Aquecimento global causado por humanos: esse meteorologista mudou de opinião

Por , em 25.08.2016

O meteorologista Chad Myers, do canal de notícias norte-americano CNN, diz que o aquecimento global é um assunto que não encontra unanimidade mesmo entre os especialistas em clima. “Eu, por exemplo, já mudei minhas conclusões algumas vezes sobre se os humanos são responsáveis pelo aumento do calor na Terra”, diz Myers.

Ele explica que compartilha a sua experiência não para tentar mudar a opinião das pessoas, mas sim para mostrar porque mudou a dele.

No início dos seus estudos científicos em Nebraska, a maioria dos especialistas não acreditava que era possível que a poluição causada pelo homem fosse capaz de interferir no clima global.

Nos 1980 e 1990 haviam muitas outras justificativas para a mudança climática, e o homem não era considerado culpado por isso. Entre elas estavam vulcões, flutuações solares, ilhas de calor urbanas, produção de concreto e até as populações de vacas. “Também achávamos que o oceano poderia estar correndo maior perigo, já que ele absorve o CO2 e cria ácido carbônico que muda o PH da água”.

Em 2009, uma pesquisa de opinião da American Meteorological Society mostrou que apenas 24% dos meteorologistas praticantes concordavam com a afirmação: “grande parte o aquecimento desde 1950 é muito provavelmente induzido por humanos”. Myers diz que na época foi um dos 76% que não concordou com a frase. “Eu não gostava do termo ‘muito provavelmente’. Eu nem entendia o cenário inteiro. Eu não tinha excluído outras possibilidades. Não negava as mudanças climáticas causadas por humanos, mas continuei cético”, lembra.

Antes de 2010 e depois de 2010

O ano de 2010 foi um divisor de águas para ele. Aquele foi até então o ano mais quente registrado, mesmo com o fenômeno La Niña em ação, um processo que deveria ter esfriado o planeta. “Não tinha vulcões produzindo enormes quantidades de CO2. O Sol não estava ficando mais quente. Leituras de temperatura por satélite excluíram o efeito das ilhas de calor”.

“Mesmo ‘A Pausa’ (o período pós-1998 que mostrou pouco aumento de temperatura no planeta) foi destruída. Essas são conhecidas hoje como ‘teorias zumbis’, mitos já derrubados que céticos trazem à tona para refutar a mudança climática causada pelo homem”.

Então em 2013 a concentração de CO2 ultrapassou 400 partes por milhão, e ele soube que o planeta estava em apuros. “Eu não estava mais preocupado com a acidificação do oceano, já que não parecia que o oceano era capaz de absorver quantidades massivas de CO2 que os humanos produziam. Eu não era mais cético. Humanos estavam poluindo a atmosfera além do limite. Finalmente excluí todas as outras possibilidades”, descreve.

Para ele, essa mudança radical de opinião não era sinal de inconsistência, mas sim de evolução de conhecimento. “Concluí que minha teoria original de que ‘poderia ser alguma outra coisa’ era improvável”, explica.

Todo o ano desde 2001 batemos recordes de altas temperaturas globais. 2016 provavelmente vai ser o ano mais quente já registrado, quebrando o recorde de 2015. “A cada ano, a cada novo desastre, fica mais difícil ser cético sobre a mudança global causada pelo homem. Por isso, não sou mais um deles”, conclui o meteorologista. [CNN]

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2 comentários

  • Anderson Artes:

    Nunca tive dúvidas quanto a culpa do homem em relação ao aquecimento global. O planeta está ficando mais quente porque cada vez mais temos menos florestas e mais indústrias, mais pessoas pensando somente em ganhar dinheiro e menos pessoas procurando uma vida simples e em harmonia com a natureza. Somos relaxados quanto aos cuidados da nossa casa, a Terra.

  • Cesar Grossmann:

    A Exxon sabia disso desde 1977, e investiu milhões durante décadas em desinformação desde então. O resultado? Montes e montes de “céticos”.

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