Pessoas agradáveis têm mais chance de te prejudicar: estudo

Por , em 30.06.2014

De acordo com um novo estudo que será publicado no Journal of Personality, pessoas mais agradáveis (com traços de personalidades conhecidos como “sociabilidade” e “consciência”) também são mais propensas a fazer escolhas destrutivas, se acharem que isso está de acordo com as expectativas sociais.

Os pesquisadores conduziram uma versão dos experimentos de obediência criados por Stanley Milgram, no qual as pessoas tinham que dar choques em pacientes a pedido de médicos, sabendo que esses pacientes podiam até morrer.

Nesse tipo de experimento, os participantes descobrem mais tarde que as pessoas que eles “mataram” eram atores. Geralmente, um número surpreendente de participantes considerados “bons” “matam” outras pessoas, só porque receberam tal ordem.

Ao refazer esse experimento, os pesquisadores encontraram evidências de que as pessoas “agradáveis” muitas vezes optam por fazer coisas destrutivas porque não querem incomodar ninguém discordando de ordens diretas.

De acordo com o resultado final do novo estudo, pessoas mais sociais foram as que cumpriram a vontade do experimentador e deram choques elétricos que acreditavam que poderiam prejudicar uma pessoa inocente. Por outro lado, as pessoas com personalidades mais contrárias e menos agradáveis foram mais propensas a recusar-se a ferir outras pessoas quando requisitado.

Uma das razões pelas quais os pesquisadores queriam estudar os efeitos dos traços de personalidade “sociabilidade” e “consciência” é porque alguns estudiosos atribuem essas características a Adolph Eichmann, principal “executor-chefe” do holocausto alemão contra os judeus.

Os cientistas queriam descobrir que traços de personalidade e características podiam ajudar a identificar pessoas que escolheriam caminhos mais benignos quando colocadas sob pressão social, em vez de se conformar com o comportamento prejudicial.

Eles concluíram que pessoas com pontos de vista políticos de esquerda são menos dispostas a cumprir exigências que inflijam sofrimento. Um outro grupo no estudo também foi mais propenso a recusar ordens destrutivas: mulheres que tinham participado anteriormente de ativismo político, como greves ou ocupação de uma fábrica.

Os pesquisadores afirmam que nada impede que essas pessoas tenham traços como sociabilidade e consciência – nem todo mundo que se encaixa nesses grupos irá com certeza se conformar a uma situação e prejudicar os outros por causa disso. De acordo com os cientistas, o que realmente impulsiona as pessoas a desobedecer ordens é a sua vontade de nadar contra a corrente e causar um pouco de atrito – o que acabou sendo positivo no cenário estudado.

A ironia é que personalidades normalmente vistas como antissociais, ou desagradáveis (talvez por serem “do contra”) podem na verdade estar ligadas ao comportamento “pró-social”. Estas são as pessoas que se recusam a comprar um carro e usam o transporte público, são as que lutam contra a devastação ambiental etc. Com certeza, elas fazem alguns inimigos, mas estão na vanguarda dos movimentos em direção a um mundo mais justo – enquanto a maioria de nós, sociáveis e queridos, cumprimos com as normas sociais ao dirigir, comer carne e comprar produtos que causam a morte desnecessária de animais, muitas vezes conscientes de todos esses danos, apenas para não romper com comportamentos de rotina estabelecidos por nossa economia contemporânea e padrões culturais, que levam ao consumo desenfreado, a inércia política e todas as suas consequências. [io9, PsychologyToday]

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6 comentários

  • Folha Seca:

    Pesquisa tendenciosa essa, eu não sou de esquerda e jamais faria algo, conscientemente, para prejudicar alguém. Deve ser comunista qum fez.

    • Cesar Grossmann:

      É coisa de reacionário mesmo, nem mesmo examinar o estudo e declarar que está errado e que foi feito “por gente de esquerda” ou “comunista”. Não é assim que funciona a ciência.

  • Gabriel Cardoso:

    “…pontos de vista políticos de esquerda são menos dispostas a cumprir exigências que inflijam sofrimento” Talvez por isto que Cuba e a Coreia do Norte são tão felizes. Tão felizes que se matam para sair do país.

    • Marcelo Ribeiro:

      “ponto de vista político” e ditadura são coisas diferentes.

    • Cesar Grossmann:

      Concordo com o Marcelo, ponto de vista de esquerda é uma coisa, ditadura de esquerda é outra bem diferente. Um ponto de vista de esquerda é o do ex-presidente Jimmy Carter, que depois de sair do governo associou-se a organizações não governamentais e de vez em quando era flagrado ajudando a construir casas para os pobres.

  • Lucas Maiceli Lopes:

    Interessante, sobre o final. As pessoas muito sociaveis tendem a ser mais ignorantes nesse ponto mesmo

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