Outernet: o projeto que pretende levar internet grátis para o mundo todo

Por , em 25.02.2014

Uma organização sem fins lucrativos sediada em Nova Iorque, nos EUA, chamada Media Development Investment Fund (MDIF, em tradução livre “Fundo de Investimento do Desenvolvimento da Mídia) anunciou sua intenção de construir uma “Outernet” – uma rede global de satélites para transmissão de dados da internet a praticamente qualquer pessoa no planeta, gratuitamente.

A ideia é oferecer acesso gratuito à internet para todas as pessoas, independentemente da sua localização, e ignorando qualquer censura.

Com o crescimento da internet, organizações de direitos humanos ou de promoção da liberdade de expressão como a MDIF começaram a propor que o acesso à informação que ela pode oferecer é um direito humano básico.

Sendo assim, a restrição do acesso à internet é uma violação desse direito que a MDIF quer contornar, propondo que centenas de satélites sejam construídos e lançados por todo o céu, permitindo que qualquer pessoa com um telefone ou computador veja esses dados de várias centenas de estações terrestres.

A MDIF afirma que, hoje, 40% das pessoas no mundo ainda não são capazes de se conectar à internet, não só por causa de governos restritivos como o da Coreia do Norte, mas também devido ao alto custo de trazer o serviço para áreas remotas, como Sibéria, algumas partes do oeste dos Estados Unidos e ilhas remotas ou aldeias na África.

A Outernet, dizem, garantiria a todas as pessoas os mesmos direitos à informação.

Se o projeto sair como previsto, dados unidirecionais fluirão de alimentadores para satélites que transmitirão a todos abaixo. Um benefício adicional dessa rede de informação unidirecional, segundo a MDIF, seria a criação de um sistema de notificação global durante emergências e desastres naturais.

Tudo isso só vai acontecer, no entanto, quando a MDIF tiver os fundos necessários para bancar a empreitada.

Neste momento, não está claro quanto dinheiro eles já têm, mas a construção de uma rede desse tipo não sairia barato – tais satélites custam tipicamente US$ 100.000 a US$ 300.000 (R$ 230 a 700 mil) para construir e lançar. Apesar disso, o cronograma para o projeto prevê a implantação dos primeiros satélites já no próximo verão do hemisfério norte (que começa no fim de junho). [Phys]

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23 comentários

  • Carlinhos-32:

    Creio que essa massificação da internet ela vai ocorrer de uma forma ou de outra. Num futuro próximo, como ocorre com a iluminação pública onde vc paga uma taxa para as distribuidoras elétricas para ter as ruas iluminadas o mesmo ocorreria com internet. Pois sabemos que nada de fato é de graça.

  • Cload:

    Concordo com o que o amigo “D” disse, sem sombra de dúvidas o comentário mais sábio e observador desta matéria.

  • Cload:

    Concordo com o amigo aí o “D” comentário mais prudente desta matéria. Não se trata de ceticismo ou descrença na raça humana, porém, é típico do ser humano dar uma mão e com a outra apunhalar as suas costas… Sempre, haverá segundos, terceiros, infinitos interesses por trás de todo “bem” que possa estar sendo oferecido. Cabe a cada pessoa, olhar e senso crítico, para enxergar além das “cortinas”.

    • Cesar Grossmann:

      Se isto não é ceticismo ou descrença na raça humana, o que seria ceticismo ou descrença na raça humana?

  • Marcel Moraes:

    Que tal se fizessem um “outerfood” onde levaria comida e planejamento de autossustento como hortas e criação para regiões com problemas graves de fome. e em centros urbanos algo como um aproveitamento de canteiros centrais, praças e áreas verdes com hortas comunitárias, mas algo que seja possível um bom controle, como em Singapura que tem os agentes comunitários secretos que controlam a limpeza nas cidades, algo desse tipo, que creio eu, seja mais importante do que acesso a internet.

    • Marcelo Ribeiro:

      Louvável sua idéia, mas dar conhecimento é mais importante do que dar comida. Não preciso detalhar a história do ensinar a pescar x dar um peixe, não é?

  • franobre:

    A iniciativa é muito boa. Claro que o valor do satélite apresentado deve ser multiplicado por 1.000. Aliás, acho que essa seria a tendência natural de evolução da Internet. Não dá para convivermos eternamente com fios ou com a necessidade de antenas para replicação de sinal, o uso de tecnologia espacial é quase que impositiva, embora não saiba se será seguro mais e mais ondas eletromagnéticas circulando em nosso entorno.

  • Piccinelli Rafael:

    Oque há de errado com o pessoal de hoje em dia?? voces só reclamam e torcem para o pior…nao esta nem certo do que eles irão fazer e nem quando e voces ja estão chorando?

    imagine a revolução que isso seria para quem esta perdido no meio do mar, um em um deserto ou floresta?

  • D:

    Bem, intenções como essa existem aos montes. Eu mesmo tenho intenção.
    A novidade seria os investidores desses satélites não terem segundas e terceiras intenções de brinde.
    De “boas” intenções e ingenuidade o mundo já está cheio.

    • Cesar Grossmann:

      Não é um pouco cedo para apostar no cinismo?

    • D:

      É sim… mesmo depois dos últimos escândalos, gravíssimos por violar direitos universais de tanta gente, apostar eu não apostaria… Mas jamais deixaria de considerar outros interesses. Não mais.

    • Isaac Otávio Ferreira:

      Acho que o Grossmann tem razão, tem gente tão cética sobre certas intenções do bem, que chegam a ser sínicas e até inoportunas.

    • D:

      Ceticismo sempre foi inoportuno em relação a crença, daí o histórico da Ciência de ser perseguida pela religião.
      Veja como vc afirma “Intenção do bem” sem saber. É crença sua 😉

    • Marcelo Ribeiro:

      É possível que seja pilantragem? Claro! Tudo é possível e brasileiro é mais desconfiado do que qualquer um. Mas ceticismo é uma coisa e total desengano na raça humana é outra.

    • D:

      Questão de realismo, meu caro. Construir e lançar satélites para enviar sinal ao mundo inteiro não será feito e autorizado por nenhuma irmandade endinheirada do bem.
      Podemos continuar sendo entusiastas da tecnologia, da ciência e da raça humana… Sendo realistas.
      Sei que aqui deve predominar a galera de exatas, e longe de mim querer desmerecê-las, mas política, história, economia, direito são ciências também e não podemos negligenciar o pouco que já nos lembram, mesmo como leigos.

    • Marcelo Ribeiro:

      É comum pessoas desconformadas com a raça humana usarem a palavra “realismo” para descreverem seu desengano ou desconfiança. E eu entendo perfeitamente, já me senti assim e frequentemente sinto isto em certas ocasiões. Mas acho que depende das experiências individuais e de como cada um enxerga a vida e o mundo. Mas posso afirmar que não é a realidade de muitos, possivelmente da maioria. Certamente não a minha.

    • D:

      Acredito. A questão é que o tal projeto (tema do debate) não é a raça humana nem o mundo. É só um projeto 🙂

    • Cesar Grossmann:

      Que escândalos? Que violações dos direitos humanos ESTAS pessoas em particular fizeram? Eles fizeram alguma coisa que justifique esta descrença?

    • D:

      Cesar, escândalos de violação de privacidade (direito universal) através da telefonia, redes sociais, etc. Tenho certeza q vc ouviu falar. Minha fala foi sobre os futuros investidores do projeto e seus interesses. Procure saber sobre Prism, Marco Civil. Tem mais coisa q o nº d caracteres aqui permite, mas daria um bom artigo. Não é descrença, apenas precaução diante de tudo q já foi noticiado.

    • Walter Paixão:

      Levar internet ao mundo inteiro de graça não seria praticamente o mesmo que levar ao mundo inteiro a sua propaganda?
      Acho que grandes empresas multinacionais ficariam interessadíssimas nessa ideia! Ter seu logo, sua imagem percorrida em qualquer beco do mundo.

    • Cesar Grossmann:

      Bom, eu não sei o que as pessoas VÃO fazer, abusos sempre vão acontecer, mas acusar a iniciativa toda de ser um golpe, assim, de saída…

  • Samuel Neves Macedo:

    Isto sim é um projeto grandioso que visa a liberdade de expressão, um direito de todo ser humano, que abram contribuições para que todos participem com qualquer quantia, que libertem nosso planeta do dominio e ganancia de alguns.

  • Rossana:

    Estou a ver que as empresas que fornecem internet e os governos como o da coreia do norte vão dificultar muito a vida da MDIF

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