“Eu detesto a América”, antigo texto de Alan Turing é encontrado

Por , em 28.08.2017

Uma coleção única de cartas e documentos do famoso matemático Alan Turing foi encontrada em um espaço de armazenamento de sua antiga universidade, depois de ficarem “perdidos” por 30 anos.

A pasta estava escondida na parte de trás de um antigo armário de arquivo, com 148 documentos nunca antes vistos.

Entre eles, se encontra uma carta do serviço de inteligência do Reino Unido, e outra na qual Turing observa: “Eu detesto a América”.

A descoberta

Alan Turing foi um dos pioneiros da ciência da computação moderna. Uma máquina que ele construiu durante a Segunda Guerra Mundial permitiu que o código Enigma da Alemanha fosse decifrado, eventualmente encurtando a guerra.

Em 1949, ele se tornou vice-diretor do laboratório de informática da Universidade de Manchester.

Este ano, uma equipe da universidade acidentalmente se deparou com um monte de correspondência de Turing enquanto limpava uma sala de armazenamento.

“Fiquei surpreso, uma coisa que permaneceu escondida por tanto tempo. Ninguém que agora trabalha aqui sequer sabia que [os documentos] existiam”, disse o engenheiro de computação Jim Miles, da Escola de Ciências da Computação da Universidade de Manchester.

Coisas de trabalho

Os arquivistas da universidade trabalharam para classificar esses documentos e armazená-los para a posteridade, e agora publicaram todo o arquivo online.
O acervo contém correspondência e outros materiais que datam do início de 1949 até a morte prematura de Turing, em junho de 1954.

Se tratam principalmente de “coisas de trabalho”, documentos que você esperaria que um acadêmico ocupado acumulasse em sua mesa.

Não há muito sobre seu trabalho durante a guerra, uma vez que esses esforços eram confidenciais no momento, embora haja uma carta do então diretor da GCHQ, uma antiga organização de serviço secreto da Grã-Bretanha.

A correspondência também não revela muito sobre a vida privada de Turing, incluindo sua prisão amplamente divulgada em 1952 por indecência, devido a seu relacionamento com outro homem.

“Eu detesto a América”

De acordo com os arquivistas, os documentos oferecem um relato extremamente interessante e informações sobre as práticas de trabalho de Turing e sua vida acadêmica enquanto ele estava na Universidade de Manchester.

Há cartas de colegas acadêmicos e estudantes comentando o trabalho de Turing, discutindo problemas de computação e matemática, e até mesmo solicitando conselhos. Há também inúmeros convites para conferências e palestras.

Para um convite do físico Donald Mackay, do King’s College London, que perguntou se Turing participaria de uma conferência sobre cibernética em 1953 nos EUA, Turing simplesmente respondeu que o evento o interessava, mas ele não queria viajar para lá. “Eu não gostaria da jornada, eu detesto a América”, escreveu ele.

No geral, os historiadores estão entusiasmados por ter desenterrado esta coleção única, inteiramente por acidente. Apesar de sua contribuição enorme para os campos da matemática e computação, há pouco material de arquivo sobre a vida de Turing, especialmente nos últimos anos.

Você pode navegar neste tesouro clicando aqui. [ScienceAlert]

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