Io: sonda Juno faz incrível imagem de plumas vulcânicas na lua de Júpiter

Por , em 2.01.2019

A sonda Juno capturou novas imagens de uma pluma vulcânica na lua de Júpiter, Io, no último 21 de dezembro.

Durante o solstício de inverno no gigante de gás, quatro das câmeras da sonda fizeram fotografias da lua jupteriana, o corpo mais vulcânico do nosso sistema solar.

Os instrumentos observaram Io por mais de uma hora, fornecendo um vislumbre das suas regiões polares, bem como evidências de uma erupção ativa.

“Ninguém esperava que tivéssemos a sorte de ver uma nuvem vulcânica ativa atirando material na superfície da lua”, conta Scott Bolton, principal pesquisador da missão Juno e vice-presidente da Divisão de Ciência Espacial e Engenharia do Southwest Research Institute (EUA).

O poder científico de Juno

A JunoCam adquiriu as primeiras imagens em 21 de dezembro às 12:00, 12:15 e 12:20 (UTC) antes de Io entrar na sombra de Júpiter.

As fotos mostram a lua semi-iluminada com um ponto especialmente brilhante no limite entre o dia e a noite. “O solo já está na sombra, mas a altura da pluma permite refletir a luz solar, da mesma forma que os topos das montanhas ou as nuvens da Terra continuam a ser iluminadas após o pôr do sol”, explica Candice Hansen-Koharcheck, que trabalha com a JunoCam, do Instituto de Ciências Planetárias (EUA).

Às 12:40 UTC, depois que Io passou para a escuridão do eclipse total atrás de Júpiter, a luz do sol refletida na lua vizinha Europa ajudou a iluminá-la, bem como sua pluma. As imagens feitas por outro instrumento, o SRU (Stellar Reference Unit), mostram Io suavemente iluminada pelo luar da Europa.

Imagem do SRU

A característica mais brilhante em Io é considerada uma assinatura de radiação penetrante, um lembrete do papel desse satélite na alimentação dos cinturões de radiação de Júpiter.

“Enquanto câmera de baixa luminosidade projetada para rastrear as estrelas, o SRU só pode observar Io sob condições muito pouco iluminadas. O dia 21 de dezembro nos deu uma oportunidade única de observar a atividade vulcânica de Io com o SRU usando apenas o luar de Europa como nossa lâmpada”, esclarece Heidi Becker, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Por fim, sentindo o calor em longos comprimentos de onda, o instrumento JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper) detecta pontos quentes. “Embora as luas de Júpiter não sejam os objetivos primários do JIRAM, toda vez que passamos perto de uma delas, aproveitamos a oportunidade para uma observação”, diz Alberto Adriani, pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália.

Imagem do JIRAM

O instrumento é sensível aos comprimentos de onda do infravermelho, o que o torna perfeito para estudar o vulcanismo de Io. “Essa é uma das melhores imagens de Io que o JIRAM conseguiu coletar até agora”, completa.

Avançando nosso conhecimento

As imagens mais recentes podem levar os cientistas a novos insights sobre as interações do gigante de gás com suas cinco luas, causando fenômenos como a atividade vulcânica de Io ou o congelamento da atmosfera da lua durante o eclipse.

JIRAM documentou recentemente a atividade vulcânica de Io antes e depois do eclipse. Esses vulcões foram descobertos pela sonda Voyager da NASA em 1979.

A interação gravitacional de Io com Júpiter impulsiona os vulcões da lua, que emitem plumas de gás SO2 e produzem extensos campos de lava basáltica.

A missão Juno está programada para completar um mapa de Júpiter em julho de 2021. Lançada em 2011, chegou ao planeta em 2016 para orbitá-lo a cada 53 dias, estudando suas auroras, atmosfera e magnetosfera. [Phys]

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