O estranho “experimento dos dois gatinhos”

Por , em 13.10.2013

Um experimento definitivamente esquisito tornou gatinhos essencialmente cegos só com manobras psicológicas.

Como deixar alguém praticamente cego sem fazer qualquer dano a seus olhos? Esta era a questão que afligia a ciência (do mal). E os pesquisadores descobriram como – usando gatinhos.

O planejamento para este experimento envolveu dez ninhadas de gatinhos. Os filhotes nasceram e viveram suas primeiras semanas totalmente no escuro. Depois, os cientistas escolheram um par de gatos de cada ninhada.

Do par, um dos gatinhos foi selecionado para ser o “móvel”, e o outro para ser o “imóvel”. Ambos os gatinhos foram retirados de suas ninhadas por um tempo e colocados em uma espécie de plataforma giratória, apelidada de “carrossel”.

O gato móvel podia se mover ao redor do carrossel. O imóvel foi colocado em uma cesta com apenas a cabeça para fora. Uma vez que os gatinhos estavam ligados, o imóvel era movido junto com o móvel. Parte do fundo do seu carrinho foi retirado, então ele podia até sentir suas patas arrastarem no chão – mas não podia iniciar qualquer movimento.

ku-xlarge

Depois de algum tempo, os gatinhos foram retirados da plataforma giratória e voltaram para o quarto escuro com seus irmãos.

Mais tarde, os pares de gatinhos foram levados para salas iluminadas. Primeiro, os experimentadores o abaixavam em direção a uma mesa. Os gatos móveis estendiam as patas na expectativa de tocar a superfície que se aproximava. Os imóveis não.

Depois, os pesquisadores colocaram os gatinhos no que é conhecido como um penhasco visual. São superfícies que, de um lado parecem dar em um penhasco e, do outro, no fundo do poço de uma piscina. A estrutura inteira é completamente coberta por uma camada de plástico, de forma que ninguém que anda sobre ela pode realmente cair – mas ela parece assustadora. Os gatinhos móveis, portanto, evitaram o fim do “penhasco visual”. Os imóveis não.

Por fim, os cientistas realizaram o “teste do piscar”. Segurando os gatinhos, eles rapidamente trouxeram uma mão perto do rosto do animal, mas não o atingiram. Os gatinho móveis piscaram, antecipando um “soco”. Os imóveis não.

Ambos os gatinhos tinham sido expostos a exatamente os mesmos fatores durante seu crescimento. A única diferença entre um e outro era sua capacidade de iniciar movimentos. E foi o suficiente.

Sem a capacidade de afetar de qualquer modo as coisas a que olhava, o gatinho imóvel não foi capaz de conectar o movimento com algum significado. Embora pudesse ver, era funcionalmente cego.

O experimento teve um final um pouco feliz. Os gatinhos imóveis foram colocados em salas iluminadas durante cerca de 48 horas e puderam explorá-la livremente. Eles foram testados novamente, e tinham aprendido a entender falésias visuais. Isso mostrou que, mesmo que privados de estímulo, seus cérebros ainda podiam aprender.

Porém, os gatinhos imóveis nunca se tornaram visualmente normais. O tempo no escuro, sem a capacidade de interagir com o mundo ao seu redor, deixou uma marca permanente neles. [io9]

Vote: 1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars

13 comentários

  • Saprugo:

    O especismo estúpido desses comentários e da maioria absoluta da humanidade me faz ter vergonha de ser humano!

  • João Gesing:

    Alessandra, eu concordo contigo quando se tratam de experimentos fúteis ou substituíveis, inclusive a maioria da comunidade científica deve concordar com isto. É para evitar o uso indiscriminado de cobaias que existem os comitês de ética. Qualquer pesquisa ou projeto que envolva cobaias deve passar por este tipo de comitê. O mais salutar é que nos comitês existem representantes muito bem capacitados para avaliarem a relevância dos estudos, muito mais do que eu ou você. Também acredito que no futuro não serão necessárias cobaias, creio inclusive que modelos computadorizados possam solucionar boa parte desta demanda. Mas hoje ainda temos várias pesquisas em que o uso de cobaias é necessária, principalmente aquelas que resultam em um produto ou técnica que salve muito mais vidas do que tira.

    Quanto ao antropocentrismo, te garanto que é muito mais defendido pelas religiões do que pela ciência, afinal, somos símios pelados, nada mais do que isto. Como qualquer animal, seguimos regras básicas, viver o máximo possível, ter prazer (e reproduzir), não sentir dor, fazer o menor esforço possível. O engraçado é que aqueles que defendem o ser humano como raça superior raramente se privam de alguma destas regras básicas.

    Mas a minha maior crítica é que o não temos moral alguma para falar, eu concordo plenamente com tua posição, mas não tenho moral para falar, por que? Por que como carne, quem come carne se alimenta (e sente prazer) sobre a morte de outro animal. Enquanto formos carnívoros (já tentei deixar de ser e ainda não consegui), é hipocrisia sermos contra o uso de cobaias.

  • eu tenho sangue azul:

    isso me faz pensar que talvez eu tenha algum talento escondido e eu não saiba simplesmente porque não exercitei

  • levipt:

    Seria interessante corrigirem o final do artigo. A frase “Os gatinhos imóveis foram colocados em salas iluminadas durante cerca de 48 horas e puderam explorá-la livremente” claramente se refere aos gatinhos MÓVEIS.

  • João Gesing:

    Meus comentários raramente passam pela censura. Engraçado que a liberdade de expressão permite a propagação da estupidez, mas não permite criticá-la.

  • Leandro Portello:

    Preferia que tivessem sido feito com crianças.

    • Cesar Grossmann:

      Você preferiria ser uma das crianças? Eu prefiro que seja feito em gatos do que em crianças. Mesmo que os efeitos do experimento sejam revertidos em praticamente 100%, como é este caso.

    • Alguem Ninguém:

      você prefere ver sua espécie sofrendo do que outras? você tem sérios problemas…

  • Eduardo Balth:

    Nossa cesar grosmann que tal usarmos a senhora sua mãe para algum experimento idiota como esse, com ela seria para provar como imbecis como voce podem ser gerados, humanos idiotas.Alias humanos não pois o conceito de humanidade se baseia no desenvolvimento da moral, coisa que em alguem que acredita na dor alheia como forma de resolver problemas não deve existir.

    • Cesar Grossmann:

      Falou o sujeito que quer submeter a minha mãe a um experimento destes, e que procura de todas as formas me ofender e insultar. Eu sugiro que você pratique o que prega, o mundo vai ficar bem melhor quando você desenvolver a tua moral.

  • João Gesing:

    Dayanny Rodriguez, você fica “pensando nessas pobres vidas que viram cobaias em nossas mãos” quando come um bom churrasco no domingo? Ou com um simples misto quente com presunto? Calabresa? Assim como os gatos do experimento nós também temos nossos sentidos restringidos e ficamos cegos a certas coisas! Afinal, o que os olhos não veem o coração não sente. Sabes quantas galinhas são criadas por m² em confinamento? Eu sei, são dezesseis, aposto que elas sofrem mais do que estes gatinhos sofreram, só para que a gente coma uma coxinha.

  • Dayanny Rodriguez:

    Qual a finalidade desses testes? vale apena? Fico pensando nessas pobres vidas que viram cobaias em nossas mãos.

    • Cesar Grossmann:

      Dayanny, este experimento até que não causou sofrimento com as cobaias, e ensinou para a gente como funciona o reflexo de “medo de precipício”. Eu prefiro que façam este experimento com gatinhos do que com crianças, e é melhor que a gente descubra isto fazendo experimentos do que tendo que tratar alguém que teve uma infância em uma instituição para tratamento de uma coisa que acabou gerando um outro problema, não acha?

Deixe seu comentário!