Mais de 11.000 cientistas declararam oficialmente uma “emergência climática” global

Por , em 6.11.2019

De acordo com mais de 11 mil cientistas em 153 países, se não tomarmos uma atitude rapidamente, a humanidade estará sujeita a um “sofrimento incalculável” devido à mudança climática.

Essa declaração foi publicada por um novo estudo exatamente no 40º aniversário da primeira conferência climática mundial, realizada em Genebra em 1979. Enquanto o artigo foi escrito por dezenas de cientistas, mais tarde foi endossado por mais 11.258 nomes proeminentes.

O documento reúne diversas pesquisas científicas feitas nessas quatro décadas sobre uso de energia, temperatura da superfície terrestre, população, desmatamento, gelo polar, taxas de fertilidade e emissões de carbono, entre outras coisas, afirmando que a Terra está sem dúvida caminhando para uma “emergência climática”.

“Nos unimos para declarar uma emergência climática porque a mudança climática é mais severa e se acelera mais rapidamente do que o esperado pelos cientistas”, resumiu Bill Ripple, professor de ecologia da Universidade Estadual do Oregon (EUA), principal autor do novo estudo.

Avisos não ouvidos

Nesses 40 anos que se passaram, os cientistas vêm nos avisando da iminência dessa crise sem receberem a devida atenção. Principalmente dos governantes, que apesar de diversas conferências e acordos, não têm avançado muito para tomar medidas essenciais contra a mudança climática.

“Apesar dos 40 anos de grandes negociações globais, geralmente conduzimos os negócios como de costume e não estamos conseguindo lidar com essa crise”, disse o ecologista William Ripple, também da Universidade Estadual do Oregon.

De acordo com os cientistas, se quisermos realmente evitar um desastre, nossos objetivos precisam mudar do crescimento do PIB e da busca de riqueza em direção a uma maior sustentabilidade de ecossistemas e melhora do bem-estar humano, “priorizando as necessidades básicas e reduzindo a desigualdade”.

Ou seja, se não mudarmos completamente a forma como vivemos e fazemos negócios, o resultado será um desastre sem precedentes na história recente humana.

As medidas que precisam ser tomadas

No artigo, os cientistas listam diversas atitudes que os governos precisam ter para reverter essa situação, incluindo implementar práticas de eficiência energética de larga escala, adotando fontes renováveis de baixo carbono; reduzir as emissões de poluentes climáticos como metano, carbono e hidrofluorcarbonetos; restaurar os ecossistemas da Terra (como recifes, florestas e pradarias), evitando a perda de habitat e biodiversidade; reduzir o consumo de produtos de origem animal; e estabilizar e depois reduzir a população mundial.

Para alcançar esses objetivos, os líderes mundiais devem, por exemplo, apoiar tecnologias renováveis e de captura de carbono e fornecer serviços de planejamento familiar a todas as pessoas, especialmente meninas e mulheres jovens.

“Um conjunto mais amplo de indicadores deve ser monitorado, incluindo o crescimento da população humana, consumo de carne, perda de cobertura de árvores, consumo de energia, subsídios a combustíveis fósseis e perdas econômicas anuais devido a eventos climáticos extremos”, disse outro autor do estudo, Thomas Newsome, da Universidade de Sydney (Austrália).

Não é tarde demais

Apesar das declarações sombrias, os cientistas dizem que ainda não é tarde demais. Eles apontam alguns sinais encorajadores de transformação no mundo, como a diminuição da taxa de natalidade global, o aumento do implemento de energia solar e eólica e o desinvestimento em combustíveis fósseis.

Países ricos certamente sairão na frente, mas, para uma mudança global verdadeira, dizem os cientistas, eles precisarão apoiar os países menos desenvolvidos também.

“A boa notícia é que essa mudança transformadora, com justiça social e econômica para todos, promete bem-estar humano muito maior do que os negócios como de costume”, resumiram os cientistas.

Por fim, Ripple disse que é uma “obrigação moral” dos pesquisadores emitir tais avisos de ameaças catastróficas: “É mais importante do que nunca falarmos com base em evidências. É hora de ir além da pesquisa e publicação, e ir diretamente aos cidadãos e formuladores de políticas”.

O artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica BioScience. [ScienceAlert, Futurism, Cnet, TheGuardian]

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