Descoberto o segredo do sucesso dos Incas

Por , em 23.05.2011

O cenário: o inóspito planalto andino peruano. A época: 2.700 anos atrás. Quem diria que dessa improvável combinação surgiria a grande civilização inca, que dominou a América do Sul por centenas de anos?

E agora, sedimentos depositados em lagos no alto dos Andes do Peru parecem dar uma pista do segredo dos incas: o milho.

Alimento mais importante da América do Sul, o cultivo do milho permitiu que os habitantes da região deixassem de ser caçadores e coletores para se transformarem em agricultores. Caso as colheitas fossem abudantes e os grãos apresentassem boa qualidade, eles teriam tempo suficiente para se dedicar à extração de minérios, ao desenvolvimento da cultura e a guerras contra seus vizinhos.

A mudança para a agricultura aconteceu em momentos diferentes e em lugares diferentes. A análise feita a partir de amostras de lama retiradas do leito de um lago próximo à pequena cidade montanhosa de Ollantaytambo, Peru, revela que, pelo menos naquela localidade, a transição aconteceu muito rapidamente, cerca de 2.700 anos atrás.

Liderado por Alex Chepstow-Lusty, do Instituto Francês de Estudos Andinos, em Lima, no Peru, o estudo mostra que o pólen do milho de repente apareceu na lama do lago 2.700 anos atrás. Até então, indícios apontam que as pessoas comiam principalmente alimentos silvestres, tais como o grão quinoa. Apesar da popularidade em lojas modernas de alimentos naturais, as sementes de quinoa não poderiam ter sustentado uma grande e próspera civilização. O milho, por sua vez, poderia. E sustentou.

Graham Thiele, um especialista em agricultura andina do Centro Internacional da Batata, em Lima, ressalta a importância do milho, já que ele pode ser armazenado por muito mais tempo do que outros alimentos locais, e também oferece muito mais energia. “O milho pode ser armazenado e comercializado, o que propicia viagens de longas distâncias. Por isso que ele é o alimento ideal para se manter um império”, considera.

Mas o que ajudou a prosperar o milho a 3.350 metros de altitude no meio dos Andes? Um clima temporariamente mais quente provavelmente tenha ajudado, diz Chepstow-Lusty, mas o estrume de lhama também desempenhou um improvável, porém importante papel nessa história.

Os resquícios arqueológicos revelam que aproximadamente na mesma época em que o pólen do milho se tornou comum, os restos de ácaros oribatídeos também aumentaram. Estes artrópodos comiam excrementos de animais, incluindo estrume de lhama.

Lhamas eram animais selvagens que foram domesticados por volta de 3.500 anos atrás. Mas há cerca de 2.700 anos, a quantidade ácaro extra indica que as colinas foram de repente invadidas por um grande número de lhamas. E a bonança de excrementos de lhama alimentou o “boom” populacional dos ácaros. O esterco era espalhado em campos como fertilizante e, em seguida, jogado para dentro dos lagos.

As fezes fizeram toda a diferença para o avanço da civilização, de acordo com Chepstow-Lusty. “A mudança generalizada para o desenvolvimento da agricultura e da sociedade só foi possível com este ingrediente extra: adubos orgânicos em grande escala”, afirma.

Demorou quase dois milênios para os incas, a maior das sociedades à base de milho, alcançarem o seu ápice. Porém, sem a revolução do milho e do excremento de lhama, lembra Chepstow-Lusty, eles nunca teria chegado lá.[NewScientist]

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3 comentários

  • Fernanda A C Feitosa:

    nenhuma novidade. eu aprendi isso nas aulas de historia da 5ª serie, em 2003 que o milho foi a salvação dos incas. grande novidade

  • SENAM:

    As fezes fizeram toda a diferença para o avanço da civilização, de acordo com Chepstow-Lusty. “A mudança generalizada para o desenvolvimento da agricultura e da sociedade só foi possível com este ingrediente extra: “ADUBOS ORGÂNICOS EM GRANDE ESCALA”, afirma.Aí esta o segredo, mas nós só queremos usar adubos Químicos quando o ORGÂNICO é muito melhor e mais barato . MAS e o ganho das gananciosas indústrias, como fica?!?!

  • claudi:

    os nativos da américa do sul levaram consigo conhecimentos que talvez jamais se consiga descobrir, e podem perfeitamente fazer falta

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