Nova doença em girafas deixa cientistas sem palavras

Por , em 2.04.2018

Uma doença misteriosa que afeta a pele de girafas está cada vez mais generalizada na África Subsaariana, mas ninguém sabe o que a causa e se existe alguma cura.

O que os cientistas sabem é que é uma possível ameaça às girafas, animais cujas populações têm decaído aos milhares nos últimos 15 anos, principalmente devido à perda de habitat e à caça furtiva.

E é por isso que o biólogo Arthur Muneza, estudante de mestrado na Universidade Estadual do Michigan, decidiu pesquisar a estranha condição.

A doença

A doença causa lesões acinzentadas e rachadas no pescoço e nas pernas das girafas.

Até agora, os cientistas não sabem quais são os fatores ambientais que levam a essas lesões, se é que existem, ou mesmo se é uma compilação de várias doenças que atacam a pele dos mamíferos mais altos do mundo.

Além disso, poucos estão de fato estudando a doença. Em comparação com herbívoros africanos bem pesquisados, como os elefantes, as girafas são “uma espécie de megafauna esquecida”, disse Jenna Stacy-Dawes, coordenadora de pesquisas do San Diego Zoo Global.

Mas, à medida que os números de girafas caem, mais pesquisadores têm voltado sua atenção para essa “extinção silenciosa”, e como pará-la.

Em cativeiro

Para Muneza, sua primeira tarefa foi vasculhar estudos anteriores a fim de detectar qualquer referência aos sinais reveladores da doença, como lesões que às vezes escorrem sangue ou pus.

Depois de escavar várias bases de dados científicos, Muneza e seus colegas descobriram apenas oito fontes mencionando a doença de pele em populações selvagens que remontam à década de 1990.

A equipe também enviou questionários para pesquisadores, conservacionistas e veterinários que trabalham com girafas, perguntando se eles tinham visto sinais da doença.

Eles receberam 63 respostas, 48 delas de zoológicos. Destas, mais de 30% relataram distúrbios de pele em girafas em cativeiro, e, desses casos, 70%, ou 14 deles, eram realmente característicos da doença de pele de girafa.

Na natureza

Em girafas selvagens, os cientistas detectaram a doença em sete países subsaarianos, com uma ampla gama de ocorrências, dependendo da localização.

Por exemplo, embora não houvesse casos da doença registrados em três parques nacionais ou áreas de conservação no noroeste da Tanzânia, o Parque Nacional Ruaha, localizado mais centralmente no país, relatou que 79% de suas girafas estavam infectadas.

As informações são de 2014 e não se sabe se a incidência da doença aumentou nos últimos anos.

Muitas questões ainda permanecem, no entanto, incluindo como a doença se espalha e se há uma cura.

Próximos passos

Armados com esses dados básicos, Muneza e seus colegas estão trabalhando com zoológicos, universidades e governos africanos para coletar amostras de girafas infectadas e determinar as causas e os efeitos da condição.

Por exemplo, é possível que as lesões tornem as girafas menos móveis e, portanto, presas mais fáceis para predadores na natureza.

Por enquanto, a doença ainda não deve desempenhar um papel em esforços mais amplos de conservação de girafas, porque não está claro como os problemas de pele afetam a mortalidade ou a reprodução das girafas.

Mas essa pesquisa é muito valiosa, de acordo com Fred Bercovitch, diretor da organização sem fins lucrativos Save the Giraffes, porque entender mais sobre a condição pode levar a descobertas que auxiliarão nos esforços de preservação.

Estudar uma população de girafas com alta ocorrência da doença, por exemplo, pode mostrar se a população é severamente endogâmica, ou se experimentou mudanças ambientais prejudiciais resultando em uma nova composição do solo etc. [NatGeo]

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