Exército de ratos: Índia fica inundada de ratos a cada 50 anos

Por , em 25.11.2010

Os fazendeiros locais chamam de inundação, que acontece a cada 50 anos. Outros acreditam que seja um ato de Deus, uma inevitabilidade. Seja o que for, essa inundação não é de água: no nordeste da Índia, o que inundou a terra foram ratos.

Eis um exemplo perfeito de como uma simples relação entre duas espécies aparentemente inócuas – uma grama alta e um roedor pequeno – pode deixar a ecologia de uma região inteira de cabeça para baixo: aniquilar a vida selvagem, destruir a agricultura e deixar pessoas na miséria.

Uma vez por geração, uma gigantesca praga de ratos destrói culturas e deixa as pessoas morrendo de fome. Um exército de ratos tão grande e mítico, que até agora alguns cientistas não acreditavam que era real.

Mas é real. E pesquisadores acabaram de confirmar: essa explosão da população de roedores é causada por um excesso na oferta de alimentos, ou seja, de sementes de bambu. E a previsão não é das melhores: os cientistas suspeitam que as mudanças climáticas podem criar exércitos de ratos ainda maiores no futuro.

As florestas de bambu cobrem mais de 26.000 quilômetros quadrados em todo o nordeste de Mizoram, estendendo-se aos montes Chin, Birmânia, e Chittagong, Bangladesh. Essa espécie – Melcocanna baccifera – é de valor inestimável para os agricultores cuja subsistência é toda baseada nos bambus, que fornece material de construção, roupas e até comida, em forma de brotos de bambu. Ecologicamente, porém, é uma planta agressiva que aniquilou qualquer competição e cobriu toda a área com um carpete de bambu.

Entretanto, a cada 50 anos, esse carpete morre. Quaisquer que sejam as condições ambientais, o sinal de um relógio interno avisa cada planta que é tempo de florescer, produzir sementes e morrer. Essa é uma forma do bambu assegurar que as sementes sobreviverão.

E assim, caem 80 toneladas de semente de bambu por hectare no chão. Isso corresponde a 80 toneladas de alimentos esperando para serem comidos. Só agora, na floração de bambu mais recente (que começou em 2004 e vai até 2011), que os cientistas perceberam que esse era o gatilho para a epidemia de ratos.

A demora na descoberta veio da raridade e importância do evento, que o tornaram um pouco mítico. Há muitas histórias fantásticas sobre a situação, e fica muito mais difícil para os cientistas separar fato de ficção. Por exemplo, quando pesquisadores entrevistaram comunidades, algumas pessoas falaram sobre “exércitos de ratos” que “trabalham juntos” ou da praga como sendo um ato de Deus.

Porém, o grande problema desse acontecimento de meio século é para os agricultores locais e seus cultivos de arroz, que se tornam presas fáceis para os ratos famintos. Segundo os pesquisadores, algumas pessoas simplesmente já nem tentam plantar nada, aceitando que será inútil.

Além da fome generalizada, as inundações de rato provocam um enorme impacto sobre insetos e outros animais selvagens. Habitats e alimentos são simplesmente eliminados.

Não bastasse tudo isso, nas terras baixas da Birmânia, o ciclone Nargis, um evento que sozinho matou um número estimado de 140.000 pessoas, tornou o problema ainda pior. Depois da tragédia, muitas áreas que normalmente seriam cultivadas ficaram abandonadas. Essas áreas foram cobertas de gramíneas e ervas daninhas, terreno fértil para os grandes roedores.

Além disso, como os pequenos agricultores se recuperaram do ciclone em diferentes fases, a cultura do arroz amadureceu em várias plantações em épocas diferentes, ou seja, havia comida disponível para os ratos por muito mais tempo do que o habitual.

Tudo isso levou à criação de ratos durante mais tempo e a sua reprodução antes da época de colheita terminar. Resultado: mais uma explosão na população de ratos. Também há indícios de que o ciclone destruiu predadores como cobras, que teriam ajudado a diminuir essa população de roedores.

Mas, apesar de toda a destruição e do fato de que os locais têm suas colheitas devastadas, há pouco ou nenhum desejo de fazer algo a respeito. Os cientistas notaram um enorme sentimento de apatia na região.
Entre junho e setembro de 2009, campanhas comunitárias de coleta de rato realizadas apenas em poucas cidades no Delta do Ayeyarwaddy coletaram mais de 2,6 milhões de ratos.

Claro que não há apenas uma espécie de roedor envolvida, mas um dos principais culpados do Delta do Ayeyarwaddy é o Bandicota savilei. Este rato comum é uma espécie nativa, sem forte concorrência. Parece, no entanto, que a paisagem ecológica é tão deformada pelo bambu que isto se tornou uma espécie nativa que “deu errado”.

Os ratos podem produzir uma ninhada a cada três semanas, e os filhotes atingem a maturidade sexual em apenas 50 a 60 dias. Para os cientistas, esse é um problema frustrante. A maioria dos métodos utilizados para controle de pragas simplesmente não funcionam.

Na Índia, os agricultores muitas vezes compram um punhado de veneno e o espalham. Outra solução poderia ser uma simples cerca de plástico contendo furos que levam a ratoeiras. Os pesquisadores esperam ensinar ao máximo de agricultores locais a colocar armadilhas eficientes nos momentos certos, para reduzir a quantidade de alimentos que eles perdem.

Os cientistas acreditam que toda essa apatia venha do fato de que eles já tentaram outras vezes e falharam contra os ratos. Mas os seres humanos podem vencer; com organização e preparação, os agricultores poderão enfrentar o próximo exército de ratos.[BBC]

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15 comentários

  • José Calasans.:

    Se fosse na china,pobre desses ratos,seriam devorados rapidamente.

  • claudemir da silva:

    essa praga de ratos contribui por que la na india tem um templo dedicado ao ratos e ai faz com quer multiplique milhões de ratos um absurto !

  • clarice:

    mais uma bizarrice da ìndia…eita país estranho…e tem gente que fala mal do Brasil….

  • Alf Lee:

    Estive na Índia anos atrás e no quarto aonde estava hospedado encontrei um rato enorme que havia entrado pela janela do banheiro. Fui na recepção pedir autorização para eliminar o dito cujo. Ficaram horrorizados com a minha “frieza” dizendo que não fizesse isso pois o rato era o deus tal. Quando retornei o roedor já havia saído. Resolvi a questão colocando uma garrafa pet cheia de água no buraco aberto na tela.
    Apesar do convívio entre humanos e ratos implicar em riscos reais para a saúde(para os humanos),tal relação está imersa em crenças milenares à espera de uma tomada de consciência.

  • Pedro:

    O que a religião não faz com uma pessoa ¬¬’
    Nesse caso faz com bilhões delas ¬¬’
    Deprimente.

    • Heitor Giacomini:

      nem tanto.

  • Pri:

    QUE NOJENTO! COMO PODE? O QUE FALTA DE CONHECIMENTO, MISTURADO COM MISTICISMO.

  • Radeir:

    Interessante, soube recentemente , que há um veneno para ratos,absolutamente natural e que poderia ser espalhado ao longo da região onde caem as sementes de bambú.

    Trata-se do nosso inocente feijão cru moído!

    Simples:Os ratos não produzem a enzima de processar um elemento contido no grão de feijão e ao ingerir o farelo fino,seu estômago dilata de tal modo que o rato morre em três dias.

    Claro que não se deve tirar o feijão da mesa da população brasileira, mas deve haver nos armazens,muitas sacas de grãos imprestáveis para o consumo humano.
    Que tal limpar a India acabando com essa praga de roedores maléficos servindo pra eles,uma farofa do nosso estragado feijão crú?

  • ET BILU:

    BUSQUEM CONHECIMENTO!!!

  • big bang:

    E facil, la pra aqueles lados eles comem qualquer coisa, peguem os ratos e façam um espetinho e mandem pra dentro!
    Resolvido o problema!

  • josias:

    … E ASSIM VIVEM TODAS AS NAÇÕES QUE ADORAM A CRIATURA NO LUGAR DO CRIADOR.

  • Rose:

    Esse povo Indiano e muito louco ,que nojo!!!!

  • Lucyano Valdez:

    Bichos nojentos! Matem todos!!!

  • vinicius:

    Nossa… imagina quantas doenças que esse bixo traz…

  • Bruno:

    Dizem que os chineses comem até feto humano….vai lá chináa, acredito em vocês duas colherzinha de sal e pimenta do reino!!

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