Imagem de tirar o fôlego mostra as poderosas “cordas magnéticas” ao redor da Galáxia da Baleia

Por , em 12.03.2020

A imagem acima foi feita pelo Observatório Nacional de Radioastronomia (NRAO, EUA) e mostra uma visão lateral da galáxia espiral NGC 4631, também conhecida como Galáxia da Baleia (“Whale Galaxy”).

NGC 4631

Os astrônomos observaram a galáxia com o radiotelescópio Very Large Array, que fica no Novo México (EUA), e descobriram que ela possui um campo magnético muito forte.

Como é possível ver na fotografia, “cordas magnéticas” surgem nas bordas do disco galáctico da NGC 4631, que tem 80.000 anos-luz de comprimento. Esses filamentos são o próprio campo forte da galáxia se estendendo até o seu halo.

As cordas verdes são filamentos apontados na direção do observador, enquanto as azuis estão se distanciando do observador.

Como a NGC 4631, que fica a 25 milhões de anos-luz de distância da Terra, é vista lateralmente daqui, o ângulo se torna útil para estudarmos como o gás, as estrelas e os campos magnéticos da galáxia se estendem para além do seu plano.

Seu apelido vem da forma como se parece do ponto de vista terrestre – vista de lado, com uma baleia.

Fenômeno curioso

Esse fenômeno nunca havia sido observado diretamente no halo de uma galáxia.

“Esta é a primeira vez que detectamos claramente o que os astrônomos chamam de campos magnéticos coerentes e de larga escala no halo de uma galáxia espiral, com as linhas de campo alinhadas na mesma direção por distâncias de mil anos-luz. Vimos até um padrão regular desse campo organizado mudando de direção”, disse a astrofísica Marita Krause, do Instituto Max-Planck de Radioastronomia (Alemanha), ao Science Alert.

Essa observação está alinhada com modelos teóricos do comportamento de galáxias, em particular a ideia de “dínamos galácticos” que podem criar campos magnéticos em espiral no halo, como uma continuação dos braços espirais do disco galáctico.

Muito a entender

O próximo passo da pesquisa é tentar entender quão comuns são esses tipos de campos magnéticos no universo, o que deve aprofundar nossa compreensão sobre como eles se desenvolvem e como o movimento de objetos celestiais os influenciam.

Depois disso, os astrônomos podem tentar descobrir como os campos magnéticos entre galáxias funcionam, e como podem afetar seu desenvolvimento.

“Para entender como estrelas como o sol e planetas como a Terra surgiram, precisamos entender como as galáxias, como a Via Láctea, se formam e evoluem. Este projeto é uma tentativa de medir os campos magnéticos galácticos e aprender como eles influenciam a maneira como os gases interestelares são ejetados dos discos das galáxias e contribuem para sua formação e evolução”, concluiu o astrofísico Matthew Benacquista, da Fundação Nacional de Ciência (EUA).

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics. [ScienceAlert]

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