Ambientalistas colam as mãos em prédio no Reino Unido em protesto contra o fraturamento hidráulico

Por , em 13.11.2018

Ativistas ambientais barraram a entrada do Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial (BIES na sigla em inglês) na cidade de Londres, no Reino Unido, de uma forma bastante inusitada: colando suas mãos no edifício. O protesto, contra o fraturamento hidráulico, é o primeiro de vários planejados para essa semana alertando sobre o colapso ambiental e culminará em um grande ato no sábado, 17 de novembro.

Dezenas de membros do grupo Extinction Rebellion, responsável por coordenar a manifestação, se prenderam às portas giratórias do edifício do Departamento, perto do parlamento no centro de Londres, enquanto outros colaram suas mãos no vidro. Os ativistas alegam que 22 pessoas foram presas durante o protesto pacífico. Por sua vez, a Polícia Metropolitana de Londres afirma que oito manifestantes foram detidos.

Um porta-voz da Extinction Rebellion disse ao jornal The Guardian que os protestos são pacíficos e que seus membros usavam spray de giz, facilmente removível com água.

“O governo do Reino Unido, mais especificamente o BEIS, está impulsionando o fraturamento hidráulico – o governo se reuniu com empresas de fraturamento mais de 30 vezes nos últimos três anos e zero vezes com grupos anti-fraturamento – apesar da enorme oposição local.”, denuncia o grupo.

Fraturamento hidráulico é um método de extração de combustíveis líquidos e gasosos do subsolo. No entanto, há evidências de que uma consequência nefasta deste método está na emissão de poluentes e substâncias toxicas no ar pelo maquinário empregado.

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Objetivos

Os objetivos de curto prazo dos manifestantes são cancelar o que eles chamam de projetos “contraditórios” que, segundo eles, aumentarão as emissões de poluentes atmosféricos no Reino Unido, tais como a construção de uma terceira pista no aeroporto de Heathrow, o fraturamento hidráulico e um programa de construção de estradas estimado em 30 bilhões de libras esterlinas. Seus objetivos de longo prazo incluem obrigar os membros do Congresso a “falar a verdade” sobre a gravidade da crise ambiental; tornar o carbono do Reino Unido neutro em 2025 (o governo tem como meta o ano de 2050); e criar uma Assembleia Popular de cidadãos comuns para deliberar sobre as prioridades na reformulação da economia com a proteção do clima no topo da lista.

Imagem: PA

Uma manifestante, Bell Selkie, de 48 anos, do País de Gales, argumentou que os efeitos das mudanças climáticas já estão mais do que evidentes. “O relatório do IPCC em outubro nos deu de seis a doze anos, e este é um relatório notoriamente conservador. Se não respondermos com um esforço bélico, estaremos todos ferrados, todos nós. Meu coração está partido e eu tenho que fazer algo, e estou colocando minha vida em suspenso “, disse ela ao The Guardian.

Uma outra manifestante, Gail Bradbrook, disse à BBC: “Eu quero o planeta protegido para meus filhos. A mudança ocorre quando as pessoas estão dispostas a cometer atos de desobediência civil pacífica. Cinquenta pessoas na prisão por um curto período de tempo possivelmente colocará a agenda da crise ecológica na consciência pública.”

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Chances de Sucesso

O objetivo de persuadir alguns membros do Congresso a se pronunciarem de forma mais clara contra o aquecimento global parece ser um objetivo possível e alcançável. No entanto, especialistas alegam que uma economia com zero emissões de poluentes até 2025 não é uma realidade possível em nenhum cenário. Isso demandaria uma revolução nos transportes, isolamento residencial, eficiência energética, entre outros.

Da mesma forma, apesar das incertezas nas previsões sobre a exata taxa de aquecimento, muitos cientistas experientes que trabalham com mudanças ambientais demonstram enorme preocupação com os riscos que a humanidade está enfrentando. No entanto, três acadêmicos especialistas no assunto – Peter Cox, Jim Skea e Piers Forster – argumentaram à BBC que o cronograma exigido pelo Extinction Rebellion é inviável.

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Para os manifestantes isso não é motivo para desânimo. O grupo está fazendo uso de novas mídias para promover e estimular um debate do que eles veem como complacência da sociedade. De acordo com eles, não proteger o clima não é uma opção. [The Guardian, BBC, Metro]

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