são mais filhotes… mas são tão inteligentes … quando fazem alguma coisa errada agente ja percebe pq eles se escondem… fora isso a alegria que eles trazem é impagavél

  • observador:

    Saber eles sabem, só não conseguem medir as consequências de seus atos.
    Alias tem muito político que também não sabe medir as consequências dos seus atos.

    • BayHarbor:

      Eu concordo, mas por que precisa ter no mínimo um comentário falando de política em TODAS as notícias? Fica parecendo moralismo. Tem um vídeo falando de ursos fofos ou de ítens perdidos no Titanic e alguém consegue chingar a política no meio, que repetitivo.

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