Por que exercitar seus braços também cansa suas pernas?

Por , em 23.09.2013

Quem gosta de trabalhar diferentes músculos na academia sabe que separar um dia para treinar apenas bíceps resolve pouco no quesito descansar as pernas.

Imagine o seguinte cenário: você acaba de fazer 10 minutos de ciclismo de braço (um aparelho hediondo onde você basicamente usa os braços para girar os pedais de uma “bicicleta”) e, depois de alguns minutos de descanso, sobe em uma bicicleta normal para fazer um exercício com as pernas. Será que o seu desempenho na bicicleta normal será afetado pela atividade anterior?

A maioria de nós vai responder que sim – a ideia é que já fizemos um exercício cansativo, então é claro que estaremos mais lentos, mesmo que o exercício anterior tenha utilizado diferentes músculos.

No entanto, cientificamente falando, isso não faz sentido. Ou não fazia até agora.

A nível fisiológico, cada músculo contém seu próprio combustível (glicogênio, ATP e fosfocreatina), e seus braços não podem roubar energia guardada em suas pernas. Estudos anteriores já mostraram que os músculos das pernas ainda conservam a mesma concentração das principais fontes de combustível após um exercício de braço, de modo que essa definitivamente não é a explicação.

Um estudo da Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, parece ter descoberto o que está realmente acontecendo.

Eles analisaram indivíduos em duas configurações diferentes de exercícios: um grupo fez duas rodadas de intensos exercícios de perna, e o outro fez braço seguido de perna. A segunda série de exercícios de cada grupo mostrou um declínio de cerca de 33% na performance, apesar de metade dos indivíduos terem começado com as pernas frescas.

O segundo grupo havia passado por séries muito curtas e intensas de exercícios de braço (8 x 60 com 30 segundos de descanso, seguido de uma pausa de 4 minutos antes do ciclismo), por isso não era uma questão de débito de oxigênio.

A frequência cardíaca dos participantes ainda estava um pouco elevada no final do exercício de braço, mas no final da prova de ciclismo, era menor do que quando a prova de ciclismo foi realizada em primeiro lugar. Em outras palavras, o exercício de braço impediu que os indivíduos alcançassem sua frequência cardíaca máxima durante a prova de ciclismo.

Então, o que está em jogo aqui? A hipótese levantada pelos pesquisadores é que a acumulação de metabólitos no sangue está atrapalhando o desempenho dos atletas. Esse efeito do acúmulo de metabólitos no sangue, ao contrário do armazenamento local de energia muscular, afeta todo o corpo.

Sendo assim, o lactato, hidrogênio e íons de potássio que seus braços liberam quando você os está exercitando “amolecem” suas pernas “frescas”, quase tanto quanto se você estivesse exercitando-as, apesar de elas terem um tanque cheio de combustível.

Enquanto as pessoas mais entusiastas da musculação tendem a trabalhar cada grupo muscular separadamente, a ciência está inclinada a afirmar que o corpo humano funciona mais como uma máquina integrada – o que pode incluir um “sistema de fadiga central”. [Gizmodo, RunnersWorld]

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1 comentário

  • Naldo Soares:

    obrigado Natasha Romanzoti agora eu sei o motivo de quase não conseguir correr depois de fazer 25 barras fixas em pronação. Sao os metabolitos acumulados em meu corpo.

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