A física de partículas está se desfazendo no CERN

Por , em 5.03.2016
Simulação de computador do raro decaimento de mésons B no detector LHCb, CERN

Simulação de computador do raro decaimento de mésons B no detector LHCb, CERN

Os cientistas estão sempre levando as teorias até os seus limites, para ver se elas se sustentam ou não. E os últimos resultados do CERN indicam que a física de partículas pode estar prestes a sofrer mudanças importantes.

A partícula da vez é o raro méson B. Segundo o Modelo Padrão, este méson tem uma frequência e ângulo de decaimento bem definidos, só que estes valores não estão aparecendo nos experimentos.

Ainda não é uma descoberta (5 sigma), já que o nível de confiança dos sinais observados é de 3,4 sigma, mas o trabalho, que carrega a promessa do alvorecer de uma nova física, foi publicado no Journal of High Energy Physics. 3,4 sigma significa que há uma chance em 3,5 milhões de que a descoberta seja apenas um erro, uma flutuação dos dados.

Mas o que é um méson B? O Modelo Padrão junta todas as partículas subatômicas em uma única teoria, os seis quarks (up, down, charm, strange, top, bottom), os seis léptons (elétrons, múons, tau, e neutrinos correspondentes), as partículas portadoras da força (glúons, fótons, e bósons Z e W), e o bóson de Higgs. O méson B é composto de um quark down e um antiquark bottom, e tem vida curta, decaindo 0,0015 nanosegundos depois de formado.

O méson B pode decair em conjuntos específicos e diferentes de partículas. De acordo com o Modelo Padrão, estas partículas têm uma certa energia e são emitidas a um certo ângulo. Entretanto, os experimentos têm mostrado um tipo de decaimento não visto antes e não previsto pelo modelo.

E quando os resultados dos experimentos não concordam com a teoria, está na hora dos cientistas reverem seus conceitos. O CERN começou uma nova rodada de colisões em alta-energia que talvez permita lançar uma nova luz sobre o Modelo Padrão. [Journal of High Energy PhysicsIFLScience]

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1 comentário

  • Thiago Alcalde:

    Precisamos de mais descobertas que não concordam com a teoria para ampliá-la, estamos chegando ao limite do modelo atual.

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